A lista obrigatória do vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para o ano de 2024 é composta por nove livros que constituem parte do exame de língua portuguesa.

Para ajudar alunos os professores a se aprofundarem nas características literárias, temas sociais e contexto histórico dos títulos escolhidos, o Instituto Claro desenvolveu um especial no qual cada obra é analisada em um episódio individual de podcast.

As reflexões são conduzidas por professores de literatura, escritores e convidados especiais. Além do formato em áudio, o conteúdo também foi transcrito.

Entre as inovações propostas para o vestibular 2024 estão a inclusão de títulos que originalmente não fazem parte do cânone da língua portuguesa, como “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll. Além disso, a lista também inclui composições musicais brasileiras, no caso, uma seleção de canções do compositor carioca Cartola.

Confira abaixo os detalhes sobre cada um dos nove episódios.

Tarde – Olavo Bilac

A obra “Tarde”, escrita por Olavo Bilac, é uma representante do movimento literário parnasiano, cujas poesias valorizavam a métrica e a linguagem culta, sofrendo oposição dos modernistas. No podcast, o professor e autor do conteúdo literário do Sistema Anglo de Ensino Eduardo Calbucci esclarece as razões pelas quais as obras parnasianas evitavam abordar questões sociais mais amplas.

Olhos D’Água – Conceição Evaristo

Ganhadora do Prêmio Jabuti 2015 na categoria Contos, a obra faz uso do conceito cunhado pela autora de “escrevivência”, escrita originada das lembranças e experiências dela própria em uma sociedade machista e racista. No livro, Evaristo narra o cotidiano de afro-brasileiros e humaniza personagens geralmente estereotipados pela literatura.

Carta de Achamento a El-Rei D. Manuel – Pero Vaz de Caminha

Pero Vaz de Caminha foi o escrivão membro do grupo de Pedro Álvares Cabral que registrou em carta de achamento as impressões dos portugueses frente à natureza e nativos daquilo que viria a ser o Brasil. “A carta é intermediada pela visão cristã do século XVI e mercantilista, o registro que se faz das terras e das gentes”, conta o docente do Anglo Vestibulares Paulo Oliveira.

Casa Velha – Machado de Assis

Livro é retrato do Brasil no Primeiro Reinado e mescla romantismo e realismo ao apontar convenções sociais que estão por trás das ações da trama.

“A interferência, por exemplo, da igreja na estrutura familiar, a preocupação incrível da dona da casa com a manutenção do nome da família, de alguma representatividade social que ela não queria de jeito nenhum perder”, descreve o professor do Sistema Anglo de Ensino Mauricio Soares Filho.

O Ateneu – Raul Pompeia

O livro de Pompeia trata de determinismo, ou seja, a influência do meio sobre o sujeito. Ao final, o incêndio que destrói o Ateneu é metáfora para um rito de passagem do protagonista e também do fim do império e instauração da república. Para o professor de literatura do Anglo Fernando Marcílio, as dificuldades enfrentadas pelo adolescente no colégio são ilustradas pelo texto de leitura árdua. “Quando quem lê sente dificuldade, de alguma forma, aproxima-se da situação que o protagonista enfrenta”, opina. 

Niketche: Uma História de Poligamia – Paulina Chiziane

Primeira mulher moçambicana a publicar um romance em seu país, Paulina Chiziane traz em sua obra a luta feminina por desconstruir situações sociais impostas. O livro marca uma transição da literatura moçambicana. “Inclusive, [a partir dela] se passa a conceder a ideia de que mulheres participam da vida civil e se tornam profissionais de destaque”, afirma o professor do Anglo Vestibulares Mauricio Soares Filho. 

O seminário dos ratos – Lygia Fagundes Telles

O conto em realismo fantástico é uma alegoria à ditadura militar vivida pelo Brasil no ano de seu lançamento, em 1977.

“Nós estamos lendo esse conto para entender quem somos, o país em que vivemos, para olhar historicamente para reflexões que continuam, lamentavelmente, fazendo todo sentido pra nós hoje em dia”, destaca o professor Mauricio Soares Filho.

Canções escolhidas – Cartola

Foram selecionadas para o vestibular da Unicamp 10 canções de Cartola: “Alvorada”, “As rosas não falam”, “Cordas de aço”, “Disfarça e chora”, “O inverno do meu tempo”, “O mundo é um moinho”, “Que é feito de você?”, “Sala de recepção”, “Silêncio em cipreste” e “Sim”. Figuras de linguagem e lirismo marcam letras do compositor carioca.

Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll

“Esse livro é uma obra sobre a alteridade — o outro e como esse outro me constitui na minha identidade. Alice vai aprendendo um pouquinho, desconstruindo e construindo quem ela é no encontro com a diferença, no encontro com o mundo que tira ela completamente dos conhecimentos que ela tinha sobre si”, explica a professora de literatura e pós-doutora pela Unicamp Marcella Abboud.

Veja mais:

Fuvest 2024: ‘Nós Matamos o Cão Tinhoso!’ e a luta pela independência moçambicana

Fuvest 2024: “Dois Irmãos”, de Milton Hatoum, parte de drama familiar para representar o Brasil

Fuvest 2024: ‘Marília de Dirceu’ traz culto à natureza e ao amor

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Talvez Você Também Goste

Notícias

12 podcasts para entender as obras do vestibular Unicamp 2020

Lista obrigatória é marcada por diversidade de autores, gêneros e correntes literárias

há 5 anos
Notícias

9 podcasts que analisam os livros da Fuvest 2021

Professores de literatura e escritor destacam pontos relevantes das leituras obrigatórias

há 4 anos
Notícias

Vestibular: 9 podcasts para entender os livros da Fuvest

Entrevistados analisam obras que integram lista de leituras obrigatórias da prova

há 5 anos
Notícias

Confira 5 livros para abordar a cozinha afrodiaspórica em sala

Tema estimula a reflexão dos alunos sobre a diversidade da culinária e da cultura dos povos africanos

há 3 semanas

Receba NossasNovidades

Receba NossasNovidades

Assine gratuitamente a nossa newsletter e receba todas as novidades sobre os projetos e ações do Instituto Claro.