A psicologia faz parte das bases da formação em educação. “Em conjunto com os conhecimentos históricos, filosóficos e sociológicos, esta área fornece a estrutura para entendimento do desenvolvimento humano e da aprendizagem”, resume a coordenadora do curso de pedagogia da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), Danielle Aparecida do Nascimento dos Santos.

Para os estudantes de pedagogia e professores em formação, os ganhos são diversos. “É essencial para que compreendam a sua área de formação e apropriem-se das formas como os seres humanos aprendem, desenvolvendo-se com maior segurança e conhecimento”, acrescenta. A seguir, confira sete reportagens sobre a contribuição de diferentes áreas da psicologia para a educação. Os conteúdos debatem como psicanálise, psicologia analítica, behaviorismo, psicodrama e esquizoanálise podem apoiar o processo de aprendizagem de estudantes de todas as idades.

Donald Winnicott e Sigmund Freud (Psicanálise)

Os primeiros anos do ensino fundamental I representam uma mudança na vida emocional da criança. O professor do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Walter José Martins Migliorini resgata o pensamento de Donald Winnicott (1896-1971) e Sigmund Freud (1856-1939) para explicar fenômenos comuns nesse período, como furto, mentira ou expressão da sexualidade.

Melanie Klein (Psicanálise)

Percursora no campo da psicanálise e educação, Melanie Klein (1882-1960) se dedicou a entender crianças com desinteresse, agressividade e dificuldades de aprendizagem. Para ela, o mundo interno da criança influencia como ela enxerga a realidade externa. “Com isso, pode se sentir perseguida, acreditar que o mundo não é para ela, ter medo dos ambientes, não prestar atenção na aula. Em situação de sofrimento, não terá espaço interno para aprender”, diz o pedagogo e psicanalista Alexandre Patrício.

Jacques Lacan (Psicanálise)

Mesmo sem referência direta à educação nos seminários e livros do psiquiatra francês Jacques Lacan (1901-1981), sua obra possibilitou pensar a relação do aluno com o saber. Em entrevista, a psicanalista Fátima Monerat destaca a importância dos laços e do diálogo entre professor e alunos na aprendizagem na visão lacaniana. “O funcionamento intelectual não é dissociado do afeto.”, ressalta.

Françoise Dolto (Psicanálise)

A pediatra e psicanalista francesa Françoise Dolto (1908–1988) defendia a capacidade das crianças de comunicar questões emocionais, exigindo mais escuta por parte dos seus pais e professores. Em entrevista, a doutora em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) Luciana Pires lembra que a médica valorizava a escola como espaço de socialização – pensamento oposto ao ensino domiciliar (homescholling). “Ela tinha apreço pela alteridade e a escola ajudaria a criar pontes com uma sociedade que é diversa”, reforça.

Carl Jung (Psicologia analítica)

Carl Gustav Jung (1875-1961) foi um dos discípulos do psicanalista Sigmund Freud que, ao romper com ele, fundou a psicologia analítica. “Para Jung, a educação é diferente da instrução ou formação escolar. Ela se dá pelo exemplo. Quanto mais autoconhecimento o educador tem, mais essa influência será positiva, e vice-versa”, explica em entrevista a pedagoga e mestre em psicologia da educação Céline Lorthiois. Ela ainda destaca a importância da intuição do educador no processo de ensino.

Jacob Levy Moreno (Psicodrama)

Ciência que explora a verdade por métodos dramáticos. Essa é a definição do psicodrama, linha da psicologia criada pelo psiquiatra Jacob Levy Moreno (1898-1974). Ele estudou jogos teatrais, dramatização e expressão artística, primeiramente de modo terapêutico e, depois, na aprendizagem. Para isso, criou o termo psicodrama pedagógico, discutido na reportagem pelo psicodramatista e professor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Valério José Arantes; e pelo psicólogo, psicodramatista e coordenador do Mestrado Profissional em Artes da Universidade de Brasília (UnB) Paulo Sérgio de Andrade Bareicha.

Gilles Deleuze e Félix Guattari (Esquizoanálise)

Foi na década de 1970 que os filósofos franceses Gilles Deleuze (1925-1995) e Félix Guattari (1930-1992) desenvolveram a esquizoanálise. Práticas criativas que estimulam a singularidade e o respeito às diferenças no ambiente escolar foram contribuições da abordagem. “Alinhar isso a relações mais verticais entre professores e alunos e ao abandono da ideia de competição, de que o outro é meu inimigo, ajuda na prevenção e resolução de conflitos na escola”, explica o docente do departamento de psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Francisco Estácio Neto.

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