A psicologia da educação é um ramo da psicologia que estuda os processos psicológicos, as questões cognitivas, emocionais e sociais, com ênfase nos processos de ensino e aprendizagem.

“Nos concursos para professores e na Prova Nacional Docente (PND), é cobrada a relação entre as teorias da psicologia e da aprendizagem e as práticas pedagógicas visando potencializar a aprendizagem dos estudantes”, explica o professor da prefeitura de São Paulo (SP) e consultor pedagógico Ivan Cláudio Guedes.

“É um conhecimento importante para o professor para além do concurso, pois compreender como se aprende facilita o trabalho em sala de aula. Esse aprendizado ocorre a partir de uma multiplicidade de condições; e, se não houver clareza sobre elas, o professor corre o risco de apenas transmitir conteúdo, sem garantir um aprendizado de fato”, opina Guedes.

Nos concursos, o tema é cobrado de forma contextualizada.

“Já passou a época em que se cobrava o conceito pelo conceito. Houve um período em que era obrigatório memorizar teorias e definições para responder a perguntas objetivas do tipo ‘o que é’. Hoje, a configuração é outra. As questões costumam ser construídas a partir de uma situação-problema, na qual o candidato precisa mobilizar conhecimentos teóricos para chegar à resposta correta”, descreve.

“É comum aparecerem estudos de caso, descrições de situações vividas em sala de aula ou problemas pedagógicos que exigem, segundo determinada teoria, que o professor indique como se deve agir”, orienta.

O mesmo vale para a PND. “Cobra-se menos a biografia dos autores e mais a aplicação das teorias em situações de sala de aula. As questões podem transitar por abordagens interdisciplinares, envolvendo temas como inclusão, avaliação e mediação de conflitos, além da migração dos conhecimentos da psicologia da educação para diferentes contextos pedagógicos”, ressalta.

Autores recorrentes

Guedes explica que os autores clássicos, que formam a base da pedagogia, são os mais cobrados pelas bancas. “Henri Wallon (1879–1962), Jean Piaget (1896–1980) e Lev Vygotsky (1896–1934) estão presentes em várias questões”.

Sobre Piaget, Guedes lista como pontos mais cobrados os quatro estágios do desenvolvimento cognitivo, sendo o último o operatório formal, além dos conceitos de assimilação, acomodação e equilibração. “Destaca-se ainda a ideia de aprendizagem em Piaget, que está relacionada ao processo de maturação e ao desenvolvimento biológico”, descreve Guedes.

Em Wallon, o professor lembra que o foco está na afetividade. “Embora ele também proponha estágios do desenvolvimento, o aspecto central de sua teoria é a compreensão de que a aprendizagem ocorre a partir das emoções e das relações afetivas, que têm papel estruturante no desenvolvimento infantil”, reforça.

Para completar, sobre Vygotsky, são recorrentes temas como a interação social, a mediação por meio da linguagem e o papel do professor como mediador do processo de aprendizagem. “Sua teoria destaca a aprendizagem coletiva, construída nas relações entre os sujeitos, especialmente a partir das interações sociais”, indica. “Lembro de uma prova que abordava o conceito de zona de desenvolvimento proximal, de Vygotsky, sem necessariamente citar o nome do autor”, afirma

Completam a lista Howard Gardner (1943– ), que aborda as inteligências múltiplas, e a aprendizagem significativa, proposta por David Ausubel (1918–2008), que destaca a importância dos conhecimentos prévios do aluno no processo de aprendizagem.

“Embora B. F. Skinner (1904–1990) tenha sido mais cobrado em concursos no passado, o behaviorismo ainda aparece, geralmente em análises comparativas ou discussões sobre métodos de ensino e reforço positivo e negativo. Esses conceitos podem surgir, por exemplo, em situações relacionadas à avaliação escolar, como aprovação e reprovação, práticas associadas à perspectiva behaviorista”, descreve.

Principais “pegadinhas”

Segundo Guedes, um dos erros mais comuns dos candidatos é a troca de conceitos entre autores. “Um exemplo frequente é atribuir a Piaget a primazia do social sobre o individual, quando, em sua teoria, o desenvolvimento parte do indivíduo para depois se ampliar nas interações sociais — o que difere da abordagem de Vygotsky.
Também é comum confundir os estágios de desenvolvimento de Piaget com os de Wallon”, alerta.

“Outro equívoco recorrente é tratar o construtivismo como método, quando, na verdade, trata-se de uma teoria da aprendizagem. Esse tipo de erro costuma custar pontos, especialmente em questões dissertativas ou de produção textual”, adverte.

Contra o problema, ele sugere, como método de estudo, o professor concurseiro construir um quadro comparativo entre autores e teorias.

“E, ao estudar um conceito de um determinado autor, sempre pensar em como poderia aplicá-lo em sala de aula”, finaliza.

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Crédito da imagem: Eva-Katalin – Getty Images

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