Resíduos recicláveis contribuem para a redução da quantidade de lixo enviada a aterros sanitários, para a economia de energia e recursos naturais do planeta e também geram renda para as famílias de catadores e cooperativas que vivem da sua coleta e revenda.

Funciona mais ou menos assim: catadores autônomos e a coleta seletiva que passa na porta das casas levam os resíduos recicláveis separados pelos moradores às cooperativas de reciclagem.

Essas cooperativas compram os resíduos dos catadores autônomos, separam e armazenam até conseguirem um bom volume para revendê-los às indústrias que, por sua vez, irão transformar essa matéria-prima em novos produtos.

“É sempre necessário ter alguém da indústria que compre esses materiais. O problema é que alguns resíduos são de rápida comercialização e outros, por terem um processo de reciclagem complexo e custoso, possuem baixo índice de revenda”, ensina a catadora e produtora de conteúdo do Cataki Laura da Cruz da Baia.

Nem todos os materiais são recicláveis no Brasil, caso, por exemplo, do silicone.

“Outros possuem reciclagem difícil e poucos compradores, fazendo com que sejam encaminhados para os aterros. Caso da bandeja de isopor e da película de polipropileno biorientada (BOPP), aquele plástico metalizado utilizado em pacotes de biscoito, salgadinho e chocolate”, explica a catadora e produtora de conteúdo para redes sociais Anne Caroline.

Anne lixo reciclável
Anne Caroline (Crédito: acervo pessoal)

Na dúvida se um item é ou não reciclável, Baia indica enviá-lo higienizado para a coleta seletiva. “Há itens que podem não ter compradores em uma determinada região do país, mas em outra sim. Isso varia bastante, sendo o ideal mandar tudo para as cooperativas”, incentiva Caroline.

“Por fim, o consumidor deve evitar ao máximo comprar produtos com embalagens que não são recicláveis ou não possuem compradores nas indústrias”, pontua Baia.

Juntos na mesma sacola

Para quem deseja iniciar o processo de separação dos resíduos recicláveis, o primeiro passo, claro, é não colocá-los nas mesmas sacolas que os orgânicos.

“Porém, é desnecessário separar os itens recicláveis por tipo, por exemplo, uma sacola apenas para plástico, outra somente para vidro etc. Coloque tudo em uma mesma embalagem, pois os catadores e cooperativas têm mais experiência nesta separação, inclusive para retirar aquilo que não será reciclado e encaminhar ao aterro”, indica Caroline.

A dica mais importante é que todo reciclável, sem exceção, precisa ser higienizado. “O resíduo de alimento contamina o item que poderia ser reciclável, e ele acaba indo para o aterro ao invés de voltar para a indústria”, reitera Baia.

“Um único item sujo pode contaminar um lote inteiro de resíduos a serem reciclados. Além disso, há uma questão de higiene: itens não higienizados atraem insetos e outros vetores de doença, podendo infectar os cooperados que irão manipulá-los na triagem”, alerta Anne.

Não é necessário gastar muita água ou detergente nesta limpeza. “Utilize a água de reuso ou já usada na louça e um pouco de produto”, garante Baia.

Laura Cataki Divulgação.
Laura de Freitas (Crédito: Cataki/Divulgação)

A seguir, as duas catadoras influencers explicam o que fazer com alguns itens para que eles não sejam recusados nas cooperativas e terminem nos aterros.

  1. Latas de alumínio: Evite colocar bitucas de cigarro, limão ou goma de mascar em seus interiores para evitar contaminação. “Eu verifico lata por lata”, garante Baia. “O Brasil é tido como o maior reciclador de latinhas de alumínio do mundo. Estima-se que 98% delas retornem ao mercado. Ainda assim, a contaminação faz com que muitas sejam enviadas para o aterro e deixem de gerar renda para os catadores”, lamenta Caroline.
  2. Copinhos plásticos de café: Também vale a regra da higienização. Passe uma água rápida antes de colocá-los na reciclagem. Caso contrário, não poderão ser vendidos pelas cooperativas.
  3. Potes de Whey Protein e suplementos alimentares: Para saber se este pote colorido é reciclável, basta olhar no fundo da embalagem. “Há o sinal de um triangulo que muitos pensam se tratar do símbolo da reciclagem, quando na verdade é a descrição do tipo de resina. Se estiver escrito 1 (PET), não será reciclado. “Se estiver escrito 2 (PEAD) significa  que não apenas será reciclável como trará um bom valor de revenda para cooperativa e catadores”,  lembra.
  4. Caixa de pizza: “Nunca haverá uma grande quantidade de gordura a ponto de impedir a reciclagem deste papelão, porém, quando há restos de alimentos grudados nela, há contaminação, e ela irá para o aterro”, lembra Anne. Em casos assim, apenas a tampa da caixa pode ser aproveitada.
  5. Sacola plástica: Segundo Caroline, as sacolinhas de mercado, de hortifruti, sacos plásticos de arroz e feijão são recicláveis ainda que, por serem leves, nem sempre a venda por peso seja rápida. “O importante, claro, é que elas não estejam com restos de alimento”, diz Caroline.
  6. Garrafa branca de leite: Este plástico PET recebe em seu interior uma película chamada line para conservar o alimento, o que inviabiliza a reciclagem. “Nenhuma empresa se responsabiliza por essa embalagem que coloca no mercado”, denuncia Caroline. O ideal é que as empresas se comprometam com a coleta do material após o uso, em um processo chamado logística reversa.
  7. Tubo de pasta de dente: o item não é considerado reciclável na maior parte do Brasil, apesar de ter um local no Sudeste que consegue comprar este resíduo e transformá-lo em novos produtos.
  8. Embalagem Tetrapark (longa vida): “A reciclagem é difícil, não tem compradores em todos os locais do país e os produtos gerados por meio delas costumam ter qualidade inferior”, explica Caroline.
  9. Embalagens de xampu, de iogurte e produtos de limpeza: mesmo coloridas, são recicláveis. Porém, também precisam ter seus interiores bem higienizados.
  10. Plástico bolha: é feito de polietileno de baixa densidade e é reciclável.
  11. Silicone: muita gente acha que o silicone é um item sustentável, porém esse polímero possui uma reciclagem que envolve processos químicos complexos e que está indisponível no Brasil. Além disso, esse material não é biodegradável, o que ajuda a lotar os aterros sanitários quando descartado.
  12. Isopor: apesar de existir uma tecnologia para a sua reciclagem, ela não está disponível na maior parte do Brasil.
  13. Vidro quebrado: o cuidado aqui é vedar o resíduo para que ele não corte o catador ou cooperado que irá manipulá-lo. O indicado é cortar uma embalagem Tetrapark (Longa Vida), colocar o resíduo dentro e vedá-lo. Vale ainda colocar uma etiqueta escrito ‘vidro quebrado’. “Infelizmente, há catadores que são analfabetos. Porém, ainda assim, ele pode chacoalhar esse material, averiguar o vidro quebrado e dar o destino correto a ele sem se ferir”, reforça Baia.
  14. Itens plásticos não recicláveis: a lista inclui a esponja de lavar louça, espuma, acrílico, cabos de panela, embalagens metalizadas de bolachas, salgadinhos e chocolate (BOPP).
  15. Itens de vidro não recicláveis: lâmpadas, espelhos, óculos, ampolas de remédios, boxes temperados e louças.
  16. Itens de papel não recicláveis: papel higiênico, guardanapo, etiquetas, fotografias, celofane e papel plastificado.
  17. Itens de metal não recicláveis: grampos de cabelo, clipes, tachinhas, esponja de aço, latas de produtos químicos como inseticidas e solventes.

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