Você já deve ter avistado em ruas e terrenos baldios sofás, colchões, armários, geladeiras quebradas, entre outros itens de grande porte.  Pois o descarte incorreto de móveis e eletrodomésticos é um problema nas cidades, gerando danos ambientais significativos.

“Os eletrodomésticos e móveis podem liberar substâncias tóxicas e metais pesados ​​no solo e água, prejudicando a agricultura. Também podem entupir sistemas de escoamento de água da chuva e esgoto, causando alagamentos. Pássaros e outros animais podem se machucar ou morrer ao ingerir materiais presentes neles”, lista o engenheiro ambiental Raimundo Neto.

“Um sofá antigo possui a estrutura inteira de madeira quimicamente tratada, metros de tecido sintético e metais que, quando queimados indevidamente, emitem grandes quantidades de CO₂, gás vinculado ao aquecimento global”, exemplifica a coordenadora do Cataki, Patrícia Rosa.

“Também podem acumular água, facilitando a proliferação do mosquito-da-dengue e também servir de abrigo para vetores de doenças”, completa a engenheira ambiental e professora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) Bruna Borges Soares.

Em contrapartida, tais produtos poderiam ser usados por outras pessoas, prolongando sua vida útil. Metais, plásticos e vidros da sua composição poderiam ser reutilizados pela indústria, evitando que novas extrações da natureza acontecessem. 

Por esses motivos, o descarte incorreto é considerado crime na Lei de Crimes Ambientais (Lei n.º 9.605/98) e na que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (12.305/2010).

Contra esses problemas, é fundamental a conscientização dos consumidores quanto oferecer um destino correto a móveis e eletrodomésticos que não possuem mais serventia. Listamos, a seguir, sete iniciativas simples que ajudam nessa empreitada. Confira!

Coletas de prefeituras

A prefeitura de cada cidade pode oferecer serviços de coleta que passam pelos bairros com agendamento prévio. Esse é o caso do projeto Cata-Bagulho, por exemplo, que acontece nas subprefeituras da cidade de São Paulo (SP). Nesses casos, as informações sobre quais tipos de produtos serão coletadas e a data da coleta costumam ser disponibilizadas nos sites de cada município. 

“Porém, essas coletas podem variar de acordo com cada município e nem todos o possuem”, lembra Neto. 

Ecopontos e Pontos de Entrega Voluntária (PEV)

São locais onde os cidadãos entregam seus resíduos, sendo administrados por prefeituras ou iniciativa privada. O descarte é gratuito e realizado em caçambas específicas para cada tipo de resíduo 

“Geralmente, são aceitos pequenos volumes de entulho, como restos de construção e demolição; grandes objetos, como móveis, colchões, eletrodomésticos quebrados, entre outros. Assim como materiais recicláveis, como embalagens de plástico, metal, papel, cartão, vidro, etc.”, orienta Neto.

Nem todo resíduo pode ser descartado em ecoponto e cada município costuma ter políticas próprias para o descarte, que devem ser consultadas antes de levar o material. 

“Em muitos casos, os materiais coletados são doados para associações e cooperativas de catadores do município, gerando renda”, explica o engenheiro ambiental. 

Serviços privados de coleta 

São serviços exclusivos que oferecem a opção de descartar resíduos, eletrodomésticos e móveis sem que o cidadão saia de casa, garantindo um destino responsável e ambientalmente correto para os itens. 

“Uma opção é solicitar um serviço de descarte online, onde é possível preencher um formulário com a quantidade e os objetos que deseja descartar, que gera um orçamento”, explica Neto.

Há ainda seguradoras que oferecem o serviço de coleta privado para seus clientes, assim como empresas que disponibilizam  gestão de resíduos para setores como condomínios, shopping centers, hotéis, supermercados e restaurantes. 

Os contratos são realizados com grandes geradores de resíduos não atendidos pela coleta pública”, afirma Borges. 

Doação

Ela pode ser realizada ONGS que coletam móveis e eletrodomésticos velhos sem custo para arrumá-los e revendê-los ou reaproveitar suas peças, caso do Exército da Salvação. 

Outra opção são grupos de Facebook como o movimento Free Your Stuff (Livre-se das suas coisas) e Estou Doando.

“A doação é a alternativa mais eficaz quando o eletrodoméstico ou móvel ainda estiver em condição de uso. Se quebrado, é importante realizar uma avaliação técnica para saber se vale a pena o reparo”, orienta Neto. 

“Esta alternativa gera impacto social ao atender pessoas em estado de vulnerabilidade financeira que não terem condições de adquirir um item novo”,  enfatiza o engenheiro ambiental.

Aplicativo Cataki

A plataforma gratuita conecta pessoas que querem descartar resíduos com catadores que tiram o seu sustento da reciclagem. Também disponibiliza endereço de cooperativas, ferros-velhos, pontos de entrega voluntária (PEVs) e ecopontos. Atualmente, a plataforma abrange 1900 municípios do Brasil. 

“Ele é uma rede de apoio para catadores, geradores e compradores de resíduos recicláveis. O objetivo é contribuir para que o ecossistema — geradores de resíduos, pontos de comercialização, catadores parceiros e empresas poluidoras — se beneficiem das oportunidades geradas pela economia circular”, sintetiza Rosa.

Para isso, basta solicitar uma coleta e o aplicativo apresentará um mapa ou uma lista com os catadores próximos. Após o clique, o gerador seleciona os resíduos que possui e se conecta com um catador por mensagem ou contato telefônico. A partir daí, a negociação e agendamento de coleta ficam a cargo de ambos. 

“É recomendado é verificar se o material pode ser coletado pelo catador selecionado. Sempre lembramos que os catadores estão prestando um serviço e que devem ser remunerados pela coleta, uma vez que venda do material não é suficiente para que se tenha uma renda mínima necessária”, orienta Rosa. 

Logística reversa

              Em alguns casos específicos, como o de pneus usados, pode haver empresas que ofereçam logística reversa para o produto.

             Nessa modalidade, o consumidor descarta o item em um local determinado pela companhia produtora e ela fica responsável pela sua reciclagem, aproveitamento de peças ou descarte correto. Porém, apesar da logística reversa estar prevista em legislações ambientais brasileiras, ela ainda é pouco aplicada e difundida.     

             “Ela faz com que as indústrias reaproveitem o material descartado como matéria-prima para a confecção de novos produtos, retornando essa matéria-prima para a indústria e gerando uma economia circular”, aponta Neto. 

Upcycling

Alguns objetos não precisam ser desmontados ou derretidos para gerarem produtos com novas funções – princípio do termo upcycling. É o caso, por exemplo, da geladeira quebrada que se transforma em uma biblioteca pública ou um carrinho de supermercados que virá uma estante. Madeiras descartadas, por sua vez, podem virar móveis e instrumentos musicais. Em muitos casos, as intervenções não são complexas e exigem apenas reparos simples como lixar, cortar e pintar. Além de ser uma ação que o próprio dono do item pode fazer, os móveis e eletrodomésticos também podem ser doados para ONGs ou marceneiros que trabalham com upcycling.

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