Criar um banquete medieval com os alunos é uma atividade popular para o ensino do período medieval. Porém, além dela , há outras possibilidades lúdicas que ajudam a abordar esse conteúdo, previsto para o final do sexto ano do ensino fundamental.

“Jogos de interpretação, atividades manuais e dinâmicas de grupo têm como característica o protagonismo do estudante e o seu papel ativo na construção do conhecimento”, defende o professor da licenciatura em história da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) Douglas Mota Xavier de Lima.

“Jogos e atividades lúdicas estimulam a criatividade e interrompem momentaneamente a sequência de aulas expositivas, atraindo a atenção dos alunos para o conteúdo. Também quebram aquela resistência inicial de ver a história como algo antigo e desimportante”, complementa o doutor em História Medieval pela Universidade Federal Fluminense (UFF) Márcio Felipe Almeida da Silva.

Tais iniciativas também ajudam a desmistificar estereótipos sobre a Idade Média difundidos em filmes, séries e jogos de videogame. “Os alunos estão constantemente em contato com este período histórico por meio do audiovisual. Os jogos educativos proporcionam esclarecimentos e ilustram as relações de poder do período.

“Além disso, a gamificação possui elementos pensados propositalmente para prender a atenção do estudante”, completa o historiador e mestre em Prática em Educação Básica Renan da Cruz Padilha Soares

A seguir, separamos quatro atividades lúdicas para ajudar no ensino e aprendizagem da idade média em aulas ministradas nas redes públicas. Confira!

1) Batalhas campais

São disputas em locais abertos realizadas pelos praticantes de Swordplay – esporte que simula batalhas medievais usando réplicas de escudos, espadas e outros armamentos criados pelos próprios participantes. Autor do artigo “A utilização de ‘batalhas campais’ como ferramenta de ensino-aprendizagem (2020)” , Silva aplica tal atividade no ensino fundamental há mais de cinco anos.
“Apesar de ser possível criar espadas com canos de PVC revestidos de espumas, por questão de segurança, trabalho com os alunos somente a confecção de escudos”, explica. Eles são feitos em papelão, em formato retangular, com um metro de comprimento e 50 cm de largura, sendo pintados de vermelho ao final. “Os “clãs” de alunos podem decorar o escudo com o símbolo que desejarem, desde ícones históricos até emblemas de grupos musicais”, relata o professor.

O formato retangular permite aos alunos realizem uma tática de defesa romana chamada “formação tartaruga”, que é a criação de uma parede de escudos contra flechas.

A atividade é realizada no pátio da escola ou outro local aberto que seja plano. Os clãs adversários arremessam bolinhas de plásticos ou pedaços de macarrão de piscina, enquanto a esquadria de escudos se defende. “O grupo que arremessa deve seguir um ritmo para não jogar todo o material de uma única vez, o que faria o jogo terminar muito rápido”, ensina Silva.

Para outros professores que desejam se inspirar na atividade, o docente indica planejá-la com antecedência, avisando aos alunos semanas antes. Para completar, as aulas expositivas sobre o período medievo devem acontecer antes da prática lúdica. “Para compor os escudos, prefira materiais recicláveis e evite o isopor. Vale também envolver os pais e responsáveis na confecção dos escudos”, recomenda.

2) Pergaminho medieval

A atividade consiste em criar um pergaminho medieval com os alunos para que eles possam presentear uma pessoa especial. O professor pode buscar a imagem de um pergaminho na internet e imprimi-la em formato A4. “Os alunos são convidados a escreverem uma carta nesta folha usando linguagem formal e sem gírias. Outra opção é escreverem um texto em latim”, orienta Silva.

Em casa, o aluno deve colocar a folha em uma fôrma com café frio e sem açúcar, deixando descansar por uma noite. Ao final, ela é pendurada no varal para secar ao sol e, com isso, ganhar uma aparência envelhecida.

“Outra alternativa é, com ajuda de um adulto, queimar suavemente as bordas do papel com um isqueiro e recortar as pontas da carta. Como os pergaminhos originais eram de couro, eles não possuíam as pontas certinhas”, conta o docente.

3) Conquista de territórios

Em um papelão, o professor pode desenhar ou imprimir e colar o mapa de um reino fictício. “Os alunos são divididos em pequenos feudos, nos quais o professor é o rei e eles são os vassalos. Esta já é uma oportunidade para discutir com a turma os conceitos de soberania e vassalagem”, ressalta Soares.

O objetivo de cada grupo é construir castelos, moinhos, animais e outras melhorias para as terras. Essas imagens serão adquiridas mediantes atividades diárias. “Ao realizar trabalhos, avaliações e participação em aula, eles podem desenhar essas conquistas e colá-las no mapa coletivo”, ensina o historiador.

Além disso, ele recomenda criar um painel de cartolina com o nome dos feudos da turma. “Conforme eles vão avançando nas conquistas dos territórios, ganham insígnias que são colocadas ao lado do nome de cada grupo”, explica Soares, que é autor do artigo “Gamificação e Jogos para os Conteúdos de Idade Média e Início da Idade Moderna” (2017).

“Durante esta experiência, pude notar maior motivação e imersão dos alunos no conteúdo”, garante. “Outra dica é valorizar a cooperação e não o caráter competitivo durante o processo”, compartilha.

4) RPG com vikings

O ‘Role Playing Game’ (RPG) é um jogo em que o professor narra uma história e os alunos podem interpretar personagens. Ele possui formas diversificadas de aplicação em ambiente escolar e um alto potencial pedagógico.

No artigo “RPG e ensino de história medieval: repensando os vikings”, os professores Mariana Bonat Trevisan e Lucas Henrique Santos Barros propõem apresentar uma história que contemple esse grupo escandinavo.

A história inicia na festividade Jól27, celebrada no solstício de inverno escandinavo, quando animais eram oferecidos às divindades para fertilidade e ancestrais eram honrados. Os alunos são divididos em diferentes castas da sociedade viking. “Eles compõem as três principais camadas sociais nórdicas: a nobreza ou aristocracia, os homens livres e os escravos, que serviam a comida e bebida no banquete da festa”, explica Trevisan.

Antes da atividade, a docente indica aplicar um questionário prévio para avaliar o que os alunos sabem sobre a sociedade viking, esclarecer estereótipos e incentivar a pesquisa de fontes históricas.“O objetivo é trazer, a partir do RPG, as relações sociais como casamento, famílias e escravidão; as relações econômicas, como trocas comerciais; as políticas, como a organização das lideranças e lutas pelo poder e, por fim, as culturais e religiosas, manifestadas nas festas, cultos, alimentação, ritos e vestuário”, completa.

Como o RPG é um jogo sem caminho e fim preestabelecidos, os alunos serão livres para tomar decisões e mudar a história ao longo da atividade, que tem o professor no papel de mediador.

Veja mais conteúdos para ensinar Idade Média:

Tirinhas de “Hägar, o Horrível” ajudam a pensar estereótipos vinculados à Idade Média

Plano de aula – Tapeçaria de Bayeux: As relações de poder na Idade Média

Plano de aula – Rezar, Combater, Trabalhar: A Organização Social na Idade Média

Plano de aula – Idade Média: “Média” por quê?

5 livros para trabalhar Idade Média nas aulas de história

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