As revoluções podem ser entendidas como mudanças na estrutura social, de estado ou no modo de produção de uma sociedade. “São rupturas bruscas mas que consolidam processos anteriores que já vinham acontecendo em ideias, discussões ou ações”, explica a professora de história da rede municipal de Santos (SP) Mayra Mattar Moraes.

Além disso, os desdobramentos dessas rupturas vão além do território e do tempo onde elas ocorreram. “Caso da revolução francesa, que representa a consolidação e ascensão da burguesia e marca a sociedade contemporânea que vivemos até hoje”, ilustra a docente. “A revolução francesa repercute em vários locais do mundo na discussão do regime colonial e influencia na independência dos Estados Unidos, na revolução haitiana e na inconfidência minera”, completa.

Para os estudantes, a importância de estudar as revoluções é enxergarem a possibilidade de mudança na sociedade, “É possível promover transformações profundas e a história mostra que isso já foi feito anteriormente. Ou seja, é possível termos sociedades e estados diferentes”, analisa.

Além disso, ajudam os alunos a adquirirem um pensamento crítico de que eles são agentes da história. “Existe uma visão evolutiva da história nos séculos XVIII e XIX, com a transposição de algumas ideias darwinistas daquele momento, de que a evolução da história é natural, que ela sempre caminha para frente. As revoluções contrapõem tal pensamento e mostram que homens e mulheres intervêm nesse curso, que cada ser humano é agente de transformação ou de manutenção da sociedade. Que cada pessoa, no seu papel micro, influencia no macro”, destaca.

Revolução ou golpe?

Segundo Moraes, a definição da revolução como evento que altera a sociedade ignora os golpes de estado e a diferença entre os dois conceitos.“A diferenciação entre ambos é importante para não cair no moralismo de acreditar que golpe é ruim e revolução bom”, analisa.

Segundo a professora, a revolução é realizada de dentro para fora. “Ou seja, por agentes que estão fora do estado – como grupos sociais, sindicatos, partidos políticos – que promovem esse processo de alteração, muitas vezes violentos e via guerras.

Oposto ocorre no golpe. “Neste, temos agentes de dentro do estado atuando para essa mudança. Como no caso da ditadura militar brasileira (1964-1985). Os militares são membros do Estado subordinados ao presidente e que rompem com essa subordinação. Assim, não se trata de revolução”, diferencia.
A seguir, confira sete planos de aula que cobrem revoluções ocorridas em diferentes países com desdobramentos contemporâneos.

A revolução chinesa

Voltado para as aulas de história e sociologia do ensino médio, este plano de aula explica todo o processo que transformou a China em uma nação socialista: do fim da Monarquia em 1911 até a Revolução Comunista de 1949 e seus desdobramentos, como a revolução cultural. Também ajuda os alunos a entenderem seus desdobramentos contemporâneos, como o mercado global e a China no século XXI.

A revolução dos cravos

Voltado para as aulas de história no ensino médio, este plano de aula aborda o movimento que derrubou o regime salazarista em Portugal, em 1974 – estrutura ditatorial vigente desde 1933. Explica a mobilização social para o fim da ditadura e também os seus reflexos nas lutas anticoloniais africanas.

A revolução mexicana

Direcionado às aulas de história nos anos finais do ensino fundamental, este plano de aula explica o contexto histórico, político, econômico, cultural e social da Revolução Mexicana de 1910 contra a ditadura de Porfírio Díaz. Também ajuda a compreender o caráter indígena e rural da revolução, tendo como líderes Emiliano Zapata e Pancho Villa.

A revolução russa

Este plano de aula ajuda a compreender o governo czarista de Nicolau II e as condições sociais da população russa que levaram à queda do império (1917). Aborda o Domingo Sangrento (1905) e seu reflexo na consciência da classe operária, levando à formação dos primeiros sindicatos, os sovietes, e à organização dos trabalhadores russos. Por fim, aponta a diferença entre os grupos revolucionários russos: os bolcheviques e os mencheviques; e a instauração do comunismo na Rússia – a Era Lênin e a Era Stálin.

As bases teóricas da revolução russa

Este plano de aula ajuda a explicar o socialismo, o comunismo e o anarquismo para as turmas do ensino fundamental 2. Também traz as diferenças entre a teoria de Adam Smith (liberalismo) e Karl Marx (comunismo). Além disso, esclarece a Revolução Russa como a primeira revolução socialista que colocou em xeque o sistema capitalista.

A revolução francesa

O plano para as aulas de história do ensino fundamental 2 explica a configuração política, econômica e social da França no contexto pré-revolucionário. Ajuda a compreender os princípios iluministas que impulsionaram a luta do Terceiro Estado contra o absolutismo de Luís XVI, assim como a importância da queda da Bastilha.

A revolução islâmica no Irã

Voltado para o ensino médio, auxilia os alunos a analisarem o contexto histórico em que ocorre a Revolução Islâmica no Irã. Também apresenta o conceito de fundamentalismo religioso e as consequências da revolução para a população iraniana, especialmente para as mulheres.

Veja mais:

Revolução Russa completa 100 anos com desdobramentos contemporâneos

Revolução Francesa: 8 materiais para saber e ensinar o marco histórico

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