Climatologia escolar é um conteúdo do currículo de geografia do ensino fundamental II que estuda os conteúdos físico-naturais relacionados ao clima e a previsão do tempo. Pressão atmosférica, velocidade dos ventos, formação de nuvens, temperatura, precipitações de chuvas e previsões meteorológicas são alguns dos assuntos que orbitam esse universo. 

Para o doutorando em geografia e professor da rede de Parintins (AM), Hugo Levy da Silva de Melo, atividades práticas são bem-vindas na hora de ensinar a climatologia escolar.

“Elas ajudam os alunos a entenderem e contextualizarem para seu dia a dia conhecimentos que são técnicos e fenômenos nem sempre visíveis. Facilitam a compreensão de como se formam e agem na paisagem local elementos como chuva, vento, umidade e temperatura”, pontua. 

Segundo Melo, a principal dica para o professor de geografia é relacionar os conteúdos de climatologia escolar a questões da realidade do docente. “Refletir sobre o impacto desses elementos na saúde, agricultura, planejamento urbano, turismo, etc. ajudam os alunos a entenderem que é um assunto integrado na trajetória deles”, ressalta. 

 Conheça, a seguir, sete atividades práticas para ensinar esse conteúdo! 

1) Ditos populares  

No artigo “A utilização dos ditos populares e da observação do tempo para a climatologia escolar no Ensino Fundamental II”, os professores Diego Corrêa Maia e Ana Claudia Nogueira Maia propõem, primeiro, apresentar aos alunos do 7.º ano do ensino fundamental II os principais tipos de nuvens por meio de imagens e observação. Na sequência, eles recomendar utilizar os ditos populares como ferramenta para discutir previsão do tempo e clima. 

Em sequência didática, eles utilizaram fotos de neblina em Serra associadas ao ditado “Névoa na baixa, sol que racha, névoa na serra, chuva que berra”. 

“Isso é explicado pela formação da névoa, devido à perda de radiação terrestre para a atmosfera durante a noite, e devido à ausência de nebulosidade e vento que precede a névoa ou nevoeiro. Geralmente, esse fenômeno ocorre no inverno e em locais planos e com baixa altitude”, destacam no artigo. 

Outro dito utilizado em aula foi “Céu pedrento é sinal de chuva e vento”. No caso, ‘pedras’ são uma alusão a nuvens de alta e média altitudes, que indicam entrada de uma frente fria. 

“Após a sinalização da chegada de uma frente fria, ocorrem chuvas fortes, geradas pela nuvem Cumulonimbus, que caracteriza precipitações intensas e de grande extensão vertical”, explicam.

2) Imagens de satélite meteorológico 

Outra possibilidade didática indicada por Diego Corrêa e Ana Cláudia Nogueira é usar as imagens de satélite meteorológico para ensinar os conceitos de massas de ar, frentes e sua relação com as chuvas no território brasileiro. 

Para isso, os educadores indicam separar imagens de satélite meteorológico e mapas climáticos do Brasil do mesmo dia e horário. Isso possibilita aos alunos correlacionarem a dinâmica atmosférica com o comportamento dos elementos climáticos.

O professor também pode ensiná-los a lerem a parte superior da imagem de satélite meteorológico, que contém informações sobre a origem da imagem, o satélite responsável pela captação, a área registrada e a data e o horário em que a imagem foi captada. 

Depois, pode-se abordar as cores usadas para retratar as nuvens. Geralmente, as nuvens espessas são retratadas brancas e, as finas, acinzentadas. 

Para completar,  também é possível analisar as massas e frentes presentes na imagem, e correlacionar as imagens aos mapas de elementos climáticos do território brasileiro. 

3) Reportagens sobre climas

O professor Diego Corrêa sugere comparar junto aos alunos reportagens sobre climas de jornais de diferentes cidades do país. 

Além dos conceitos de clima, meteorologia e eventos climáticos, também pode-se discutir se a natureza é colocada como a grande vilã nas matérias sobre o impacto das chuvas nas cidades. 

“Os alunos chegaram à conclusão que os problemas ligados ao tempo atmosférico são consequências da intervenção do homem no ambiente e não, como é dito com recorrência pela mídia, revolta da natureza”, compartilha.

4) Tabela de observação diária do tempo

Diego Corrêa Maia e os professores Sandro Fraga e Anderson Hebling relatam em artigo o uso da atividade “Como está o tempo hoje?”. Nela, alunos do ensino médio receberam uma tabela de observação diária para relatar elementos do clima e seus níveis de intensidade durante um mês. Para as observações, foram estipulados dois horários: no período da manhã e da tarde. 

Segundo os autores, o objetivo foi despertar nos alunos a capacidade de observar e interpretar, através dos sentidos, o funcionamento dinâmico da atmosfera e sua interação com o seu cotidiano.

5) Criar estação meteorológica caseira

Melo sugere confeccionar barômetro, anemômetro e pluviômetro com os alunos a partir de materiais recicláveis. “São elementos usados em estações meteorológicas e ajudam a deixar conhecimentos que são técnicos mais interessantes aos alunos”, descreve. 

O barômetro é um elemento meteorológico que mede a pressão atmosférica. Pode ser criado com materiais como frascos de maionese, bexiga, canudo, barbante e caixa de sapato. “Quando ele abaixava podíamos afirmar que o tempo estava ruim e vice-versa. Os alunos ficam atentos para verem as modificações”. 

O anemômetro mede a velocidade dos ventos e pode ser criado com lápis borracha, tiras de papelão, pregos e tachinhas. “Depois, expliquei como são criados as tempestades e furacões, colocando o vento em uma escala de velocidade”.

Por sua vez, o pluviômetro é um instrumento utilizado para medir a quantidade de precipitação da chuva  que cai em determinada área durante um período específico. Ele pode ser produzido com garrafa pet.

“É ainda possível adicionar nesta estação meteorológica caseira um ‘galinho do tempo’, que muda de coloração conforme as condições climáticas, e termômetro para ambientes”, completa o professor. 

6) Filme Percy Kackson: O ladrão de raios

Em sequência didática, a professora da rede municipal de São João Nepomuceno (MG) Monique Cristine de Britto utilizou o filme Percy Jackson: O ladrão de raios com estudantes do 6º ano do ensino fundamenta. A produção narra a jornada de Percy Jackson, um adolescente aparentemente comum que descobre ser um semideus, filho de Poseidon. Quando o raio de Zeus é roubado, ele se torna o principal suspeito e embarca em uma missão para provar sua inocência.

“A partir do filme, foi possível levantar curiosidades sobre como se formam os raios, expressões populares que falam de raios e trovões,  e problematizar um momento específico do filme em que Percy ‘segura’ um raio. Discutimos porque isso é impossível”, compartilha Britto. 

“O filme também ajuda a abordar as primeiras noções de tempo e da mística de elementos da natureza endeusados, que pode ser associada também a mitologias de outras culturas, como os orixás”, acrescenta. 

7) Canções populares 

Os professores Marinalva Nascimento, Zuleick Lima e Jorge Ataides Junior relatam uma atividade com estudantes de 1º ano do ensino médio  da  Escola  Estadual  Juscelino  Kubitschek  de  Oliveira,  em  Nova  Xavantina (MT), na qual associaram o conteúdo de climatologia escolar com as letras das músicas. As canções escolhidas foram as de Luiz Gonzaga “Asa branca”, “Xote ecológico” e “A triste partida”; “Planeta azul”, de Chitãozinho e Xororó; e “Mastigando água” de Enrique Valcânia.

“Elas permitiram ao aluno estabelecer relações entre os fenômenos climáticos  e  meteorológicos  e  sua  influência  na  organização  do  espaço  geográfico,  bem  como  correlacionar  os assuntos do clima com seu cotidiano”, relatam.

“Foi possível construir sentidos sobre as características climáticas presentes em cada música e as influências no solo e na vegetação, conforme o retrato de cada região, visto que em uma das atividades propostas há uma comparação das influências climáticas no Nordeste e no Centro Oeste”, destacam. 

O ensino sobre semiárido brasileiro, porém, deve evitar estereótipos vinculados à seca.

 Veja mais: 

Como trabalhar as mudanças climáticas de forma interdisciplinar?

Livros didáticos abordam mudanças climáticas de forma deficitária, acredita pesquisadora

Educação climática é forma de tratar desenvolvimento sustentável nas escolas

Plano de aula – Os domínios morfoclimáticos do Brasil

Plano de aula – Mudanças climáticas: para entender e informar

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