A Claro aderiu ao Pacto Global, chamada da Organização das Nações Unidas (ONU) para que empresas alinhem suas estratégias a dez princípios universais nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e anticorrupção. Hoje, o pacto é a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo.
Com a assinatura, a Claro assume, junto a empresas de 160 países, o compromisso de contribuir para o alcance dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), dentro da chamada Agenda 2030 — um plano de ação aprovado em 2015, com 169 metas para erradicar a pobreza e promover vida digna para todos dentro de um modelo sustentável. Na entrevista abaixo, a diretora da Pacto Global Brasil, Helen Pedroso, explica um pouco sobre a iniciativa e seus desafios, além de refletir sobre o que significa ter a Claro nesse esforço.

Instituto Claro: O que significa o Pacto Global?

Helen Pedroso: De uma maneira mais simples, temos falado internamente que somos um movimento global de stakeholders [partes interessadas] sustentáveis e que estamos unidos para mudar e gerar impacto no mundo que queremos. Estamos juntos pela Agenda 2030 e sem deixar ninguém para trás. Acho que essa é uma forma mais leve de explicar o que a gente faz, mas também podemos trazer alguns dados. O pacto está presente em 160 países. São 13 mil empresas no mundo todo. Temos 70 redes empresariais no Brasil, no pacto local. Estamos com mais de 1,3 mil membros e somos a segunda maior rede do mundo e a que mais cresceu no ano passado.

Ajudamos as organizações a definirem quais são os seus ODSs prioritários, a pensar na melhor forma de conduzir uma ambição, de definir um objetivo para essa Agenda 2030, com metas baseadas na ciência. Estamos nessa jornada junto com a empresa. Agora, estamos com um trabalho focado para os CEOs [diretores executivos]. Temos um trabalho de rede, que gera a oportunidade de as empresas também trocarem entre si, tanto setorialmente quanto nos ambientes de treinamento. Trazemos metodologias de Nova York (EUA), mas muita coisa adaptamos para o contexto das empresas brasileiras.

Como as empresas influenciam esse processo de mudança global?

Pedroso: Uma pesquisa de 2021, da Global Impact, diz que 55% dos clientes veem os CEOs como influenciadores. E 18% a 31% dos investidores os veem como os melhores influenciadores nas questões de ESG  [Environmental, social and governance — Ambiental, social e governança, em português). Então, vemos que os CEOs têm que se posicionar sobre esses temas. Há uma questão de cadeia de valor ligada à quantidade de consumidores que as empresas atingem e quando elas fazem uma comunicação, elas impactam muitas pessoas. Acho que uma grande empresa tem poder de modificar cada um dos stakeholders. Então, uma ação que ela faça acaba sendo uma mudança em um processo, uma alteração na jornada de uma série de pessoas, que muda comportamentos, muda processos, muda produtos. E isso muda a cara da nossa sociedade.

O papel do líder, do CEO, nesse cenário, é chave e eles sentem essa responsabilidade. Não dá para olhar para o mercado financeiro e não ter a visão de que até 2025, 57% dos ativos dos fundos mútuos da Europa vão usar critérios de ESG. São trilhões de dólares que serão avaliados de acordo com essas características.

Qual a importância de a Claro assinar o Pacto? O que muda na prática?

Pedroso: A partir de agora, oferecemos uma série de ferramentas para a Claro, para acelerar o seu processo —que já está sendo super bem feito pelo comitê de sustentabilidade — para atender a essa Agenda 2030, trabalhando, de fato, com os ODSs e definindo exatamente como podemos melhorar e chegar mais rápido na meta. Para isso, vamos ter jornadas não só para as equipes mas também para CEO e CFO [diretor financeiro]. E teremos oportunidade de envolver a juventude. Líderes jovens são ferramentas. Em eventos e troca, todos eles juntos vão garantir uma alavancagem nessa agenda. Na prática, acho que é isto que vai acontecer: vamos ver uma aceleração desse processo que já começou há alguns anos dentro da empresa.

Poderia contextualizar a importância do Pacto Global nesse momento que estamos vivendo no mundo?

Pedroso: Temos uma pesquisa feita no ano passado globalmente pela ONU que traz alguns dados sobre a covid-19 e mostram como a pandemia aumentou o nosso desafio e ao mesmo tempo trouxe maior importância para o nosso trabalho. São 500 milhões de empregos em tempo integral que foram perdidos no mundo até meados de 2020. Falando de direitos humanos, a violência doméstica contra mulheres aumentou em 30%. Pensando em diminuição de desigualdade e pobreza, 4% do PIB foi afetado, especialmente para países em desenvolvimento, como o Brasil. Além disso, 71 milhões de pessoas foram empurradas de volta para a pobreza extrema durante a pandemia de covid-19. Isso mostra que ainda estamos longe da Agenda 2030. Estamos 62 anos atrasados em relação ao índice que estima progresso social. Então, a gente tem muito trabalho a fazer. A Agenda 2030 traz uma missão e faltam apenas nove anos. É urgente! E, para quem ainda não tinha noção do tamanho do desafio, acho que a covid-19 colocou as cartas na mesa e sentimos na pele essa fragilidade. Ao mesmo tempo, vimos que juntos temos capacidade de fazer mais e teve um outro lado interessante também nesse processo.

Criou-se um senso de urgência maior e o Pacto é sobre isso. Ele foi criado, em 2000, justamente com esse propósito de trazer as grandes organizações para serem protagonistas nesse processo. Elas têm esse poder catalisador de falar sobre qualquer tema e fazer modificações na sua cadeia de valores e isso fala em pequenas e médias empresas, mesmo as pequenininhas, que não têm fôlego para ter uma área de sustentabilidade. Mas quando você coloca em um contrato e traz diretrizes para os fornecedores, você modifica uma cadeia. A mudança de um processo de operação não é apenas interna. Ela vai em um processo em cadeia até o consumidor.

Helen Pedroso
Helen Pedroso é diretora da Pacto Global Brasil (crédito: divulgação)

Existem oportunidades para um futuro período pós-pandemia? Quais?

Pedroso: Acho que já estamos vendo isso em muitas oportunidades de inovação em várias empresas. Ao mesmo tempo em que se trabalha com tecnologia, ficou evidente a importância da conexão humana. Eu acho que o relacionamento com as comunidades onde as empresas atuam passa por um processo de aprendizagem, de conexão. A gente vai, sim, usar tecnologia e inovação, mas vai voltar de forma responsável e sustentável. É papel do pacto impulsionar e ajudar as empresas a fazerem esse processo como protagonistas e como líderes. E tem esse senso de urgência, do qual já falamos. Urgência para problemas sociais e para problemas climáticos. Fomos forçados, enquanto Humanidade, a parar e refletir. E vamos usar tudo que se aprendeu de ciência e tecnologia para conectar e para aprender e conseguir fazer um mundo mais sustentável e melhor para as próximas gerações.

Veja mais:

Conheça os projetos da Claro e do Instituto Claro na área de sustentabilidade

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