A aprendizagem significativa é aquela que se relaciona com os conhecimentos prévios e com as experiências de vida que o aluno traz consigo. A origem desse conceito está na Teoria de Aprendizagem Significativa (TAS) do psicólogo da educação estadunidense David Ausubel (1918-2008). Para ele, a associação dessas novas informações com as já existentes ajudaria o aluno a elaborar e depois incorporar um novo repertório à sua estrutura cognitiva.

Para que professores da educação básica brasileiros pudessem aplicar as descobertas de Ausubel no seu dia a dia profissional, o professor de física emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufgrs), Marco Antonio Moreira, elaborou as chamadas Unidades de Estudo Potencialmente Significativas (UEPS). Os conhecimentos de Ausubel foram sistematizados em oito passos que podem ser utilizados no ensino de qualquer área do conhecimento.

Leia também: 7 dicas para facilitar a aprendizagem significativa

Em entrevista, o diretor do Instituto de Ciências Exatas e Geociências da Universidade de Passo Fundo (UPF), Luiz Marcelo Darroz, esclarece como as UEPS podem ser utilizadas por professores do ensino fundamental e médio de forma simples e prática. Confira!

Instituto Claro: O que são as Unidades de Ensino Potencialmente Significativas (UEPS)?

Luiz Marcelo Darroz: São estruturas metodológicas, organizadas de acordo com a Teoria de Aprendizagem Significativa do psicólogo da educação estadunidense David Ausubel (1918-2008). Ela apresenta oito passos, momentos e situações que levam o estudante à aprendizagem significativa. A proposta que fundamenta a UEPS é que o novo conceito interage de maneira substantiva e não literal com uma parte da estrutura cognitiva. Ele se ancora nos conhecimentos chamados subsunçores, ou seja, já adquiridos pelo estudante e contidos em sua estrutura cognitiva. Para Ausubel, a aprendizagem significativa ocorre quando há relação entre este novo conhecimento e aquilo que o estudante já sabe.

Qual o objetivo da UEPS?

Darroz: A UEPS é um sistema que propõe condições para que a interação dos novos conhecimentos com os subsunçores ocorra. Basicamente, ajuda o aluno a perceber a relação do que está estudando na aula com o seu cotidiano, dando significado ao estudo e possibilitando que ele leve tais conhecimentos para outros contextos de sua vida.

Quais são os benefícios para os alunos?

Darroz: O nosso contexto social atual exige do cidadão análise crítica e reflexões. Quando o estudante conhece os conteúdos estudados nos bancos escolares e percebe que eles podem ser usados no seu dia a dia, é possível que tome futuramente decisões mais reflexivas, conscientes e subsidiadas por conhecimentos científicos.

Quais princípios norteiam a UEPS?

Darroz: São basicamente os mesmos que norteiam a aprendizagem significativa, ou seja, perpassam a ideia de que o fator mais importante é o que o estudante já sabe e que o novo conceito deve se ancorar naqueles já adquiridos. É o princípio do conhecimento prévio: quanto mais se sabe, mais se aprende significativamente. Pensamentos, sentimento e ações são integrados no que se aprende. Também ajudam o aluno a perceber onde esse conhecimento se encontra, partindo do plano mais simples, amplo e geral, para o mais específico, atingindo níveis crescentes de complexidade.

Quais são os oito passos para aplicar a UEPS em uma sequência didática?

Darroz: O primeiro passo é definir o tópico abordado, o que eu quero e preciso ensinar. O segundo é propor ou criar situações nas quais o aluno possa externalizar o seu conhecimento prévio, como situação-problema, discussão, questionário, mapa mental etc.

O terceiro é propor uma situação-problema introdutória, considerando o que o professor identificou que o aluno já sabe. É preparar o terreno pra aquilo que vai ser ensinado. Você envolve o tópico sem começar ainda a ensinar. Tais situações-problema são um organizador prévio e darão sentido aos novos conhecimentos, ligarão o que o estudante sabe com o que se pretende ensinar.

Após trabalhada situações inicias, o quarto passo requer que o educador apresente o conhecimento a ser ensinado do amplo e geral seguindo para exemplos mais específicos — a chamada diferenciação progressiva. Ou seja, apresente os conceitos mais altos em nível de hierarquização e, depois, os demais. Ainda que seja por exposição oral, é fundamental a participação colaborativa dos estudantes, discutindo em pequenos grupos.

O quinto passo é retomar aspectos mais gerais e fazer uma nova apresentação, explorando a complexidade do assunto. Dê novos exemplos, destaque diferenças e semelhanças e como um conceito se relaciona com outro. Como o geral e o específico se relacionam, promovendo a chamada reconciliação integradora.

No sexto passo, começa-se a concluir a unidade. Retome conceitos gerais e relevantes novamente de perspectiva integradora. Não importa a estratégia — se via leitura de um texto, de um vídeo, etc. — mas trabalhe de modo que os alunos percebam como o conceito visto se relaciona com os outros.

O sétimo passo é a avaliação da aprendizagem, que ocorre pela observação de todo o processo. Porém, aqui, o professor pode perceber indícios de aprendizagem significativa, ou seja, quando o estudante consegue aplicar o que estudou em contextos diferentes do visto em aula. Questões e situações-problema podem ajudar nisso. Por fim, o oitavo passo é quando avaliamos a UEPS como um todo. Assim, analisamos se os alunos conseguiram transpor os conceitos aprendidos.

Para saber mais sobre os passos da UEPS, confira o artigo “Unidades de Ensino Potencialmente Significativas – UEPS”, de Marco Antonio Moreira.

Veja mais:

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