Eletroquímica e educação ambiental são temas que se relacionam e podem ser trabalhados em conjunto no ensino médio. Como o conteúdo previsto para os alunos inclui o funcionamento de pilhas e baterias, o correto descarte desses dispositivos eletrônicos também faz parte da lição.

“Não posso descartar uma pilha que tirei do controle remoto da minha TV porque dentro daquela cápsula tem metais pesados que podem vazar e contaminar o solo”, justifica a mestra profissional em Química pela Universidade Federal Fluminense (UFF) Monique Capobiango Martins.

Em seu trabalho com turmas do 1º ao 3º ano do ensino médio, Martins observou como os estudantes trocavam de celulares rapidamente, e o descarte das baterias dos aparelhos foi o que impulsionou a ideia do projeto.
“Fiz um questionário simples e com perguntas diretas, como: ‘vocês sabem como funciona uma pilha, quais metais estão presentes e onde descartam depois que as utilizam?’. Perguntas do cotidiano para introduzir o conteúdo de eletroquímica”, revela.

Os 4R’s

Para iniciar o debate, Martins sugeriu aos alunos a leitura de uma reportagem sobre a contaminação do Rio Paraopeba por metais pesados. Em seguida, ela promoveu uma roda de conversa para debater com a turma se os metais citados no texto estavam presentes em pilhas e baterias de celulares que eles utilizavam. Além disso, foram abordados os impactos ambientais que o descarte inapropriado pode causar e quais são as legislações do governo brasileiro que contemplam esses casos.

Segundo a professora, após esse primeiro momento, foi mais fácil abordar os conteúdos da disciplina, como o conceito de metais pesados e reações de oxirredução; o conceito de pilhas; corrosão e metal de sacrifício; e tipos de pilhas e baterias.

“A química passou a fazer sentido para os estudantes, que compreenderam a relação de transferência de elétrons: um metal perde e outra ganha elétrons no processo de oxirredução”, analisa.

Outros pontos destacados com os alunos foram os chamados 4R’s – reduzir, reutilizar, reciclar e repensar – e a a logística reversa, processo em que os resíduos são devolvidos para reaproveitamento.

“É importante que todos tenham conhecimento que a empresa tem responsabilidade no descarte do seu produto, quando esse produto contém algum material que pode causar danos ao meio ambiente. A escola é onde absorvemos esses conhecimentos e os repassamos para quem nos rodeia. É a melhor forma de divulgar esse tipo de informação”, defende ela, que lamenta a baixa presença de postos de coleta de materiais eletrônicos em algumas regiões.

Já a política dos 4R’s foi usada como pretexto para discutir o consumismo que os levava a trocar de aparelhos telefônicos com frequência. “Lançamos a questão: é realmente necessário trocar o celular que está funcionando e te atendendo bem?”, provocou a docente.

Eletroquímica na roleta

Para revisar o conteúdo, Martins desenvolveu um jogo de perguntas e respostas chamado “Eletroquímica na roleta”, que compartilha em sua dissertação de mestrado profissional.

“Para ficar mais dinâmico, dividi a turma em dois grupos, e um representante de cada grupo ficava na frente do quadro e girava a roleta na sua vez. Quando o ponteiro parava e o tema era revelado, era escolhido um card que continha a pergunta. O representante tinha um tempo para se reunir com seu grupo para responderem a questão que, se correta, era pontuada”, conta.

Para concluir a sequência didática, os alunos foram convidados a criarem uma campanha de conscientização para a comunidade escolar.

“Eles confeccionaram cartazes, que espalharam pela escola, e palestraram para outras turmas. Também construíram recipientes para o descarte de pilhas e baterias. Os alunos trouxeram esses eletrônicos de suas residências para que nós descartássemos em locais apropriados”, lembra.

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Educação ambiental decolonial: o que é e como trazê-la para a escola?

Como trabalhar racismo ambiental e justiça ambiental na escola?

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Palavras-cruzadas e caça-palavras ajudam a ensinar conteúdos de química de forma lúdica

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