O ensino interdisciplinar de educação ambiental e matemática possibilita que estudantes conectem conteúdos curriculares com o seu dia a dia, valorizando os conhecimentos prévios trazidos à escola. É o que explica a doutora em educação matemática e professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Ana Carolina Faustino.

“O processo de ensino e aprendizagem parte do lugar em que a criança está e suas relações. A matemática passa a funcionar como uma referência, uma nova ferramenta para interpretar como sua comunidade interage com o meio ambiente”, acrescenta.

Em sua tese de doutorado, ela narrou um projeto no qual alunos do 5º ano do ensino fundamental de uma escola pública do interior de São Paulo (SP) usaram conceitos matemáticos para interpretar o consumo de água. “Trabalhei grandezas e medidas, abordando massa; capacidade e volume; transformação de unidades, como litro em mililitro; entre outros”, lista.

Ainda é possível ensinar álgebra, com destaque para porcentagem; grandezas diretamente e inversamente proporcionais; razão e proporção.

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“Na unidade temática ‘números’, pode-se ensinar divisibilidade e magnitude numérica. Já em probabilidade e estatística, é possível destacar coleta, análise e organização de dados em gráficos e tabelas”, acrescenta.

Já no campo da educação ambiental, as discussões abordaram poluição, utilização da água, fauna aquática e tempo de decomposição de diferentes materiais.

Água no cotidiano

A sequência didática desenvolvida por Faustino teve três momentos. Primeiramente, os alunos assistiram a um vídeo sobre o Rio Tietê e discutiram as relações entre a poluição do local e a matemática.

“Analisaram qual era a população nos trechos em que o rio nasce, onde está poluído e em que a população vive de atividades relacionadas aos seus recursos”, relata.

Na sequência, planejaram e propuseram ações para as problemáticas que surgiram. Por fim, elaboraram um vídeo sobre consumo de água.

“Um dos grupos trouxe cenas dos estudantes utilizando o recurso em tarefas diárias com a quantidade utilizada em cada atividade. Outro elaborou um tutorial de consumo sustentável”, exemplifica.

Economizando papel 

Professoras da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Claudia Lisete Oliveira Groenwald e Carmen Kaiber da Silva desenvolveram com alunos do 5º ano uma sequência didática sobre o consumo de papel na escola.

O projeto foi inspirado em uma iniciativa do docente da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Milton Rosa.

Nele, estudantes do ensino fundamental de uma escola municipal de Canoas (RS) monitoram a quantidade de papel desperdiçada diariamente para analisar os dados coletados e representá-los graficamente.

“Eles organizaram o material que era jogado no lixo em sacos plásticos, classificando-os por data e turma. Representaram graficamente os achados e finalizaram com uma campanha de sensibilização de não desperdício desse recurso para toda a escola”, conta Groenwald.

No currículo de matemática, a proposta possibilitou ensinar de forma contextualizada estatística, função, operações, razão e proporção. Em educação ambiental, o debate sobre consumo exacerbado de recursos naturais avançou para sua relação com o aquecimento global.

Agentes do saber

Segundo Faustino e Groenwald, ambas as atividades que relacionaram a matemática com o consumo de recursos podem ser adaptadas a outras séries e etapas de ensino.

Para professores da educação básica que desejam se inspirar nos projetos, Faustino indica prestar atenção na matemática que aparece nas reportagens da mídia e nas ações do cotidiano.

“As crianças devem ser ouvidas na escolha da temática. Para desencadear a discussão, utilize inicialmente um filme, história ou reportagem”, aconselha.

Groenwald considera importante que os alunos apresentem suas reflexões e resultados obtidos para a comunidade escolar ao final do processo. “Assim, tornam-se agentes do seu aprender”, finaliza.

Crédito da imagem: smolaw11 – iStock

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