A geografia física se dedica ao estudo dos elementos físicos da paisagem, como relevo, solo, vegetação, hidrografia e clima.

“Falar de geografia física é falar do dia e da noite, das mudanças climáticas, das catástrofes ambientais, entre outros. Ela está relacionada aos fenômenos que vivemos, sentimos e que são impossíveis de ignorar”, resume o professor de geografia da Escola Estadual Francisca Elisa da Silva, de Piracicaba (SP), Rhaian de Souza.

O uso de filmes é indicado para ensinar esse conteúdo geralmente estudado no 6º ano do ensino fundamental e no 1º ano do ensino médio.

“Trata-se de um conteúdo tangível que o aluno consegue visualizar com maior facilidade por meio do audiovisual”, compara o doutorando e pesquisador do ensino de geografia por meio da linguagem cinematográfica na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Daniel Moreira.

“Os filmes, porém, são usados nas aulas de geografia como recurso imagético e ilustrativo, como se substituíssem a foto do livro didático. Por exemplo, ao ensinar sobre o deserto do Saara, mostro um trecho de documentário sobre ele. Porém, filmes e documentários têm potencial para além disso, podendo promover discussões aprofundadas”, acrescenta Moreira.

Para o pesquisador, é importante lembrar aos alunos que o filme, mesmo ao retratar a geografia física, não é um retrato da realidade, mas um recorte artístico. “Ver o Pão de Açúcar na televisão será diferente da experiência de visitá-lo”, diferencia.

Componentes naturais

Para o professor que irá usar filmes para ensinar geografia física, Moreira atenta para o debate sobre o próprio conceito de geografia física que, apesar de ainda usado, é questionado pela academia.

“É uma discussão complexa porque não conseguimos mais separar a ação do homem da natureza na geografia física”, explica.

“Por exemplo, um fenômeno como o El Niño ou um relevo, em si, não são assuntos da geografia, mas sim como eles afetam a espacialidade. Porém, esse espaço também sofre com ações humanas, motivo pelo qual é difícil diferenciar o que é meramente físico e o que não é”, analisa Moreira, que explica que o termo tem disso sido substituído por “componentes naturais”.

Conheça, a seguir, seis filmes que ajudam a trabalhar conceitos da geografia física e componentes naturais nos ensinos fundamental II e médio. 

“Wall-e” (2008)

Após devastar e poluir a Terra e a atmosfera, a humanidade se mudou para uma enorme nave espacial e deixou robôs para limpar o planeta. Wall-E é o último dessas máquinas e trabalha compactando lixo. “Essa animação ajuda a trabalhar todos componentes naturais, enfocando como o homem olha o rio, o relevo, as rochas e etc. de forma predatória, como algo que pode ser retirado e esgotado. Quando o recurso se exaure, ele parte para outro lugar [e] recomeçar esse ciclo”, indica Moreira.  Classificação indicativa: livre para todas as idades.

“Perdido em marte” (2015)

Um astronauta enviado para uma missão a Marte é abandonado nesse planeta inóspito após uma tempestade. “É possível comparar componentes naturais da Marte retratada no filme com os da Terra, como vegetação, relevo, gravidade e água”, sugere Moreira. Classificação indicativa:  12 anos.

“Não olhe para cima” (2021)

Dois astrônomos descobrem um cometa mortal vindo em direção à Terra e tentam alertar a humanidade. “Indicado para os anos finais do ensino médio, é possível lembrar conceitos aprendidos no 6º ano do ensino fundamental relacionados a corpos celestes, atmosfera, cometas, planetas etc.”, orienta Souza.

 “Porém, para além da astronomia, também é possível abordar o negacionismo e sua relação com a atual crise climática, possibilitando ao aluno não somente compreender um conteúdo, mas desenvolver senso crítico”, opina Souza. Classificação indicativa: 16 anos.

“Pureza” (2022) 

O filme narra a história real de Pureza Lopes Loyola, uma mãe solo do Maranhão cujo filho desaparece após buscar trabalho em um garimpo. Ela inicia uma jornada para encontrá-lo e acaba descobrindo uma fazenda que explora trabalhadores e destrói a floresta.

“Fala da destruição de recursos naturais, a contaminação do solo e da água e a consequência para fauna, flora e para a saúde humana, promovendo também um diálogo com a  biologia. Aborda o bioma da Amazônia e seu desmatamento, com a substituição da vegetação natural para a criação de gado”, narra Souza. Classificação indicativa: 14 anos.

“Fantasia” (1940)

Essa animação clássica da Disney integra desenho com obras da música clássica, com destaque para uma sequência que remonta à formação da Terra. “A partir dela, é possível trabalhar as eras geológicas”, sugere Moreira. “A animação é lúdica e retrata que a Terra, há 4,5 bilhões de anos, era uma bola de fogo que vai esfriando”, completa. Classificação indicativa: livre para todas as idades. 

“Belo Monte, anúncio de uma guerra” (2012)

Este documentário explora o impacto da barragem de Belo Monte no rio Xingu pelo ponto de vista dos indígenas. A construção da usina deslocou milhares de pessoas, causando danos ecológicos e sociais.

“Explica os componentes espaciais que fizeram Belo Monte ser instalada no Xingu, o processo de transposição do rio e como ele desconsiderou questões ambientais”, indica Moreira.  Classificação indicativa: 10 anos.

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