A escola, que hoje recebe alunos das gerações A (0 a 5 anos) e Z (6 a 17 anos), deve abandonar o ensino baseado na memorização. Essa é a opinião da especialista em inovação no mercado brasileiro, Beia Carvalho. “Tudo o que tiver a ver com decorar não terá mais sentido. A escola precisa ensinar as pessoas a pensarem e a serem críticas”, afirma. Confira a entrevista para o NET Educação na íntegra abaixo.
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NET Educação – As gerações possuem modos diferentes de aprender?
Beia carvalho – A geração Y (18 a 35 anos) foi a primeiras geração não linear. A geração X (36 a 50 anos) e todas as anteriores vivem e pensam o mundo de forma linear. Atualmente, já temos nas escolas a geração A e Z, que não são hierárquicas e vivem na simultaneidade. Hoje, o que se ensina são coisas que, se o aluno apertar um botão, pode saber. O jeito que se aprende é diferente e muita coisa passou a ser irrelevante. A tecnologia oferece mais informação do que o professor põe na lousa.
NET Educação – O que a escola do século 21 deve ensinar, então?
Beia Carvalho – Tudo o que tiver a ver com decorar, com memorização, não terá mais sentido. A escola precisa ensinar as pessoas a pensarem e a serem críticas. É isso que o mundo necessita. A escola tem um papel importante, porque ela precisa preparar hoje aquele que será adulto no futuro.
NET Educação – As escolas estão prontas para as novas tecnologias?
Beia Carvalho – As escolas estão passando por um movimento que as empresas já passaram, que é o de comprar tecnologia e achar que isso, por si só, vai resolver. É preciso entender o que se pode fazer com essa tecnologia. Se você não souber o que fazer com ela, não tiver profissionais preparados, ela de nada vai adiantar.
NET Educação – A escola de hoje está conseguindo preparar as novas gerações para o futuro?
Beia Carvalho – Penso que, no futuro, tudo o que for passível de ser automatizado e robotizado, será. As tarefas rotineiras serão realizadas e intermediadas por tecnologia. Em poucos anos, muitas das profissões que conhecemos podem estar extintas. Temo que a educação ainda esteja preparando os jovens para essa realidade, para não serem relevantes, enquanto deveria estar debruçada no futuro.
NET Educação – E qual o papel dos pais nesse contexto, que são das gerações babyboomer (50 a 68 anos), X e Y?
Beia Carvalho – Os pais também estão no passado e são pouco flexíveis para inovações. Eles estão preocupados se os filhos vão passar no vestibular e cobram isso dos professores. Querem que eles tenham exatamente aquele conteúdo para serem aprovados. Essa postura pode travar a inovação. Precisamos tentar novas alternativas, experimentar, mesmo sem garantias de que vai dar certo. Melhor experimentar do que decorar a tabuada.
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