Celso dos Santos na palestra “É possível imaginar a escola do futuro com
a escola que temos nos dias atuais?”(Crédito: Leonardo Valle)
 
 
“O futuro da escola está em disputa, pois a realidade é contraditória. De um lado, temos elementos que apontam para uma perspectiva progressista. Por outro lado, encontramos retrocessos”, disse o educador Celso dos Santos Vasconcellos na abertura da palestra “É possível imaginar a escola do futuro com a escola que temos nos dias atuais?”, na Bett Brasil Educar 2015. Como exemplo de retrocesso, Vasconcellos relembrou o caso de uma criança de oito anos que foi responsabilizada por sua não aprendizagem, ocorrido em São Paulo (SP).
 
Para imaginar a escola do futuro, o pesquisador apontou a superação de alguns fatores atuais que operam contra os professores, como desmonte material e simbólico da escola, disciplinas instrucionistas, avaliação excludente, formação frágil do professor e desigualdade social. “Chama a atenção a discrepância entre a educação no Brasil e na Finlândia, mas se esquecem que a Finlândia um dos países do mundo com menor desigualdade social. Portanto, lá a educação pode ser só educação e a avaliação só avaliação. Aqui, a educação escolar cumpra um papel de convencimento ideológico das pessoas de sua desvalia, porque caso contrário este sistema explode”, opinou.  
 
Imprinting escolar
Sobre a formação dos professores, Vasconcellos defendeu uma graduação similar ao curso de medicina, com oito anos de duração. “No conceito de imprinting, os filhotes de ganso passam a seguir a primeira criatura grande que se mova. Pois há um ‘imprinting escolar’: o professor entra na graduação – principalmente nos cursos de exatas – e logo no primeiro ano começa a lecionar, pois acha que já sabe ensinar. Assim, reproduz o que aprendeu”, pontua.
 
A superação da avaliação classificatória e uma metodologia de ensino interdisciplinar também deverão ser uma realidade na escola do futuro. “Não trabalharemos com memorização mecânica, mas com construção do conhecimento. Para conhecer, o sujeito precisa querer, agir e se expressar. A nova metodologia vai contemplar essas três necessidades, com mobilização e expressão da síntese do conhecimento”, avaliou.
 
Por fim, Vasconcellos defendeu o aumento da participação das Artes e das Humanidades no processo de aprendizagem das próximas décadas. “Não estou falando de carga horária, porque, se Deus quiser, não termos mais carga horária. Estou dizendo que o tempo de vivencia aumentará, mas de outro jeito”, finalizou.
 
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