O ensino de teoria evolutiva nas aulas de biologia pode ser apoiado pela exibição e análise do videoclipe “Do the Evolution”, do grupo estadunidense de rock Pearl Jam. O vídeo apresenta uma animação sobre a evolução humana e questionamentos sobre o que é evoluir. “Como anunciado no próprio título da canção e do videoclipe, aquilo que vai ser tratado é a evolução biológica e aspectos do processo evolutivo. O videoclipe passa pela origem da vida, origem das espécies e origem da humanidade, fornecendo pontos de ancoragem para ilustração e discussão de conteúdos”, justifica o docente do Laboratório de Genética Marinha e Evolução da Universidade Federal Fluminense (UFF) Edson Pereira da Silva.

Ele e o professor das redes municipais do Rio de Janeiro e Duque de Caxias (RJ) Roberto Sobreira Pereira Filho são autores do artigo “Teoria evolutiva, mídia e rock’n’roll: uma análise do videoclipe Do the Evolution”. Silva recomenda a apresentação do clipe no ensino médio para discutir temas como origem da vida, origem das espécies e evolução humana. O docente também utiliza o material no ensino superior, com 4º e 5º períodos do curso de Ciências Biológicas, na disciplina de evolução.

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Analisando o clipe

‘Do the Evolution’ apresenta cenas com referência direta à evolução humana. O início do clipe mostra um pequeno primata que utiliza um graveto para se alimentar de formigas. Em seguida, um outro primata maior pisa neste primeiro e sorri triunfante para, então, ser acertado na nuca por um hominídeo. Este vai receber pedradas de homens atuais, que riem da situação.
“Os indivíduos apresentados como mais evoluídos subjugam os que não alcançaram essa condição: dominação e poder sobre os representados como menos evoluídos”, explica Silva no artigo. “Assim, o objetivo principal é discutir as noções equivocadas de evolução linear, evolução como progresso e a perspectiva antropocêntrica”, acrescenta Silva.

Outro ponto são as diferenças entre evolução biológica e evolução cultural. Em cena posterior, mostra-se a substituição de cavalos por tanques e a indústria de armas, pontuando que progresso científico e tecnológico podem também conduzir à guerra.“A noção de progresso apresentada tem uma conotação negativa”, analisa Silva. “O progresso (= evolução) nesse caso, está ligado às novidades científicas e tecnológicas, armas e equipamentos sofisticados”.

Já a teoria evolutiva resgata os estudos de Darwin sobre a evolução como um atributo da história da vida no planeta. Na década de 1930, outros cientistas (Sewall Wright, Ronald Fisher e John Haldane), incorporaram conhecimentos de genética ao pensamento de Darwin. A evolução foi entendida como a mudança da composição genética das populações, ao longo das gerações. Isso se dá pela ação de forças que produzem variação gênica (mutação e migração) e forças que alteram as proporções de variantes nas populações (seleção natural e deriva genética).

Para Silva, ao final das discussões, o aluno poderá identificar o processo evolutivo como ramificado.“Também poderá definir evolução como mudança, refutando a ideia de evolução como progresso. É importante desmistificar perspectivas antropocêntricas do processo evolutivo; discutir o conceito de teleologia em biologia e utilizar o conhecimento da teoria evolutiva para a avaliação crítica das suas apropriações feitas pela mídia, arte e divulgação cientifica”, conclui.

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