Associar a saga de Harry Potter a conteúdos de biologia deixa o processo de ensino e aprendizagem mais atrativo aos alunos segundo o professor e criador do canal de YouTube Biologia Mais Fernando Belan.

“Adolescentes apresentam dificuldades em fixar a atenção na aula por muito tempo. Quando falamos de Harry Potter, eles ficam curiosos em saber qual será a associação do livro ou do filme com o conteúdo da matéria. É diferente do que simplesmente apresentar o conteúdo para a turma”, opina.

“Trata-se de um universo lúdico e fantasioso e que geralmente os alunos já tiveram contato anteriormente, o que cria engajamento”, destaca a mestra em divulgação científica Thaís Sanches Santos.

Conheça seis formas de associar o universo do Harry Potter a diferentes conteúdos de biologia.

Genética: genes e características hereditárias

O vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 2006 explorou o tema de genes e características hereditárias trazendo o fato de os personagens Rony, Neville e Draco serem bruxos, filhos de pais bruxos (aa + aa = aa). Já Hermione é bruxa, mas filha de “trouxas”, ou seja, de não bruxos (Aa + Aa = aa). Assim, o gene para ser bruxo é recessivo.

“Na saga, quando Draco se refere a Hemione como sendo uma bruxa impura por ter pais trouxas, ele está cometendo um equívoco genético. Ela é tão pura quanto ele”, comenta Belan.

Zoologia: tipos de respiração

No filme “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, numa cena em que os competidores mergulham para salvar os amigos, Harry come uma planta e cria brânquias, permitindo que ele respire embaixo d’água.

“A partir dessa cena, é possível abordar a diferença entre a respiração pulmonar, presente na maioria dos mamíferos e na qual se retira o oxigênio do ar, da respiração branquial. Nesta última, a água passa pela boca e brânquias do peixe, nas quais acontece a troca gasosa”, explica o professor.

Zoologia: diferenças entre peixes

Na mesma cena de “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, o competidor Viktor consegue criar uma cabeça de tubarão por meio de um feitiço. “Pode-se explorar que o tubarão é uma espécie de peixe pertencente ao grupo dos condrictes, cujo esqueleto é majoritariamente composto por cartilagem. Além disso, ele é carnívoro e um predador, algo que não se aplica a todos os membros desse grupo de animais”, acrescenta Belan.

Zoologia: características dos animais

“Animais Fantásticos e Onde Habitam” é uma franquia com três filmes já lançados, vinculada ao universo de Harry Potter. Ela explora criaturas mágicas que habitam o mundo dos bruxinhos.

A partir desse conteúdo, Thaís Sanches Santos criou a exposição virtual Zoologia Fantástica para o ensino de zoologia.

“Os alunos vão a Hogwarts para aprender disciplinas relacionadas ao mundo bruxo, entre elas, a ‘mazologia’, que é o estudo dos seres mágicos. Esses, por sua vez, possuem características semelhantes aos animais do nosso mundo ‘trouxa’. O objetivo da exposição é fazer analogias entre eles, o que permite trabalhar a zoologia de forma concreta”, justifica.

Além da exposição, o site traz quatro sugestões de atividades para todas as etapas da educação básica com foco no ensino de zoologia. Na atividade “Maleta Mágica”, o professor pode trazer fichas para os alunos preencherem e compararem as características dos animais fantásticos e reais, como nome, classificação, habitat, características morfológicas, alimentação, entre outros.

Botânica: classificação das plantas

Na monografia “O fantástico mundo de Harry Potter e o ensino de biologia: elaboração de sequências didáticas” (2018), a professora de biologia Kariny Filgueira Ferreira de Sousa desenvolveu uma proposta pedagógica onde os alunos fizeram cards de RPG usando as plantas fictícias e outras reais que aparecem no livro de Harry Potter. A partir das espécies fictícias, ela indica ensinar a classificação de plantas e comparar com a diversidade da flora brasileira.

Além disso, o professor pode apresentar aos alunos um vídeo do Instituto Butantã, de São Paulo (SP), sobre a mandrágora, planta real que aparece no universo de Harry Potter.

Ecologia: relações predatórias e habitat

Em sua monografia, Sousa índica usar dois trechos de Harry Potter para ilustrar, respectivamente, relações predatórias e habitat.

Em “Harry Potter e a Câmara Secreta” (p. 205-206), Aragogue conta a Harry sobre o temor que sente do seu predador, o basilisco.

“[…] – A coisa que mora no castelo – disse Aragogue – é um bicho que nós, aranhas, tememos mais do que qualquer outro”.

Já no livro “Harry Potter e o Cálice de Fogo” (p. 363-364), um trecho descreve o animal fantástico aquático grindylow e seu hábitat.

“[…]Pequenos peixes passavam velozes por ele (Harry) como flechas prateadas. Uma ou duas vezes ele viu um vulto maior nadando mais adiante, mas quando se aproximou, descobriu que era apenas um grande tronco enegrecido ou uma moita densa de plantas. (…) Plantas verde-claras se estendiam à sua frente até onde sua vista podia alcançar, como um prado coberto de relva muito crescida. (…) Harry se virou e viu um grindylow, um pequeno demônio aquático de chifres, que saía do meio das plantas, seus dedos compridos apertando a perna de Harry, as presas pontiagudas à mostra”.

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Crédito da imagem: Warner Bros

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