O mapa mental é uma ferramenta criada pelo psicólogo britânico Tony Burzan que permite condensar e contextualizar um conceito utilizando textos, imagens, desenhos, setas e outros símbolos. Como resultado, ele facilita a aprendizagem e ajuda o aluno a fazer conexões entre o assunto estudado com outras áreas do conhecimento.

“Ele é um recurso potente de ensino e pode ser utilizado pelo professor em diferentes momentos de uma sequência didática. Com isso, facilita a compreensão e memorização do que está sendo ensinado”, destaca a mestra em Ciências e professora da rede estadual no município de Caçapava do Sul (RS) Elisangela Luz Costa. “Um benefício é que o mapa mental não trabalha o conteúdo por si só, mas ajuda a mostrar a sua complexidade em diálogo com outras informações. Assim, apresenta a visão ampla de um determinado conceito”, explica.

Exemplo de mapa mental usado em aula por Elisangela Luz Costa (crédito: acervo pessoal)

 

Além de ferramenta pedagógica, outra possibilidade é o uso do mapa metal como resumo de um conteúdo estudado ou como ferramenta de avaliação de aprendizagem. “Permite ao aluno resgatar e organizar os conhecimentos vistos, assim como expressar suas ideias de forma criativa”, justifica a professora.

A estrutura da técnica lembra a do chamado mapa conceitual, sendo que o segundo utiliza apenas palavras e frases. “Já o mapa mental permite o uso de diferentes recursos imagéticos, desde que eles enriqueçam o conceito que está sendo abordado”, diferencia Costa. Em comum, ambos apostam em ramificações para criar efeito imagético.

Aprendizagem visual

Para a diretora da Escola Superior de Educação do Centro Universitário Internacional Uninter, Dinamara Machado, o mapa mental ajuda a trabalhar conceitos por meio de recursos espaciais e visuais, estimulando a aprendizagem de alunos que, por ventura, apresentem dificuldades com aulas apenas expositivas. “O ato da docência requer reconhecer que nossos estudantes aprendem de diferentes formas, e alguns podem ter maior prevalência da inteligência espacial visual”, reforça.

“Dessa forma, [o docente] diminui barreiras de aprendizagem e lembra que a memória visual é igualmente importante para o ensino”, acrescenta Costa. Outro benefício é que o mapa mental abrange diferentes disciplinas e áreas de conhecimento. “Como técnica de registro da aprendizagem, pode ser utilizada para desde registro das decisões de uma reunião até representação de um conto”, exemplifica Machado.

Para completar, o mapa mental também se apresenta como uma ferramenta ativa de aprendizagem, incentivando o protagonismo do aluno. “Cada mapa mental é único. Se o mesmo estudante retornar ao assunto e desenvolver um novo mapa, ele terá novas representações, pois já houve um amadurecimento daquele tema”, pontua Machado.

Mapa mental utilizado pelos alunos de Elisangela Luz Costa (crédito: acervo pessoal)

O mapa mental também pode ser lido por partes. Dessa forma, ele permite que o leitor percorra um caminho individual. “Ao se deparar com um mapa mental, cada pessoa pode começar a lê-lo por uma área diferente: esquerda, direita, centro, parte inferior ou superior”, ressalta Elisangela Luz Costa.

Como aplicar?

Ela recomenda que o professor apresente o que é o mapa mental, com diferentes exemplos, antes de cobrá-lo em uma atividade ou avaliação. “Descreva o que é, o passo a passo de criação, quais recursos podem ser utilizados, entre outros”, ensina. O docente também pode começar a apresentar um conteúdo já com um mapa mental, para depois desenvolver os tópicos representados nas aulas seguintes. “É uma forma indireta de apresentar a técnica e aproximar os estudantes dela”, diz a professora.

Para ela, o principal desafio da aplicação do mapa mental em aula é envolver os alunos na atividade de modo que eles não recorram a cópias ou exemplos da internet. “Os alunos devem entender sua aplicabilidade e ter prazer em produzi-lo. Quanto mais engajados estiverem, melhor será a aprendizagem”, observa.

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