O teste é um instrumento que oferece um panorama sobre uma realidade vivida pelos alunos. “É como uma fotografia, que pode registrar tanto um momento inicial quanto final, logo após a aplicação de uma sequência didática”, resume a doutora em educação pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), Maria de Lourdes da Silva Neta.

Quando utilizado nesses dois momentos, e em conjunto, o pré-teste e o pós-teste ajudam o professor a trabalhar melhor um determinado conteúdo com a turma.

“O pré-teste averigua o conhecimento inicial dos estudantes sobre um aspecto do currículo ou um contexto no qual eles estão inseridos”, descreve Neta.

“Também ajuda o professor no planejamento da disciplina e a identificar se ele realmente conhece seus alunos. Qual o perfil desses estudantes e também as suas maiores dificuldades. Na prática, será um norteador das estratégias a serem utilizadas”, pontua.

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Logo após a aplicação de uma determinada sequência didática ou metodologia, é hora de avaliar se os alunos realmente assimilaram o que foi ensinado. Pois essa será a tarefa do pós-teste.

“Ele analisa se trajetória que foi desenvolvida em um bimestre, semestre ou ano avançou ou deixou lacunas, e quais são essas”, acrescenta a professora.

Tomada de decisões

Neta reforça que pré e pós-testes são geradores de informação, não julgadores. “A função não é segregar aqueles que sabem daqueles que não sabem. O método permite identificar as lacunas e como elas serão trabalhadas na aula, na escola e também com a família”, lista.

A docente da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pesquisadora de microbiologia e ensino de ciências, Terimar Ruoso Moresco, explica que cada etapa de ensino da educação básica pode receber formas diferentes de testes.

“No ensino fundamental I, quando as crianças não possuem maturidade para responder a um questionário, podem ser aplicados desenhos ou entrevistas orais”, sugere.

No ensino fundamental II e no médio, os alunos já conseguem se expressar por escrito. Nesse caso, entrevistas orais e escritas podem ser combinadas. “Um problema comum, contudo, é eles não se envolverem no pré-teste e simplesmente responderem a questão com um ‘não sei’”, destaca.

Observando a turma

Para formular o pré-teste, Neta indica que o professor fique atento ao que foi ensinado no bimestre, semestre ou ano anterior, dependendo do que se deseja averiguar. “O objetivo é entender o que é o básico, o que o estudante já deveria saber para desenvolver outras concepções acerca daquele tema. A partir das lacunas, é elaborado um planejamento visando saná-las”, ressalta Neta.

Ela assinala que, para o pós-teste ser uma avaliação, implica que haja a tomada de decisões pelo professor a partir dos dados coletados, visando auxiliar na aprendizagem.

“Ou seja, não basta apenas o julgamento e a conclusão de que a turma teve um rendimento insatisfatório, por exemplo, mas o que será feito sobre isso”, diferencia.

“Normalmente, vemos que o docente parte para o próximo capítulo do livro didático após averiguar o conteúdo dado. Não retorna para sanar dúvidas que permaneceram”, revela.

Compilando informações

Algumas dicas ajudam a realizar melhor a tarefa. As questões, por exemplo, devem ser compreensíveis. “Pode haver uma incoerência nas questões. O aluno ser questionado sobre a mesma coisa em duas perguntas escritas de formas diferentes. Isso confunde”, alerta Moresco.

“Cabe ao professor ter clareza do entendimento de cada questão, porque ele precisa saber a resposta e qual tipo de informação espera que seja respondida”, acrescenta.

Uma discussão é se as perguntas devem ser exatamente as mesmas tanto no pós-teste quanto no pré-teste.

“Quando iguais, permite comparar com exatidão o antes e o depois da intervenção pedagógica. Se diferentes, evitam que o aluno repita a resposta e ajuda a perceber seu entendimento do conteúdo”, compara Moresco.

A docente indica aos professores não formularem questões que sejam muito conceituais. “Opte por aquelas que permitam relacionar conteúdos com seu dia a dia”, exemplifica.

Se houver a disponibilidade de internet e aparelhos eletrônicos entre os alunos e no colégio, as tecnologias de comunicação e informação podem facilitar o trabalho do professor em cooptar e trabalhar os dados obtidos. “Caso, por exemplo, dos formulários online”, indica Neta.

Crédito da imagem principal: fjmoura – iStock

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