A professora indiana Rouble Nagi foi anunciada como vencedora do “GEMS Education Global Teacher Prize 2026”, considerado o maior prêmio do mundo dedicado à docência, no valor de US$ 1 milhão. Ela foi selecionada entre mais de cinco mil indicações de 139 países, reconhecida por transformar muros abandonados em salas de aula a céu aberto e, assim, levar educação a comunidades vulneráveis na Índia.
Seu projeto “Paredes Vivas de Aprendizagem” (Living Walls of Learning, em inglês) converte paredes negligenciadas em murais interativos que ensinam alfabetização, matemática, ciências, higiene, história e consciência ambiental, envolvendo não apenas as crianças, mas também suas famílias e toda a comunidade.
“A ideia surgiu a partir de uma observação simples e prática: em muitas favelas e vilarejos, as crianças não tinham acesso a salas de aula, livros ou espaços seguros de aprendizagem — mas estavam cercadas por muros. Percebi que, se as crianças não podiam ir até a sala de aula, a sala de aula poderia ir até elas”, relata.
“Quando pintei pela primeira vez alfabetos e números em um muro quebrado e vi as crianças pararem, contornarem as letras com os dedos e começarem a aprender sem medo, ficou claro que os muros poderiam se tornar professores. Aquele momento transformou minha compreensão do que poderia ser uma ‘sala de aula’”, descreve ela.
Além de professora, Rouble também é artista reconhecida internacionalmente e defende a presença das artes na hora de ensinar. “A arte remove o medo do aprendizado”, destaca. “Ela permite que as crianças ‘vejam’ e ‘toquem’ as ideias — seja um processo científico, um evento histórico ou um conceito matemático”.
A seguir, em uma entrevista exclusiva, ela compartilha com os professores brasileiros mais da sua experiência como docente.
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Instituto Claro: Como surgiu a ideia do projeto “Paredes Vivas de Aprendizagem”?
Rouble Nagi: A ideia surgiu a partir de uma observação simples e prática: em muitas favelas e vilarejos, as crianças não tinham acesso a salas de aula, livros ou espaços seguros de aprendizagem — mas estavam cercadas por muros. Percebi que, se as crianças não podiam ir até a sala de aula, a sala de aula poderia ir até elas. Quando pintei pela primeira vez alfabetos e números em um muro quebrado e vi as crianças pararem, contornarem as letras com os dedos e começarem a aprender sem medo, ficou claro que os muros poderiam se tornar professores. Aquele momento transformou minha compreensão do que poderia ser uma “sala de aula”.
Como o projeto de educação utilizando muros funciona?
Nagi: O objetivo é transformar muros negligenciados em salas de aula interativas e ao ar livre. Esses murais não são decorativos: eles ensinam alfabetização, matemática, ciências, higiene, consciência ambiental, história, valores constitucionais e responsabilidade social. As crianças aprendem simplesmente ao caminhar por suas ruas. Os muros reforçam o que aprendem nos centros educativos e nas escolas, tornando a educação contínua, visual e integrada ao cotidiano. Pais e vizinhos também podem interagir com o conteúdo, fazendo com que o aprendizado se torne uma experiência comunitária, e não algo restrito a um prédio.
Como a comunidade escolar reagiu ao projeto?
Nagi: As crianças estão mais curiosas e confiantes, porque o aprendizado se torna acessível e lúdico, em vez de intimidador. Pais que antes se sentiam desconectados da educação agora conversam sobre o que veem nos muros e apoiam a aprendizagem dos filhos em casa. Professores percebem que os conceitos ensinados em sala são reforçados visualmente do lado de fora, melhorando a compreensão e a retenção. Com o tempo, as comunidades passam a proteger esses muros, a tratá-los como patrimônios compartilhados e a sentir orgulho dos espaços de aprendizagem que ajudaram a criar.
Como a arte ajuda as crianças a se envolverem com o aprendizado?
Nagi: A arte remove o medo do aprendizado. Muitos alunos têm dificuldades com métodos baseados apenas em livros e memorização mecânica. Quando as crianças pintam, encenam, contam histórias e desenham conceitos, o aprendizado se torna tátil e emocional. A arte permite que elas “vejam” e “toquem” as ideias — seja um processo científico, um evento histórico ou um conceito matemático. Para crianças que já ouviram que “não são boas nos estudos”, a arte oferece um caminho de volta à autoconfiança.
Qual foi o maior desafio em alcançar crianças em situação de vulnerabilidade que precisam trabalhar?
Nagi: O maior desafio é que o aprendizado compete com a sobrevivência. Muitas crianças enfrentam fome, doenças, trabalho infantil, casamento precoce e lares instáveis. A escola frequentemente é interrompida pela necessidade de trabalhar ou cuidar dos irmãos. Em vez de esperar que as crianças se adaptem a horários rígidos, organizamos a educação em torno da vida real — com horários flexíveis, centros de baixo custo próximos de casa, salas de aula móveis e aprendizagem prática que demonstre valor imediato para as famílias. O desafio não é apenas acadêmico; é emocional e econômico. O progresso acontece quando a educação respeita essas realidades, em vez de ignorá-las.
Como você prepara professores para atuar em contextos socialmente complexos?
Nagi: Preparamos os professores para serem educadores, mentores e ouvintes. A formação foca na compreensão das realidades sociais que as crianças enfrentam — pobreza, frequência irregular, traumas e pressões familiares. Os professores aprendem a usar métodos criativos e flexíveis, a ensinar com materiais reciclados, a adaptar as aulas para grupos com idades e níveis variados e a construir confiança com as famílias. Tão importante quanto isso, são preparados para atuar com compaixão, paciência e sensibilidade cultural. Em ambientes complexos, ensinar é tanto sobre relacionamento quanto sobre conteúdo.
Que orientação você daria a educadores que trabalham com populações vulneráveis no Brasil?
Nagi: Comecem ouvindo. Cada comunidade tem suas próprias realidades, forças e necessidades — a educação deve ser construída a partir delas, e não de modelos importados. Sejam flexíveis, pacientes e dispostos a trabalhar em condições imperfeitas. A educação não pode ser separada da fome, da saúde, da segurança e da dignidade; por isso, é fundamental trabalhar com as famílias e as comunidades, e não apenas com as crianças. Mais importante ainda: acreditem profundamente em seus alunos. Quando as crianças se sentem vistas e respeitadas, elas correspondem às expectativas — mesmo nas circunstâncias mais difíceis. A transformação começa quando a educação encontra as pessoas onde elas estão e caminha com elas até onde podem chegar.
Conheça os outros ganhadores do GEMS Education Global Teacher Prize:
Global Teacher Prize 2025: “Educação é sobre abrir portas e oferecer segundas chances”, diz ganhador (Mansour Al Mansour – Arábia Saudita/2025)
Global Teacher Prize: vencedora criou escola segura para meninas (Sister Zeph – Paquistão/2024)
Vencedora do Global Teacher Prize ajudou alunos a verem faculdade como projeto de vida (Keishia Thorpe – Estados Unidos/2021)
“Escutar e não impor ideias aproxima professor da comunidade”, recomenda ganhador do Global Teacher Prize 2020 (Ranjitsinh Disal – Índia/2020)
Ganhador de Global Teacher Prize, professor do Quênia usou criatividade contra escassez tecnológica (Peter Tabichi – Quênia/2019)
Ganhadora do Global Teacher Prize 2018 usou arte para melhorar confiança dos alunos (Andria Zafirakou – Reino Unido/2018)
“Ao entender sua comunidade, professor torna a aprendizagem relevante”, diz vencedora do Global Teacher Prize (Maggie MacDonnell – Canadá/2017)
O que você pode aprender com a melhor professora do mundo? (Hanan Al Hroub – Palestina/2016)
Crédito da imagem: divulgação