O terrário é uma atividade prática que ajuda a representar um ecossistema nas aulas de biologia e ciências da natureza. Para isso, mudas são plantadas em um ambiente hermeticamente fechado.

“É um modelo que representa a biosfera de forma reduzida e reproduz a dinâmica dos ecossistemas”, resume o biólogo e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) Daniel Silas Veras dos Santos.

Uma vez que a água e os nutrientes são constantemente reciclados, o ambiente se torna autossuficiente.

“Ao representar processos básicos dentro dos ecossistemas, como o ciclo da água, o desenvolvimento das plantas e a interação entre os meios físico e biológico, o terrário amplia e torna esses fenômenos mais perceptíveis”, explica o doutor em Ciências Biológicas pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro (UFRJ) Anderson dos Santos Portugal.

Ainda que haja terrários abertos, também chamados de mini-jardins, eles não representam o conceito inicial da atividade. “Este (modelo) foi criado pelo médico inglês Nathaniel Bagshaw Ward por volta de 1830”, ensina Veras.

“Se aberto, o vapor de água e o dióxido de carbono liberado pelas plantas vão para o ambiente, fazendo que o terrário seque”, diferencia Portugal.

Biosfera no pote

Pode-se recriar diferentes ecossistemas com ajuda do terrário fechado, dependendo do objetivo proposto com a classe. “É possível elaborar um com plantas que tolerem o estresse hídrico, como suculentas e cactos, ou o oposto, com espécies que se adaptem à inundação”, exemplifica Portugal.

Bióloga e professora do Instituto Federal do Piauí (IFPI), Odivette Maria Soares Felix criou com seus estudantes um terrário seco e outro intermediário.

“O intermediário possuía um solo não saturado em água, mas com alguma umidade. O seco apresentou maior proporção de areia e pedras. Neste último, acrescentamos apenas 100ml de água para a germinação das sementes e manutenção inicial das plantas.”

Segundo Portugal, diversos conteúdos de biologia podem ser associados à atividade, como composição do solo, vegetação, luminosidade, umidade, ciclo da água e do carbono.

“Infiltração de água no solo, fotossíntese, respiração, transpiração e nutrição das plantas; conceitos ecológicos, fatores bióticos e abióticos; rochas, erosão; microbiologia e método científico são outras possibilidades”, acrescenta.

Parceria interdisciplinar

A atividade pode ser adaptada em qualquer etapa de ensino. “Na educação infantil, estimula inteligência espacial e criatividade. Ajuda a abordar biodiversidade nos anos iniciais do fundamental e ciclos biogeoquímicos, nos finais. Já no ensino médio, auxilia nos conteúdos de botânica”, aponta Portugal.

Ele ainda indica orientar os alunos a observar a transpiração das plantas (terrário suando) e a ciclagem de nutrientes. “Eles sempre questionam como surgem os fungos e seres decompositores. E a sobrevivência das plantas no ambiente fechado é um enigma para os jovens”, adianta.

Entre as vantagens de trazer a atividade para a classe está a aproximação dos estudantes aos fenômenos naturais. “Após visualizarem o que está acontecendo no ecossistema, eles passam a apresentar um olhar diferente para o ambiente de forma geral”, garante Felix.

“Para o professor, a realização de atividades práticas e experimentais sem a necessidade de laboratório é outro ganho”, completa Portugal.

Para completar, a experiência pode ser interdisciplinar. “Em artes, é possível associá-la à criação, trabalho manual, uso de cores e formas geométricas. Em geografia, as camadas do solo e ciclos biogeoquímicos estão à disposição do professor dentro do terrário. E é possível calcular todos os materiais utilizados com a disciplina de matemática”, ilustra Portugal.

Passo a passo

Na hora de criar o terrário, prefira o pote de vidro ao de plástico. “Preferencialmente, que seja mais alto do que largo, com tampa de vidro ou cortiça”, detalha Veras.

A lista de materiais inclui pedrinhas para aquário, carvão vegetal, terra, papel filme, durex e, claro, as mudas de plantas. “Escolha aquelas que necessitem da mesma iluminação e quantidade de água”, orienta Felix.

Com os materiais em mãos, inicie organizando as pedras no fundo do vidro, seguido da terra e plantas. “Cubra as raízes com a terra, umedeça sem encharcar e espere duas horas para vedar o frasco”, ensina Veras.

O terrário necessita de luz indireta e não deve ser aberto. “É esperado que o ambiente do terrário fechado se autorregule sem interferência humana”, afirma Felix. “Quanto mais lacrado, maior a chance de sucesso”, enfatiza Portugal.

“A manutenção só deve ocorrer quando se perceber que o sistema perdeu sua autossustentabilidade”, finaliza Veras.

Veja mais:

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