A carpoteca é uma coleção científica de frutos pertencente a um herbário. “Ela armazena exemplares dos mais variados tipos e as informações referentes a eles”, resume a bacharel em ciências biológicas e ex-colaboradora do herbário da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Roberta Pedroso Kraemer.

“É um instrumento para estudos do meio natural, de fisiologia e morfologia vegetal, além de ser importante para a educação ambiental”, justifica.

Para o professor de biologia ou da área de ciências da natureza, a ferramenta é eficiente para explicar botânica. “Ajuda o aluno a identificar e entender se um fruto é seco ou carnoso, simples ou composto, quais partes o compõe, como se formou, função, importância ecológica e econômica”, lista.

Os frutos são compostos por duas partes: sementes e pericarpo, que se origina da parede do ovário da flor. (crédito: reprodução herbário UENF)

Entre os conteúdos que podem ser relacionados à atividade estão: biologia reprodutiva das plantas; evolução das angiospermas; importância do fruto para a planta – como protetor de sementes e atrativo para animais que as dispersam no solo – e, claro, diferentes formas dessa distribuição na natureza.

Informações coletadas

O material pode ser trazido de casa ou de um campo. Nesse caso, verifique se a área a ser explorada com os alunos é segura, se necessita de autorizações para retiradas (caso de reservas ambientais) e pesquise previamente sobre os tipos de plantas que irão encontrar por lá. “Busque qual é o período do ano em que costumam apresentar frutos e, também, fotos deles, para identificá-los com mais facilidade. Pesquise se há dificuldade para coletá-los, como são plantados e se apresentam espinhos.”

Para completar, leve instrumentos para a atividade, como tesouras de poda, luvas, jornal e caixas.

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Em campo, fotografe o que acharem e registre em uma caderneta o máximo de informações, que serão utilizadas mais tarde. “Como a data e local da coleta, nome do coletor e características do fruto no momento, principalmente coloração, textura e aroma”, ensina Kraemer. “Estas características se perdem com o tempo e com a fixação em álcool. Posteriormente, ajudarão na identificação do material”, explica.

Pegue sempre mais de uma amostra de cada material. Além de peças inteiras, a carpoteca traz o fruto em cortes transversal ou ao meio. “Cada exemplar recebe uma numeração para facilitar sua localização no acervo e evitar trocas na coleção.”

Armazenamento depende da espécie

A conservação é feita em potes de vidro transparente, etiquetados com informações que permitam identificar o conteúdo. A forma como será feita depende se o fruto é carnoso ou seco.

O primeiro caso, são aqueles que têm pericarpo (casca e parte interna) suculento, como laranja, goiaba, abacate, mamão, tomate, melancia, melão, pepino, uva, limão, ameixa, azeitona, manga, abóbora, cacau, acerola, nêspera, tangerina e romã. Estes devem ficar imersos em álcool 70%. “Muitos deles soltam pigmentos que dificultam a visualização, assim, o álcool deve ser trocado quando necessário”, aponta.

Já os secos possuem pouca umidade. Caso do girassol, mostarda, algodão, noz-portuguesa, castanha-do-pará, feijão, soja, arroz, ervilha e milho. Estes devem ser desidratados por secagem ao sol. “Ao final, são armazenados com um pouco de cânfora ou naftalina”, sugere.

Utilize equipamentos de proteção individual, como máscara e luvas, ao fazer a carpoteca. “Os recipientes devem ser bem vedados, para evitar vazamento de álcool, e guardados em local sem exposição ao sol.”

Cada um possuirá uma etiqueta de identificação com as principais informações da coleta.

Os potes são dispostos pelo nome da família, em ordem alfabética. “Dentro de cada uma, os gêneros também deverão estar ordenados e, dentro deles, organizados em espécies. As amostras ainda não identificadas ficam no final da coleção”, indica.

Frascos com frutos para inclusão na carpoteca (crédito: reprodução Manual de Herbário/Felipe Wartchow)

Periodicamente, o material necessitará de manutenção. “Troque o álcool quando necessário; os recipientes, se inadequados e mal vedados; e as etiquetas, caso vaze álcool. E mantenha o espaço limpo e organizado”, assinala Kraemer. Também pode ser necessário atualizar os nomes científicos caso ocorram mudanças nas classificações.

Versão virtual

A carpoteca física pode ser fotografada e arquivada em uma versão virtual. Outra possibilidade é produzir com os alunos uma totalmente digital, com fotos das frutas tiradas em casa ou pesquisadas na internet.

“Peça para os alunos buscarem imagens e conteúdos sobre frutos verdadeiros – que se originam do ovário da flor – e pseudofrutos – que não se originam do ovário. Cada um pode escolher uma espécie e pesquisar sobre ela. Ao final, todo material é reunido e formará a carpoteca”, sugere.

Outra opção é o estudante fotografar variedades em sua casa, pesquisando se é um pseudofruto ou não. “Se for verdadeiro, buscar se é seco ou carnoso, deiscente [que se abre quando maduro, liberando a semente] ou indeiscente [que permanece fechado mesmo após atingir a maturação], qual seu nome popular, científico e principais características.”

As fotos podem ser compartilhadas nas redes sociais, como Facebook e Instagram, em formato de quiz ou postagem informativa.

“Os professores podem, ainda, criar slides, guias online em linguagem acessível, jogo da memória ou mesmo um teste no BuzzFeed a partir desse material”, recomenda Kraemer.

Crédito da imagem principal: reprodução herbário UENF

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