“Jurassic Park – Parque dos Dinossauros” é um filme de 1993, desdobrado em uma franquia, que narra a história de um filantropo bilionário e sua equipe de geneticistas que criam um parque em uma ilha com espécies de dinossauros recriadas por engenharia genética.

Este primeiro filme pode ser utilizado nos três anos do ensino médio para tratar conteúdos curriculares no campo de biologia e ciências da natureza.

“É possível discutir sobre as adaptações dos dinossauros, tanto inatas quanto adquiridas por manipulação gênica, e como isso ocorre em evolução biológica, focando em temas como seleção natural, biologia molecular relacionados à evolução e como ela ocorre. Pode-se apresentar aos alunos pontos principais da integração ‘Genótipo + Pressão Ambiental => Fenótipo + Comportamento’”, resume o mestre em ciências biológicas pela Universidade de São Paulo (USP) Lucas Piazentin Costa. Ele é um dos autores do artigo “Propostas Pedagógicas: Jurassic Park Franchise”.

Costa indica ao professor ministrar aulas de zoologia dos vertebrados e fossilização, assim como conceitos de evolução biológica, antes de exibir a produção. Pode-se recapitular pontos principais da integração ‘Genética-Comportamento-Ecologia’ e ‘Genótipo-Ambiente-Fenótipo’. Além disso, o docente recomenda usar a pergunta “O que deu errado no Jurassic Park?” como norte.

“Após exibição do filme, uma sugestão de atividade seria dividir a sala em dois grupos e colocá-los para discutir a construção de um novo parque. De um lado, idealizadores buscam convencer o comitê a permiti-lo. Do outro, o comitê de ética destrincha as implicações de tal atividade, no intuito de garantir que a ética referente à vida não seja comprometida”, indica.

Sobre os demais filmes da franquia, é possível ainda explorar a segunda produção, que trata da adaptação de herbívoros criados para não sintetizar lisina.

Infelizmente, a franquia Jurassic World se perdeu dessa temática evolutiva e focou no uso de tecnologias para ganância humana ou produção bélica. Nas demais produções, os dinossauros são apresentados de maneiras grotescas e forçadas, tal como miniaturas de monstros gigantes como Godzilla”, lamenta.

Como apoio ao professor, Costa ainda recomenda canais no YouTube de divulgação científica como o Eu Coleciono Dinossauros, Zoomundo, Colecionadores de Ossos, Canal do Átila e Canal do Pirulla.

“Estes possuem vídeos de paleontologia sobre Jurassic Park ou com foco em adaptação e evolução das espécies”, compartilha.

A seguir, confira três temas que podem ser ensinados utilizando “Jurassic Park – Parque dos Dinossauros”, o primeiro filme da franquia.

Teoria evolutiva e adaptação das espécies

Segundo Costa, a temática geral da franquia “Parque dos Dinossauros” gira em torno da célebre frase do personagem Ian Malcolm no primeiro filme: “A vida encontra um meio”. Os principais pontos são os dois protocolos aplicados aos dinossauros para impedir uma perda de controle da população e do parque.

No primeiro filme, há o uso de engenharia genética para que todos os dinossauros fossem fêmeas, ou seja, incapazes de se reproduzir.

“Porém, como os híbridos tiveram DNA de sapos mesclados aos códigos genéticos originais, o que os cientistas não previram é que essa mesclagem garantiria a eles a capacidade que algumas espécies de sapos possuem de trocar de sexo em um ambiente dominado por um único sexo. Com isso, eles foram capazes de se reproduzir fora do controle dos cientistas”, esclarece Costa.

Já no segundo filme, há o protocolo de lisina. “O DNA dos dinossauros foi modificado para que eles fossem incapazes de sintetizar lisina, logo, eles morreriam se não cuidados por humanos. Esta sequência da franquia aborda a adaptação comportamental deles, em especial dos herbívoros, de buscar alimentos ricos em lisina, o que garantiu sua sobrevivência”, lembra.

“Ambas mostram os dinossauros se comportando de acordo com o que eles têm programado em seu genoma e também em cima de estímulos ambientais, manifestando fenótipos inesperados e garantindo sua perpetuação”, complementa.

No primeiro filme, Costa indica destacar as cenas dos personagens principais testemunhando o nascimento de um Velociraptor em laboratório e fazendo perguntas aos cientistas; e quando Alan Grant e os netos de Hammond descobrem ovos de raptores chocados na floresta.

“Sabendo que todos os animais eram fêmeas, eles entendem a frase de Malcolm: com um misto de genética, comportamento e pressão ambiental, a vida encontrou um meio”, enfatiza.


Ecologia e interação entre espécies

Diversas cenas do primeiro filme retratam pesquisadores discutindo que trazer animais do passado de volta à vida, em um ambiente onde eles nunca foram adaptados e com espécies que nunca conviveram, poderia resultar em interações catastróficas. Entre elas, Costa destaca o momento em que é mostrado um Triceratops doente.

“Ao que tudo indica, ela se alimentou de vegetação que seu intestino nunca estaria adaptado para processar, sendo envenenada pelas toxinas da planta. Assim, é possível discutir dietas dos animais e pessoas, e como a alimentação é uma relação delicada e complexa entre animal que ingere o alimento e quais compostos estão ali para serem digeridos”, explica.

“No caso de animais herbívoros, eles desenvolvem uma relação ecológica complexa de guerra armamentista com as plantas. Enquanto a guerra armamentista entre presa e predador é voltada para conflitos físicos, a da planta e herbívoro é para conflito químico, com os animais desenvolvendo estruturas que sirvam como câmaras de fermentação ou resistência e imunidade a certas toxinas. Ao passo que as plantas desenvolvem mecanismos cada vez mais agressivos para não terem suas folhas ou outras estruturas arrancadas”, conta o pesquisador.

 De acordo com Costa, isso pode ser explicado também com outros exemplos, como o coala precisar dormir por horas para seu corpo processar as toxinas letais do eucalipto.

“Humanos, sendo omnívoros, também têm adaptações para processar certas plantas que outros animais não podem. E outras plantas são tóxicas para nós, mas alguns animais conseguem processá-las”, lembra.

A cena da fuga de Gallimimus demonstra um comportamento interessante de animais que vivem em bandos e se comportam como uma unidade.

“Eles agem de forma similares a avestruzes. Ornitomimídeos são dinossauros evolutivamente próximos das aves, e o filme consegue demostrar um pouco dessa morfologia”, ressalta Costa.

Para completar, vale aqui também mostrar as cenas de capacidades de adaptação das fêmeas de Velociraptor. “Tanto da descoberta dos ovos chocados na floresta quanto aquelas [cenas] em que elas apresentam um altíssimo grau de inteligência e aprendizado”.

Ética na ciência

Dentre os aspectos sociocientíficos abordados, é possível problematizar as verdadeiras intenções em dar vida a animais extintos que não seja para entretenimento ou lucro pessoal.

“É um assunto que esbarra em questões atuais, como qual seria o princípio por trás de ressuscitar animais como mamutes, dodôs e lobos da tasmânia, ou ainda espécies não extintas por humanos. Para além do princípio, [em] que ambientes eles poderiam viver que não fossem os artificiais?”, questiona o mestre em ciências biológicas.

Veja mais:

16 dicas para exibir filme, documentário ou série na escola

6 links para trabalhar teoria evolutiva com os alunos  

Plano de aula – Neodarwinismo

10 temas para ensinar biologia em uma perspectiva decolonial

7 séries para trabalhar conteúdos educativos com os alunos

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