O minhocário é um sistema de reciclagem de resíduos orgânicos que utiliza minhocas – invertebrados do Filo Annelida (anelídeos) – para transformar tais substâncias em fertilizantes orgânicos usados na adubação de plantas.

 “Ele é diferente da composteira justamente por introduzir as minhocas no processo de decomposição da matéria orgânica. Na composteira, essa é realizada somente por microrganismos como bactérias, fungos, protozoários e alguns insetos”, explica o professor de ciências e mestre em ensino pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) João Nogueira Filho.

Na escola, um minhocário pode ser trabalhado pedagogicamente dentro dos conteúdos de zoologia dos invertebrados, na disciplina de ciência. “Especialmente quando se fala sobre o Filo Annelida, ao qual as minhocas pertencem”, esclarece o professor.

O sistema também ajuda a ensinar sobre o solo, abordando a importância desse elemento para os ecossistemas e das minhocas para a saúde da terra.

“Ainda é possível usar o minhocário no conteúdo de ecologia, ilustrando a relação entre decompositores e a ciclagem dos nutrientes na biosfera, e em educação ambiental, com foco na diminuição dos resíduos sólidos orgânicos e na importância do uso dos adubos orgânicos na produção de alimentos saudáveis”, lista Filho.

“Para completar, ele também permite trabalhar o empreendedorismo com a classe por meio da venda do adubo produzido”, destaca.

A construção e o estudo do minhocário podem ser realizados via aprendizagem por projetos, uma metodologia ativa que proporciona instrução significativa e alia teoria e prática.

Construção passo a passo

O minhocário é um sistema relativamente simples de montar: basta ter caixas de plástico próprias para essa finalidade ou adaptar baldes de aproximadamente 15 litros. Confira as etapas:

  1. Separe e higienize três baldes do mesmo tamanho que possam ser empilhados. Dois deles – que ficarão em cima – serão usados para depositar resíduos. O terceiro, colocado embaixo, coletará o chorume que escorrer da decomposição.
  2. Os dois baldes usados como depósito devem ter seu fundo furado. O professor pode usar uma furadeira e broca de 5mm. Outra possibilidade é esquentar arame ou ferro.
  3. Quando você colocar um balde em cima do outro, eles ficarão apoiados em suas respectivas tampas; duas delas precisam ser cortadas. Deixe apenas uma borda pequena nas laterais para permitir esse apoio. A tampa que não foi cortada vedará o balde localizado no topo do sistema.
  4. Como é um processo aeróbico, será necessário circular ar dentro dos baldes. Assim, fure também as laterais da parte superior dos dois baldes que serão os depósitos. Se usar uma furadeira, pode-se utilizar a broca de 2mm.
  5. O último balde do sistema, que ficará próximo ao chão e funcionará como coletor do húmus, não será furado, mas receberá uma torneira. Para instalá-la, você necessitará de flange, um pedaço de cano e um adaptador.
  6. Como o objetivo é que o último balde armazene somente líquido, coloque acima dele uma tela. Isto impedirá que resíduos orgânicos dos baldes superiores caíam em seu interior.
  7. Coloque um dos baldes furados em cima do balde coletor, no meio do sistema. Deposite nele resíduos orgânicos como cascas de vegetais, de ovo e borra de café. Não deposite gordura, carne e derivado de leite. Evite usar frutas cítricas em grande quantidade.
  8. Cubra os resíduos com uma camada de material seco, que pode ser folhas ou grama. Coloque mais resíduos da cozinha, as minhocas e uma última camada de folha seca. A minhoca pode ser a californiana (Eisenia fetida).
  9. Quando este balde do meio encher, repita todo o processo de depósito de resíduos e material seco no balde vazio que estiver no topo do sistema. As minhocas migrarão para este novo local ao identificar alimento fresco. Em aproximadamente 45 dias você já tem adubo orgânico pronto para uso.
  10. Quando este segundo balde encher, é hora de esvaziar o do meio e colocá-lo em cima da pilha. Esta troca será feita periodicamente.
  11. Um vídeo do canal Mundo Verde Horta Orgânica, no YouTube, ensina a criar um minhocário como este.

Manutenção

Na escola, o minhocário deve ser colocado em um local de fácil acesso, longe de movimento, próximo a uma fonte de água e à sombra para evitar superaquecimento.

“A manutenção é simples. O que o minhocário mais precisa para se manter funcionando é umidade e temperatura adequada para potencializar o trabalho das minhocas no processo de decomposição”, pontua o docente.

Na hora de esvaziar os baldes, cuidado para não remover as minhocas. “Para isso é interessante utilizar uma peneira para retirar o adubo sólido”, finaliza Filho.

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