Bob Esponja é uma animação sobre uma esponja marítima e seus amigos, como a estrela do mar Patrick e o mal-humorado Lula Molusco. Criada pelo professor norte-americano de biologia marinha Stephen Hillenburg e inspirada em seres reais, ela pode ser trabalhada nas aulas de biologia.

“O conteúdo de zoologia aparece no segundo ano do ensino médio, mas a animação pode ser também apresentada no final do ensino fundamental II, quando os alunos já conseguem identificar as diferenças do que é real dentro dos conceitos da ciência e a ficção na narrativa do desenho”, recomenda a doutoranda em ensino na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e professora da educação básica do estado de Pernambuco Alzira Carla de Oliveira.

“Associar o desenho ao ensino de biologia ajuda a tirar os alunos de um esquema de decorar as características dos animais, deixando tal associação mais prazerosa”, defende a professora de zoologia de invertebrados do curso de ciências biológicas da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Susete Wambier Christo.

Segundo as docentes, é possível trabalhar vertebrados e invertebrados, assim como as características biológicas e ecológicas desses animais. “Vale lembrar que é um desenho fantasioso, que não foi feito para ser um material pedagógico. Logo, pode-se trabalhar com os alunos não somente o real, mas as licenças poéticas”, diferencia Oliveira.

Exposição com Bob Esponja
Exposição com Bob Esponja na UEPG (crédito: divulgação)

Confira também: Níquel Náusea: tirinha brasileira pode ser usada no ensino de biologia

Filo dos animais

Bob Esponja é do filo porífera. ‘É possível questionar os alunos sobre as características das esponjas, que são porosas, assim como suas similaridades e diferenças das esponjas usadas na cozinha e no banho”, ensina Christo. “Outro ponto é a forma de nutrição no desenho e na realidade, uma vez que se trata de um animal filtrador”, acrescenta Oliveira.

Patrick é do filo echinodermata e vive embaixo de uma pedra. “Pode-se destacar a parte ecológica, sobre o ambiente em que essa espécie habita, com algumas delas vivendo enterradas na areia”, ilustra Christo.

Lula Molusco, por sua vez, não possui oito tentáculos, mas seis. “A justificativa dos desenhistas é que menos tentáculos davam mais dinamismo para o personagem em seus movimentos e reações”, relata Oliveira. Cristo ainda recomenda diferenciar com os estudantes uma lula de um polvo. Ainda sobre moluscos, outro é o caramujo de estimação do Bob Esponja que, na teoria, é terrestre.

“Ainda sobre inverossimilhança, há o Sirigueijo, uma mistura de siri com caranguejo sendo ambos do filo arthropoda. E o Plâncton, bichinho microscópio que vive nas colunas d’água. No desenho, o personagem mistura o zoo plâncton – que caminha e tem antenas —com o fito plâncton, que é verde”, diferencia Christo,

Em relação aos vertebrados, há a Senhora Puff, um baiacu do Grupo Osteichthyes, e Sandy esquilo terrestre que mora na fenda do biquini em uma bolha de oxigênio, locomovendo-se com uma vestimenta similar a uma astronauta. “Ela é do filo cordados e tem pulmão. Por meio da sua moradia na estufa, que possui grama e vegetações, é possível diferenciar com os alunos os recursos presentes nos ambientes terrestre e marinho”, orienta Christo.

Além do mar

Outros conceitos biológicos além dos marinhos podem ser ensinados por meio do desenho Bob Espoja. “Como relações ecológicas, cadeia alimentar, cuidado com o meio ambiente, poluição e comportamento animal”, lista a licencianda em ciências biológicas Mariana Iung Freitas. Ela é autora da monografia “Bob Esponja Calça Quadrada: A Biologia Narrada no Desenho Animado” (2015), onde indica episódios para apresentar diferentes conceitos.

Um exemplo é “A Lagartinha”, no qual há a transformação desse animal em uma borboleta. “Essa mudança causa pânico nos personagens por desconhecerem esse evento biológico. Provavelmente, pelo fato de serem majoritariamente animais marinhos”, conta na pesquisa.

No episódio “Chá em terra firme”, Bob Esponja visita Sandy acreditando que adora o ar, mas sem realmente conhecê-lo. Como uma esponja do mar necessita de água para sobreviver, ele passa o percurso sofrendo as consequências do oxigênio dentro da bolha de Sandy.

“Em certo momento, os dedos de suas mãos se quebram. Esta situação drástica, justificada pelo ressecamento avançado, simula uma das características importantes das esponjas, a regeneração”, relata Freitas.

No episódio “Tem fungo entre nós”, os personagens reconhecem que uma gosma verde é contagiosa, mesmo desconhecendo exatamente o que ela é. “Por isso, Bob Esponja é mantido em uma bolha, sem contato algum com o meio externo durante uma quarentena, monitorado por profissionais que usam luvas, máscaras e se preocupam com a biossegurança”, descreve Freitas. “Em outro momento, Lula Molusco, sem intenção, contamina os alimentos e os clientes do Siri Cascudo ao atendê-los”, acrescenta.

Formas de trabalhar

Christo sugere associar o tema à criação de jogos de tabuleiro com os alunos, assim como elaborar coletivamente uma exposição. Em 2017, ela coordenou o projeto Zoologia Itinerante da UEPG, que levou uma exposição sobre a animação a diferentes escolas do Paraná. “Você pode colocar o desenho ou boneco do personagem junto com sua inspiração real, apontando as suas características”, indica.

A narrativa de Bob Esponja se passa na “Fenda do biquini”, localizada em uma ilha do oceano pacífico chamada de “Atol de Bikini”. “Podem ser abordados temas como a zona abissal nos oceanos — parte mais profunda e onde a luz solar não alcança. No caso, simulamos o local em uma sala fechada e escura, com objetos que remetiam aos animais bioluminescentes”, diz.

Já Oliveira exibiu “Bob Esponja – o Filme” e usou perguntas disparadoras com a classe, como aspectos morfológicos nos animais presentes no enredo, identificação de conceitos corretos e incorretos. A experiencia está no artigo “Bob Esponja – O filme: um recurso didático para o ensino de zoologia” (2020).

Veja mais:

Folclore brasileiro pode ser utilizado no ensino de zoologia

Podcast – Como a série ‘Cidade Invisível’ pode ajudar a abordar o folclore brasileiro nas escolas?

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