Conteúdo curricular de história previsto para o 9º ano do ensino fundamental e retomado no 3º ano do ensino médio, a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) pode ser ensinada com o apoio de filmes.

“Ainda que as produções tratem o tema de forma romantizada e com personagens fictícios, podem ajudar a diminuir a distância temporal e espacial que separam os alunos do momento histórico, fazendo com que estabeleçam conexões com o tema”, explica a professora do mestrado profissional em ensino de história da Universidade Federal de Sergipe (UFS) Andreza Maynard.

“Eles podem se sentir mais propensos a se atentar ao que acontece com pessoas e fatos desse período”, complementa.

Diferentes olhares

Segundo Maynard, o tema precisa ser recortado. “Há uma grande variedade de temas quando pensamos em Segunda Guerra Mundial: há filmes das batalhas, que se passam em ambiente doméstico, sobre o Holocausto, sobre a bomba atômica, sobre a participação brasileira, entre outros”, orienta.

“Outro cuidado é que os filmes que consumimos têm influência estadunidense, como as narrativas do soldado norte-americano que vai para a frente de batalha”, complementa.

Professor do departamento de história da Universidade de Brasília (UnB), Bruno Leal Pastor de Carvalho indica evitar passar para os alunos cenas de violência extrema.

“Um filme que mostre execuções, corpos empilhados e valas comuns pode ser inapropriado para estudantes do ensino fundamental II. E mesmo para o ensino médio, o professor precisa preparar os alunos, discutir o tema antes e depois”, indica.

Conheça abaixo sete produções que podem ser utilizadas pelos professores em sala de aula para ensinar sobre a Segunda Guerra Mundial. Outras indicações podem ser encontradas no blog “Leituras da Segunda Guerra Mundial”, do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET) da UFS.

O grande ditador (1940)

Maynard explica que essa comédia satiriza o nazismo para chamar a atenção do mundo para o que acontecia na Europa naquele momento. Charles Chaplin interpreta um barbeiro judeu que foi herói na Primeira Guerra e é enviado a um gueto. Além disso, interpreta uma versão de Hitler. “Entre as sugestões de partes que podem ser recortadas estão a cena de Hitler e Mussolini disputando o poder em uma barbearia e de Chaplin, vestido como ditador, brincando com um globo terrestre”, recomenda a docente. “Há ainda um discurso em que Chaplin, olhando para a câmera, faz um apelo pela humanidade das pessoas”, completa. “Por fim, vale destacar que os filmes dele são um sucesso entre os alunos”, garante.  Classificação: livre.

Ser ou não ser (1942)

Ambientado na cidade de Varsóvia (Polônia), o filme aborda a invasão da Polônia pelas tropas nazistas e a consequente atuação de um grupo de teatro daquele país que atua para evitar que informações sobre a resistência polonesa chegassem à Gestapo, a polícia secreta do Terceiro Reich. “Trata-se de uma produção de propaganda antinazista estadunidense”, explica a doutoranda em história comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professora da educação básica do estado da Bahia Liliane Costa Andrade.

“Por meio do filme, é possível discutir o episódio que serviu de estopim para o início do conflito, a política expansionista da Alemanha nazista, o pacto de não agressão firmado entre Alemanha e União Soviética e os movimentos de resistência nos países invadidos”, acrescenta. Classificação: livre.

A lista de Schindler (1993)

Produção filmada em preto e branco e baseada na história verídica do empresário alemão Oskar Schindler, que salvou milhares de judeus do Holocausto ao empregá-los em sua fábrica. Retrata a perseguição dessa população na Polônia e o envio deles aos campos de concentração. Entre os trechos que podem ser destacados, Maynard indica a trajetória da menina de casaco vermelho, que aparece em diferentes momentos da trama. Classificação: 14 anos.

Dunkirk (2017)

Em Dunkirk (França), soldados aliados da Bélgica, do Império Britânico e da França se encontram encurralados pelo exército alemão, necessitando de resgate. A narrativa acompanha três linhas temporais distintas: combates aéreos vividos pelo piloto Farrier; uma missão de resgate em alto mar liderada por um civil britânico; e o jovem soldado Tommy que busca escapar de uma captura na praia. “É interessante as diferentes perspectivas e pontos de vista da guerra. Destacaria a cena final, dos dois jovens soldados retornando à Inglaterra e acompanhando as notícias de jornais”, sugere Maynard. Classificação: 14 anos.

Estrada 47

O filme retrata a participação dos pracinhas brasileiros em Monte Castelo (Itália). Os soldados eram predominantemente de origem humilde e sem experiência prévia. Na trama, eles se perdem, enfrentam o dilema ético de transportar um oficial nazista e precisam enfrentar um campo minado para retornar. “Não existem muitos títulos sobre os brasileiros em Monte Castelo, o que faz desse filme uma boa opção”, afirma Maynard. Classificação: 12 anos.

Alô, amigos! (1942)

Produzido no âmbito da política de boa vizinhança empreendida pelos Estados Unidos, o filme retrata a amizade dos estadunidenses com alguns países vizinhos da América Latina, entre eles o Brasil, que aparece na parte final da película, quando o Zé Carioca recebe o Pato Donald no Rio de Janeiro. “A produção contribui para discutir o esforço dos EUA em manter uma relação politicamente amigável com os países latinos, a fim de sustentar sua hegemonia no continente americano”, diz Andrade.

“No caso brasileiro, especificamente, há de se mencionar ainda a relevância do país diante do contexto de guerra, entre outros motivos devido à sua posição estratégica, voltada para o Oceano Atlântico, e a presença de matérias-primas valiosas naquele contexto, como a borracha”, contextualiza. Classificação: livre

Labirinto de Mentiras (2014)

Indicação de Carvalho, esse filme se passa no início dos anos 1960, quando a Alemanha, no auge da Guerra Fria, parece ter se esquecido do passado nazista. “A recuperação econômica do país fez com que os alemães abrissem o flanco para o retorno de nazistas à vida política. Até que um grupo de advogados e promotores resolve quebrar esse silêncio”, explica o docente.

“O professor poderia discutir a figura de Fritz Bauer, judeu alemão respeitado no judiciário da Alemanha, sobrevivente do Holocausto, e que é peça fundamental nos julgamentos de nazistas que ocorrerão nos anos 1960. Também é possível explorar o que é verdade e o que é apenas inspiração nessa adaptação”, sugere Carvalho. Classificação: 14 anos.

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Crédito da imagem: Johncairns – Getty Images

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