Leonardo Valle

Se estivesse viva, Anne Frank completaria 90 anos em 12 de junho de 2019. A adolescente judia morta pelos nazistas, contudo, ficou imortalizada pela publicação de seu Diário – obra que, ainda hoje, pode ser um importante material pedagógico nas aulas de literatura.

Em sua tese de doutorado “Alteridade nos relatos orais de estudantes do Ensino Médio: leitura literária de O diário de Anne Frank”, a professora Denísia Moraes descobriu uma identificação entre os jovens e a obra. Em seus relatos, os alunos viam a personalidade como um símbolo de superação e resiliência para dificuldades sociais.

“Quando nos deparamos com um diário e temos o ímpeto de abri-lo, somos envolvidos pela busca do secreto, dos sentimentos mais íntimos e de uma identidade. À primeira vista, tem-se nesse conjunto aspectos significativos para atrair um adolescente a essa leitura”, explica a pesquisadora.

“Há leitores que vão buscar no livro identidade e alteridade em um mundo marcado pela intolerância humana em razão das diferenças. Poderíamos assim dizer que se tem o encontro de um ‘eu’ (leitor) que precisa de um ‘outro’ (Anne Frank) para conhecer-se a si mesmo”, destaca.

“Sentimentos como o medo de morrer, a angústia desencadeada pelo isolamento e a ansiedade das inúmeras incertezas diante da vida se assemelham aos conflitos vivenciados pelos jovens, que vão buscar respostas para a sua própria experiência de vida na leitura da obra”, completa.

Xenofobia e racismo

Mestrando em história pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Jairo Fernandes da Silva Júnior, vê o Diário de Anne Frank como um importante material didático das aulas da disciplina para o 9º ano do ensino fundamental, momento em que a Segunda Guerra Mundial se faz presente no currículo.

“A obra nos permite fazer um parêntese específico sobre o processo de destruição deflagrado pelos nazistas contra os judeus da Europa. As palavras escritas por uma jovem de 14 anos são um documento histórico sobre a Solução Final (nome dado ao plano genocida)”, explica.

Além disso, Júnior aponta a possibilidade do uso interdisciplinar com as disciplinas de sociologia e de produção textual.

“O ensino do holocausto para os adolescentes tem em vista que eles são pessoas com potencial de construir consciência para não cometerem atrocidades tais como cometeram os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial contra os judeus da Europa”, aponta. “Adolescentes são instigados a refletir sobre suas ações no ambiente escolar e na sociedade. Falar de Anne Frank é falar sobre questões contemporâneas, tais como racismo, xenofobia e antissemitismo.”

“Ensinar o holocausto é estar diante da dor do outro. É deixar claro que foi um evento fruto da mente humana, perverso e radical. Rememorar é um ato de resistência e responsabilidade, e o ‘Diário’ é uma ferramenta para a educação’, decreta.

Gênero textual

Em relação à literatura e produção textual, o professor lembra que a obra – um diário – é um gênero de escrita. “Professores das disciplinas podem discutir a forma e o conteúdo desse formato que é comum entre os jovens”, diz.

“História, literatura ou produção textual podem ser trabalhadas juntas em projetos que envolvam grupos, por meio de análises sobre memória, estrutura textual e práticas de leitura e escrita a partir do Diário’.

Veja mais:
Plano de aula – Diário de Anne Frank
Para inspirar – História de um projeto que deu certo
Segunda Guerra Mundial e Guerra Fria são temas que podem ser relacionados ao livro “1984”

Crédito da imagem: Fundação Anne Frank

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Andrea Mappa
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Ótimo projeto!

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