Leonardo Valle

Lançada em 8 de junho de 1949, a obra “1984”, de George Orwell, comemora 70 anos de existência ainda dialogando com temas atuais, que podem ser trabalhados em sala de aula. O romance se passa no antigo Reino Unido, agora conhecido como “Pista de Pouso Número 1”. Os habitantes do local vivem vigiados pelo governo, que é responsável por adulterar verdades históricas. O protagonista, Winston Smith, é membro do Partido Externo e trabalha reescrevendo artigos do jornal do passado.

“O livro é escrito em uma atmosfera do final da Segunda Guerra Mundial. Observa de perto o início da Guerra Fria e a concentração de poder nas nações vitoriosas, como Estados Unidos e União Soviética”, explica o professor do departamento de letras modernas da Universidade de São Paulo (USP), Daniel Puglia.

“Fala do indivíduo frente às instituições e a ideia de amnésia histórica. As instituições totalitárias precisam apagar a história e criar mentiras para sobreviver”, complementa.

Qual a importância da obra “1984” para a literatura?

Daniel Puglia: São dois pontos principais. O primeiro é que ela atualiza o romance de língua inglesa do século 20 combinando precisão na forma com uma mensagem social. O segundo elemento é a crítica que a produção faz às instituições de poder. Principalmente o excesso de poder centralizado em pessoas e instituições, que ficam mais opressoras a partir disso. Critica o estado político, mas também corporações, empresas e organizações sociais de maneira geral.

Quais suas principais características?

Puglia: Traz algo já característico do autor George Orwell que é a linguagem clara, objetiva, que consegue prender os leitores na narrativa. Quem lê se interessa pelo personagem Winston Smith tanto pela sua história frente às instituições de poder totalitárias quanto pelo teor pessoal sem ser enfadonho.

O que o livro traz de inédito?

Puglia: Ele consegue romper com gêneros literários, ou seja, ora parece que o leitor está lendo um panfleto político, ora uma literatura de ficção científica. Ora uma distopia, ora um romance de construção com personagem. É uma obra inclassificável, que não respeita divisões fechadas.

Como os professores de literatura da educação básica podem utilizá-lo em sala de aula?

Puglia: Para os últimos anos do ensino fundamental II, o docente pode usar trechos curtos, mostrando como se constrói um argumento, como se fazem discursos e dissertações. É interessante mostrar o trabalho do autor com a organização da linguagem. Já no ensino médio, penso ser interessante mostrar a relação da publicação com a história e a geopolítica.

Como ele pode ser relacionada à história e à geopolítica?

Puglia: A obra é escrita em 1949 em uma atmosfera do final da Segunda Guerra Mundial. Observa de perto o início da Guerra Fria e a concentração de poder nas nações vitoriosas, como Estados Unidos e União Soviética. Na geopolítica, pode ser relacionada com o capitalismo, tanto no século 20 quanto no século 21, que tende a criar nações totalitárias. Fala do indivíduo frente às instituições e a ideia de amnésia histórica. As instituições totalitárias precisam apagar a história e criar mentiras para sobreviver. O protagonista do livro faz isso, apaga verdades históricas e produz mentiras.

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