Conteúdo de ecologia, o nicho ecológico abrange as condições físicas e biológicas do ambiente onde um determinado animal e planta pode potencialmente viver.

“Em biologia, dizemos que o nicho ecológico é o endereço da espécie, ou seja, onde ela é encontrada no ambiente”, explica o biólogo, pedagogo e doutorando em ciências da educação pela Universidade do Porto (Portugal) Cláudio da Silva.

Basicamente, cada espécie ocupa um nicho único. “Mesmo vivendo próximas, cada espécie terá nichos ecológicos diferentes. Assim, evitam competição por alimento e de local para abrigo e reprodução, contribuindo para a estabilidade dos ecossistemas”, acrescenta Silva.

“Uma determinada espécie pode gostar mais de sol, ter relações com temperatura, solo e alimentação que ajudarão a determinar o nicho onde será encontrada”, aponta o biólogo.

Silva lembra que as espécies não escolhem viver em determinado local e nicho, mas são pressionadas por competição.

“Elas acabam estreitando esses nichos de forma que consigam viver naquele espaço. Por exemplo, enquanto uma espécie vai preferir caçar insetos para se alimentar à noite, outra o fará de dia. Assim, mesmo convivendo no mesmo ambiente, estarão em nichos diferentes”, descreve o docente.

“Porém quando uma espécie é eliminada, a outra pode ampliar o seu nicho, caçar em todos os horários e se reproduzir de forma extensa, transformando-se em uma praga ou causando desequilíbrio para a natureza”, reforça.

Impacto humano

Para os alunos, estudar o conteúdo de nicho ecológico é importante para compreender não somente como as espécies vivem e a interação entre elas, mas também como as intervenções humanas influenciam e prejudicam o meio ambiente.

“O aquecimento global muda as características do planeta e vai ter consequências nos biomas, atingindo e mudando a vida das espécies”, contextualiza Silva.

Na hora de ensinar sobre nichos ecológicos, o docente lembra que atividades práticas e lúdicas ajudam a deixar a aprendizagem mais significativa para a turma.

“Toda disciplina tem uma linguagem particular, e com a biologia e ciências não é diferente, elas possuem termos e conceitos diversificados. Atividades que não sejam somente expositivas ajudam os alunos a entender essas informações sem que seja por memorização, aproximando o conteúdo da realidade deles”, defende o professor.

A seguir, confira quatro atividades que ajudam a ensinar nicho ecológico de forma significativa.

1) Jogo de adivinhação

Silva desenvolveu um jogo de fichas para o 4º ano do ensino fundamental no qual os alunos deveriam investigar características do nicho ecológico relatadas nas cartas para descobrir de qual animal esta tratava.

Para isso, o professor criou um cartaz com fotos para sete animais de diferentes espécies: onça-pintada, pirarucu, libélula, borboleta-olho-de-coruja, jiboia, sapo-ferreiro e tucano-toco.

Na sequência, elaborou oito fichas para cada um deles com informações sobre habitat, nicho ecológico, curiosidades e dados relacionados às adaptações que aquela espécie possuía para viver naquele ambiente.

“Cada informação trazia uma dica do animal a que ela pertencia”, conta.

As fichas foram embaralhadas, e a tarefa dos alunos era organizá-las até descobrirem a qual animal pertenciam. Ao final, cada grupo elaborou um cartaz sobre um dos animais da ficha.

“Intercalei informações fáceis e complexas, sendo algumas possíveis de serem aplicadas a mais de um animal. Assim, a classe poderia perceber que os animais eram capazes de coexistir no mesmo ambiente, mas o utilizando de forma diferente”, descreve.

O professor aproveitou o processo de investigação dos alunos para fazer conexões e inserir novos conceitos até então inéditos. “Por exemplo, as cartas mencionavam padrões alimentares, como ser herbívoro”.

Como orientações, Silva indica escolher animais e curiosidades que chamem a atenção dos alunos. Além disso, evitar apenas trazer o significado de palavras que os alunos possam achar difíceis, ajudá-los a entender a sua composição e refletir sobre elas.

“Por exemplo, quando falamos de componentes do ecossistema biótico e abiótico, pode-se mencionar que ‘bio’ ´significa vida, perguntar quais outras palavras possuem o mesmo prefixo. Logo, biótico é todos os elementos vivos do ecossistema e abiótico é o oposto”, explica.

2) Jogo Calangos

Calangos é um jogo eletrônico educacional desenvolvido por pesquisadores de diferentes universidades federais brasileiras e disponível para download gratuito.

Na dissertação “Usando o jogo eletrônico educacional Calangos em sala de aula para ensinar sobre nicho ecológico” (2015), o mestre em ensino, filosofia e história das ciências da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Ricardo Ferreira Machado explica que a atividade ajuda no ensino de nichos por permitir ao aluno assumir o papel de um lagarto em um ambiente de caatinga, nas dunas do São Francisco. Na história, ele vivencia os fatores ambientais que interferem nas chances de sobrevivência e reprodução desse animal.

“De um modo geral, o jogador pode vivenciar os desafios de sobrevivência do lagarto, não só relativos à regulação térmica por vias comportamentais, como também à fuga de predadores e obtenção de alimento”, explica Machado.

3) Jogo de mímica

Na dissertação “Metodologias alternativas para o estudo de ecologia” (2019), Isabel Silveira de Morais, mestre em biologia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), propõe simular com os alunos a seguinte situação:

  • Prédio da escola é a biosfera terrestre;
  • Sala de aula é o ecossistema terrestre;
  • Grupos de cinco alunos divididos em locais separados na sala serão os biomas brasileiros;
  • Cada aluno será um nicho ecológico.

Na sequência, distribua as seguintes situações para os alunos descreverem o que acontecerá em seu bioma depois delas:

  • 40 dias de chuva;
  • 40 dias de seca;
  • Calor torrencial em torno de 40˚C por 40 dias;
  • Frio torrencial em torno de 3˚C por 40 dias;
  • Temperatura amena (26˚C) com períodos chuvosos e secos por 40 dias.

A última etapa consiste em cada grupo simular as situações por meio de gestos e mímicas para o restante da sala tentar descobrir de qual bioma se trata.

4) Observação de um habitat

Silva indica ao professor escolher algum lugar com área de cobertura vegetal,  como um parque, e pedir para os alunos observarem as espécies presentes.

“Organize antes a aula levantando, por exemplo, as possibilidades de insetos que poderão ser encontrados”, orienta.  

Os estudantes podem analisar o que as espécies estão fazendo (comportamento), comendo (alimentação), a interação com outros organismos e as características desse habitat.

“Observe onde cada animal gosta de viver. Por exemplo, se houver um lago, aqueles que ficam na água, nas suas margens e na terra, além das diferentes adaptações que ocorrem para que consigam viver”, finaliza o docente.

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