Nos últimos tempos, um novo termo passou a ser amplamente utilizado para se referir a pessoas com a Síndrome de Down: T21.

Trata-se de uma abreviação de trissomia 21, alteração genética que caracteriza a síndrome e significa que a pessoa tem três cópias do cromossomo 21, em vez de duas.

“As células do corpo humano normalmente têm 46 cromossomos, organizados em 23 pares — do cromossomo 1 ao 23, sendo um par de cada. Em pessoas sem a Síndrome de Down, há duas cópias do cromossomo 21. Já na T21, há três cópias desse cromossomo, o que caracteriza a condição”, explica a pediatra e integrante do comitê técnico-científico da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD) Ana Cláudia Brandão.

Já o nome Síndrome de Down é uma homenagem ao médico inglês John Langdon Down, que descreveu essa condição cromossômica relacionada ao par 21.

Por que a adoção de T21?

Segundo Brandão, algumas pessoas podem preferir o termo T21 por considerar que a palavra ‘down’ cause certo desconforto. “Ela também significa, em inglês, ‘para baixo’. No entanto, esse não é o sentido do termo”, comenta a médica.

“Além disso, há um estigma relacionado ao termo ‘síndrome’, associado de forma equivocada a uma doença, quando se trata, na verdade, de uma condição genética”, analisa.

Para o coordenador técnico da Associação para o Desenvolvimento Integral do Down (ADID), Cristiano Pedroso, a preferência pelo termo T21 pode estar associada a uma nomenclatura mais centrada no mecanismo genético da síndrome.

“Há um movimento contemporâneo de linguagem que busca reduzir estigmas históricos e utilizar termos mais técnicos, especialmente em contextos científicos e institucionais”.

Pontos positivos e negativos

Entretanto, os especialistas lembram que, do ponto de vista científico, ambos os termos são adequados. “Síndrome de Down continua sendo amplamente utilizado na literatura internacional. Porém, pode ser considerado menos preciso que ‘T21’. A discussão atual é mais sobre adequação comunicacional e redução de estigma do que sobre incorreção técnica”, lembra Pedroso.

Já Brandão lembra que “Síndrome de Down” é mais conhecido. “Quando se fala em ‘T21’, muitas pessoas ainda não fazem a relação com a síndrome. Por isso, é importante divulgar mais esse termo, para que todos compreendam que ele se refere à mesma condição, especialmente em contextos médicos”.

Ambos podem ser usados

Do ponto de vista social, especialistas não veem concorrência entre os termos e dizem que ambos podem ser usados sem medo.

“Não há uma polêmica: os dois termos são amplamente usados. Eu, particularmente, utilizo ambos com frequência, e muitas famílias e pessoas com a síndrome não se incomodam com a nomenclatura. São expressões consolidadas mundialmente e não há necessidade de estabelecer uma disputa entre elas”, reforça Brandão.

A vice-presidente e fundadora da Fundação Síndrome de Down (FSDown), Lenir Santos, compartilha da opinião.

“Eu, que tenho uma filha com a condição, não vejo ‘Síndrome de Down’ como um nome dotado de preconceito. Pessoas com Síndrome de Down já o incorporaram e dizem com orgulho: ‘Eu tenho Down’”.

Santos tampouco considera o termo “Síndrome de Down” desatualizado. “Penso que fica a critério de cada pessoa usar T21 ou Síndrome de Down”, afirma.

Para a pediatra, uma alternativa é perguntar à própria pessoa com a condição como ela prefere ser referida: T21 ou Down. “Se isso for relevante, é importante entender como as pessoas preferem ser chamadas. Inclusive, perguntar é um exercício ao qual precisamos nos acostumar”, opina.

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Crédito da imagem: andreswd – Getty Images

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