Mônica dos Santos Rocha, de 27 anos, começou a treinar taekwondo quando a escola onde estudava fez uma parceria com o Instituto Olga Kos (IOK). Hoje, a jovem com Síndrome de Down é faixa-vermelha na modalidade e está sendo treinada para conquistar a tão sonhada faixa preta. “Estudar o taekwondo melhorou muito a minha concentração e autoestima. Antes também era mais inibida e ansiosa”, relata.

Mônica dos Santos Rocha
Mônica dos Santos Rocha (crédito: Olga Kos/ divulgação)

História parecida com a de Marcio Gabler Del Nero, de 39 anos, que se encontrou no karatê. “Gostei de tudo logo no começo, principalmente a tradição do esporte”, explica ele, que tem Síndrome de Down e hoje é contratado como instrutor da modalidade. A prática das artes marciais traz diversos benefícios para as pessoas com deficiência, incluindo melhora na coordenação motora e cognitiva, assim como desenvolvimento social.

Marcio Gabler Del Nero
Marcio Gabler Del Nero (crédito: Olga Kos/ divulgação)

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“Para a pessoa com Síndrome de Down, também proporcional ganho do fortalecimento muscular. Com a filosofia das artes marciais, trabalhamos o equilíbrio emocional, o controle da força e o respeito ao próximo e a si mesmo”, explica a coordenadora de Esportes do Instituto Olga Kos, Crystiane Souza. A instituição oferece aulas de karatê, taekwondo, capoeira e agora abre turmas para Judô. “Todas trabalhando a parte técnica e lúdica, sem contato direto entre os participantes”, explica.

Karatê na cadeira de rodas

Anderson Aparecido Silva, de 37 anos, começou a treinar karatê em 2007, no Centro Social Urbano (CSU) de Araucária (PR). “Eu andava de muletas, mas isso atrapalhava nos movimentos. Foi quando adotei primeiro uma cadeira de rodas normal e, depois, fizemos uma rifa para comprar uma cadeira de rodas esportiva”, relembra.

artes marciais e pessoas com deficiência
Anderson Aparecido Silva (crédito: Carlos Poly/SMCS)

Quinze anos depois, Silva é tricampeão do Campeonato Brasileiro de Karatê na modalidade de simulação de movimentos de ataque e defesa. Em 2019, levou a medalha de bronze em um panamericano no Panamá. “Tenho uma melhor percepção corporal, minha resistência e parte psicológica mudaram. Vejo as artes marciais como inclusivas. Ainda que existam limitações, não há restrição de idade ou dificuldade para quem quer aprender”, garante.

Ensinando autistas

Felipe Nilo, de 32 anos, foi três vezes campeão mundial de jiu-itsu e lutador de MMA. Sua vida mudou quando, durante uma aula, um aluno enquadrado no Transtorno do Espectro Autista (TEA) se juntou ao grupo. “Eu não conseguia dar a atenção necessária. Senti-me desafiado e comecei a pesquisar até descobrir que havia pouco material sobre autismo e esportes. Há apenas sobre autismo e exercício físico”, revela. Seus estudos fizeram de Nilo referência no assunto.
“Cada autista é único, então, a forma de ensinar também será diferenciada. Há os que não gostam de contato físico, outros não são verbais, exigindo um ensino por meio de imagens”, revela.

Entre as histórias que lhe marcaram, Nilo lembra de um aluno que chegou obeso, hipermedicado, vestindo camisa de força e capacete por se auto agredir. “Ele perdeu 12kg, passou de 15 medicações para duas e não usa mais nenhum desses acessórios. A única terapia que aceita são as artes marciais, vindo treinar de segunda a sábado”, revela.

Em outra situação, um aluno de quatros anos não verbal disse a sua primeira palavra em aula: judô. “Eu me emocionei. Digo que a conquista não foi minha, mas da fonoaudióloga. A mim, coube apenas proporcionar um espaço acolhedor e uma terapia que fosse prazerosa”, conclui.

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