O teatro Claro Mais, em São Paulo (SP), recebeu na quarta-feira (1º/7) a consolidação da edição 2026 do Diálogos Transformadores, que celebrou dois marcos: os 25 anos do Instituto Claro e os dez anos do próprio evento, que pela segunda vez foi realizado na capital paulista.
Com a plateia lotada de jovens de 13 instituições parceiras do Instituto Claro e filhos de colaboradores da Claro, o encontro teve a apresentação da cantora Elize Fleury, que recebeu no palco a diretora de Desenvolvimento Humano Organizacional, Cultura e Sustentabilidade da Claro e vice-presidente de Projetos do Instituto Claro, Daniely Gomiero.
“É muito legal oferecer este espaço para que vocês, jovens, tenham voz e possam refletir sobre o futuro e os sonhos de vocês”, disse Gomiero. “O Diálogos Transformadores existe para isso. Para abrir esse espaço, para escutar, para provocar, para conectar ideias, pessoas e propósitos”, acrescentou.

Ao destacar a trajetória do Instituto Claro ao longo de seus 25 anos, o Diálogos Transformadores prestou homenagem a quem acompanha essa história desde o primeiro dia: o vice-presidente administrativo/financeiro do Instituto Claro, Luiz Bressan.
Ele recordou as barreiras superadas do início, quando o Instituto Claro recebeu a missão de desenvolver um projeto de educação e levar internet a áreas remotas do Brasil — um esforço, segundo ele, difícil de dimensionar atualmente. “Imaginem o tamanho do desafio e o impacto de fazer chegar computadores a essas comunidades há cerca de 20 anos”, afirmou.
Ao comparar aquele cenário com o ritmo atual de transformação tecnológica, Bressan destacou que o avanço acelerado das telecomunicações torna difícil até prever os próximos passos do setor. Mas defendeu que esse avanço continue a serviço de um mesmo propósito: “A boa disseminação do conhecimento”.
RPG: viagem no tempo
Nos dois dias anteriores ao evento, cerca de 50 jovens de instituições parceiras e filhos de colaboradores da Claro participaram de uma capacitação focada na Agenda 2030, acordo firmado entre 193 países — entre eles o Brasil — para cumprir 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Baseada em um RPG, a dinâmica propôs uma viagem no tempo por diferentes momentos da história do Brasil, com o objetivo de solucionar questões ligadas às ODSs que norteiam o Diálogos Transformadores: ODS 4 (educação de qualidade) e ODS 8 (trabalho decente). Os participantes também receberam a tarefa de criar uma poesia slam sobre os temas debatidos.
Ao longo do encontro no teatro Claro Mais, dez desses jovens estiveram no palco para compartilhar experiências e aprendizados da capacitação. Francielly Medeiros, Ryan Cabral e Josué Soares puxaram a fila e bateram um papo com Elize Fleury sobre Agenda 2030, ODS 4 e ODS 8. Mais tarde, outros três jovens, Kaue de Oliveira, Beatriz Santana e Marianna Duarte, foram convidados para uma roda de conversa que contou ainda com Gomiero e a gerente de relacionamento com o setor privado e oficial de empregabilidade na iniciativa 1Mio do Unicef, Lívia Felix.
Na roda, os jovens falaram um pouco sobre os períodos históricos que exploraram no RPG e o que aprenderam na jornada.
“Foi muito legal vivenciar as experiências do passado. Meu grupo viajou para o Brasil Imperial, pegamos muito da questão do trabalho escravo e da educação restrita aos homens brancos”, relatou Duarte. “A gente entendeu que muitos dos desafios atuais, como as desigualdades no acesso à educação e ao trabalho de qualidade, têm raízes históricas”, acrescentou.
“A Dra. Tempus, que é uma das personagens principais da história, fala que os jovens precisam usar a comunicação e o trabalho coletivo para mudar o futuro. Nós aprendemos que sem o trabalho coletivo não dá”, contou Oliveira.
Convidada a falar, a representante do Unicef destacou a parceria da entidade com o Instituto Claro e sua conexão com o ODS 4 e o ODS 8. “Temos algumas iniciativas, como Trajetórias de Sucesso Escolar e Um Milhão de Oportunidades (1MiO), cujo objetivo é garantir a transição positiva da escola para o mundo do trabalho”, disse Felix, ressaltando a importância de inserir as minorias nesse processo.
Números da Claro
O tema diversidade da população na sociedade já havia sido levantado pelo vice-presidente de Recursos Humanos da Claro, Rodrigo André Fernandes, ao destacar os números da empresa nesse sentido.
“Também capacitaremos 1,3 mil mulheres em cidadania digital por meio do projeto Mulher +Tech, parceria da Claro com a ONU voltada ao enfrentamento de violência doméstica contra mulheres brasileiras e refugiadas”, acrescentou.
Poesia e música
Os últimos jovens a subir no palco foram Emily da Silva, Arthur Carvalho, Ana Clara Silva e Joyce Bonfim, que apresentaram a poesia slam criada como trabalho final da capacitação. Eles levantaram a plateia e abriram, assim, espaço para a arte tomar conta do evento, que terminou com um show do cantor, compositor e rapper brasileiro Rael.
Confira a poesia slam dos jovens:
Estatuto da Juventude
Por uma educação de qualidade, trabalho decente e futuros possíveis.
Artigo 1
Todo jovem deve ter oportunidade de ser criança.
Todos devem brincar
Todos devem estudar
Todos podem badernar
Fica decretado que brincadeira não é privilégio,
é direito.
Parágrafo único:
Rua não é lugar de criança trabalhar,
é sinônimo de liberdade para a infância aflorar.
Artigo 2
Decretamos que o prazer da juventude deve ser um direito universal,
desde o casulo da infância até a sua metamorfose.
Asseguramos
a capacidade de transformação individual e sua longevidade na sociedade.
Desigualdade gera adultização acelerando o tempo.
Enquanto algumas crianças colecionam brinquedos,
outras, responsabilidades.
Artigo 3
Está decretado, neste momento,
que a diversidade enriquece a experiência de viver, as diferenças ampliam o nosso saber.
Percursos variados constroem a nossa sociedade.
Quem nós somos?
Saber de onde vem, suas origens, sua história,
é saber quem você é.
Se autoconhecer
talvez seja uma das coisas mais difíceis,
das fases mais complicadas das nossas vidas. Necessária para se entender consigo,
sem se importar com o que os outros pensam. Isso nos faz ser leais com nós mesmos.
Artigo 4
Está declarado:
Devemos estar convictos quando o assunto é estar confiante. Estar é um tempo que passa num instante.
A convicção em algo nos leva ao futuro próspero, um futuro que precisamos de confiança para buscar.
Saber esperar, escutar e vivenciar te torna parte do lugar. É sobre percorrer a longa estrada que é a vida.
Parágrafo único:
cair não é mais importante que levantar.
Artigo 5:
Decretamos que ninguém aprende sem ser ensinado.
Muitos julgam sem viver.
Do que adianta todos serem iguais,
se os holofotes são só para os maiorais?
Deve-se ter mais respeito e empatia nesse mundo, para ter mais alegria e fruto;
construir um presente melhor, para no futuro não ter apenas pó.
Artigo 6
Respeito é pra quem tem:
Decretamos que todo cidadão deve respeitar a tudo e a todos
a partir da inclusão.
Incluir é dar oportunidades, não apenas espaço,
a verdadeira força está em tratar todos com dignidade.
O mundo também é nosso.
Artigo final:
Tudo será permitido como o povo desejar. Fica decretada a liberdade de se expressar.
As pessoas sentarão à mesa com a suas almas limpas, pois a verdade andará despida.
E para isso acontecer
não basta discurso bonito de cartilha.
Tem que ter política pública que mude a nossa trilha.
Crédito das imagens: Brooke Haus