Um dos exercícios: fotografar pontos conhecidos da cidade e compará-los com imagens antigas do mesmo lugar (crédito: Lilian Starobinas)

 

A imagem é um elemento importante na nossa realidade. Tanto que o filósofo francês Gilles Lipovetsky afirmou que vivemos na “telosfera”, onde o contato com mundo é sempre mediado pela presença de uma tela. “As telas que conhecemos apresentam textos de linguagem verbal impressa ou oral, sons e, em especial, imagens. Para entender e funcionar nessa realidade, o indivíduo precisa saber interpretar as linguagens”, pontua o professor de design da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Luiz Antonio Luzio Coelho.

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Trazer a análise de imagens como recurso pedagógico tem ganhos para os alunos: estimula a cognição, percepção, sensibilidade, memória e senso crítico. Contudo, se por um lado há maior interesse dos jovens no assunto – o sucesso de redes sociais como Facebook e Instagram demonstram isso – por outro, há dificuldades de interpretação. “Treino os alunos para que se acostumem a pensar na composição da imagem, no contexto histórico e nas condições em que foram tiradas. É uma imagem de estúdio ou de rua? Foi um flash de momento? Quais são os grupos sociais que aparecem? E assim por diante”, diz a historiadora e doutora em Educação, Lilian Starobinas.

Cabe ainda ao professor explicar ao aluno que tais imagens são interpretações da realidade. “Mesmo a imagem que capta um objeto diante da câmera constitui uma criação pelo ângulo, escolha de luz, enquadramento, tratamento – como por meio da ferramenta Photoshop –  ou mesmo pela pose do fotografado, com trajes e posição do corpo”, lista Coelho.

Já para Vânia Ventura, professora de análise iconográfica do Arquivo Público do Estado de São Paulo (SP), o exercício permite não somente que o aluno aprenda o conteúdo curricular, mas que reflita sobre temas atuais. “A imagem, contudo, deve ser tratada como documento histórico. É preciso trazer diversas imagens que tenham as mesmas características para poder fazer afirmações dentro do contexto em que elas foram produzidas”, reforça.

Uso do Instagram

Além da análise iconográfica – estudo dos assuntos representados por imagens –, é possível trabalhar com a produção de imagens pelos próprios alunos. A professora Lilian, por exemplo, aproveitou uma excursão para o interior de São Paulo para divulgar as imagens captadas nos aparelhos celulares dos jovens. O material foi publicado em tempo real no Instagram usando a hashtag #emveracruz. “Foram imagens do canavial, acampados, assentados, cortadores de cana, patrimônio histórico abandonado e preservado”, relata.

Para Coelho, um dos grandes desafios dos professores é justamente acompanhar tais novidades tecnológicas, o que influencia diretamente no interesse dos alunos. “O Instagram é o exemplo cabal do valor que a imagem tem para o internauta em se expressar. Os memes são outro exemplo. Dificilmente o meme vem sem estar associado a uma imagem”, exemplifica.

Outra atividade proposta pela professora foi levar os alunos para fotografar pontos importantes do centro de São Paulo (SP). Em um segundo momento, as imagens captadas foram comparadas com antigos registros do mesmo local.

As fotografias tiradas pelos alunos foram publicadas no Instagram e viraram uma exposição (crédito: Lilian Starobinas)

 

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