O professor e a escola devem assumir as novas tecnologias como um desafio que precisa ser vencido. A opinião é da diretora da Escola de Referência em Ensino Médio Joaquim Távora, em Recife (PE), Maria de Guadalupe Alves. “Caso contrário, não saberemos os benefícios e como usufruir disso”, aponta ela. Alunos dos segundos e terceiros anos da rede estadual de ensino receberam, a partir de agosto de 2012, tablets para serem utilizados como um recurso do aprendizado, o que chamou atenção para a necessidade da interação dos educadores de como usar tecnologias no ensino.

“Ainda temos uma resistência de o professor preparar sua aula usando equipamentos multimídia. Temos tablets, a lousa digital e recursos de internet. O professor tem que enfrentar, sem medo de errar”, acredita Maria de Guadalupe, que confessa ainda ter dificuldades com sua nova conta no Facebook. “Ainda não sei postar nada, mas tenho que aprender”, diz.

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Do corpo docente que compõe a Joaquim Távora, 25% domina e utiliza as tecnologias com fins educacionais, o outro 25% está em um nível mediano de uso e 50% não aproveita os recursos em nenhum momento, de acordo com a avaliação da diretora. “Não é fácil para quem não foi criado com isso, e nem rápido. Mas o primeiro passo foi dado, os tablets nas salas”, admite.

Uma capacitação foi feita pela Secretaria de Educação antes do recebimento dos equipamentos pela escola. Na ocasião, foi demonstrado como usar o software Educandus, que vem incluso no tablet, além de ser apresentada a lousa digital. “O quadro digital é uma tecnologia que ninguém aqui na escola tinha utilizado anteriormente”, afirma o professor Raphael Xavier Barbosa. “Mais recentemente, rebemos uma capacitação discutindo a educação no século XXI. Um debate de como escolas estão se enquadrando a uma nova exigência mundial.”


Alunos assistem aula de filosofia utilizando tablets

Barbosa reitera que houve dificuldades de interação com os novos equipamentos, não apenas dos professores com mais tempo na escola. “Mesmo os mais jovens, como eu, tivemos dificuldades no uso do tablet. Tínhamos que nos adaptar a escrever usando a mão como forma de lápis. Foi algo novo”, aponta. “Temos que pensar outras metodologias com esse desafio. A tecnologia é um instrumento forte e poderoso, que vem modificando o cotidiano da escola.”

Manutenção
Outro desafio a ser rompido é a infraestrututra oferecida. Quando os tablets apresentam algum sinal de mau funcionamento, são enviados de volta à Secretaria Estadual de Educação de Pernambuco, responsável pela distribuição dos equipamentos, e demoram a retornar. “O meu está normal. Agora, o de muita gente está em modo de segurança, fica tudo preto. De vez em quando, o teclado é que quebra”, conta o aluno do terceiro ano do ensino médio, Lucas Augusto Ribeiro.

Segundo a Secretaria, o problema vem sendo resolvido aos poucos. Há necessidade de licitação para o conserto dos tablets, o que torna o processo moroso. “Não é só entregar os tablets, é preciso manutenção. Existem pontos que devem ser melhorados, já que é uma política recente. Mas o que foi conquistado são pontos importantes”, ressalta o professor Raphael Xavier Barbosa.

Conectividade
Ainda, conforme a quantidade de tablets na escola cresce e à medida que é utilizado cada vez mais em sala de aula, é necessário também olhar para a conectividade para melhorar o serviço oferecido. “Em alguns momentos, a estrutura não consegue suportar o fluxo de acessos, porque você tem uma internet que era usada somente por professores e passou a ter os alunos”, revela o professor. A Secretaria de Educação já foi notificada sobre o congestionamento da rede em alguns horários.


Aumento do fluxo de acessos causa lentidão na internet da Escola Joaquim Távora

“É algo que está em aperfeiçoamento, sendo testado. Tem colegas que têm problemas na hora de acessar a internet, mas espero que com o tempo, melhore”, afirma a aluna do terceiro ano Daniela Barbosa de Souza. “Tem a lentidão da internet, mas já funciona a ponto de permitir um trabalho”, completa a diretora Maria de Guadalupe.

 

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