Desenvolvido pela Unicamp, MinimatecaVox utiliza leitores de tela para ensinar matemática

As recentes conquistas tecnológicas estão possibilitando uma nova inclusão de alunos com deficiência. Se antes eram necessários dispositivos específicos, hoje smartphones, computadores e tablets comuns podem ser utilizados para melhorar as oportunidades de aprendizado das pessoas com deficiência.

“O computador permite combinar sons, animações, textos, imagens e, além disso, interagir com dispositivos sensoriais adequados às múltiplas necessidades de quem o utiliza. Isso torna as aulas enriquecedoras”, destaca a professora e pesquisadora no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP-Boituva) Mary Grace Andrioli. “Já o smartphone pode fazer toda a diferença na vida de uma pessoa com deficiência. Podemos utilizar a voz para realizar pesquisas no Google ou no YouTube, por exemplo, ou mesmo para digitar um texto no celular”, relata. 

Potencial nos aplicativos
Os aplicativos também ganharam destaque. Aplicativos como o Cam Scanner, por exemplo, permitem que qualquer texto seja digitalizado, transformado em formato editável e, ao final, convertido em áudio. Eles usam a tecnologia OCR (Optical Character Recognition) que reconhecem textos a partir de imagem. “Esta tecnologia é relevante para qualquer um, mas ajuda mais ainda um cego a ter acesso ao conhecimento que há nos livros”, reforça Mary Grace.
Já o aplicativo Livox facilita a comunicação de pessoas com paralisia cerebral, autismo, deficiência intelectual ou física. O programa foi desenvolvido pelo brasileiro Carlos Edmar Pereira para se comunicar com a filha, Clara. “Um diferencial do Livox é a personalização a partir de movimentos”, explica a professora. “Esses dispositivos usam softwares e webcam para reconhecer o movimento ocular, da face ou outro movimento do corpo comum do usuário.”
Já o MiniMatecaVox foi desenvolvido pela Unicamp e é usado para a aprendizagem de matemática nas séries iniciais [para obtê-lo, é necessário enviar e-mail para henderson.tavares@gmail.com]. Ao contar com um banco de aulas, funciona com leitores de tela. “Penso que atividades que exploram o canal auditivo, em alguns momentos, podem ser utilizadas com todos os alunos em uma turma de sala de aula comum”, sugere Mary.
Também, destaca-se ainda o Hand Talk – software que traduz o conteúdo de sites para libras.
A ultilização de recursos tecnológicos visando à inclusão, contudo, esbarra em um problema: a formação docente. Visando aperfeiçoar o uso de recursos tecnológicos por professores, o Centro Tecnológico de Acessibilidade, iniciativa doInstituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (Ifrs Bento Gonçalves), oferece o curso EAD gratuito O Uso Pedagógico dos Recursos de Tecnologia Assistiva.
“Temos ainda manuais para sobre aplicativos e smartphones voltadas para diferentes necessidades, como alunos com baixa visão ou cegos. São todos bem explicativos, acessíveis e com conteúdo fácil de usar”, indica a assessora de ações inclusivas, Andrea Poletto Sonza.
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