Professores de química e artes podem se unir em projetos interdisciplinares durante o ensino médio, com ganhos na aprendizagem das duas disciplinas. Para isso, a doutoranda em educação em ciências e professora da educação básica, Michele Tamara Reis, sugere o estudo da temática “tintas”.

“Em química, podem ser trabalhados funções orgânicas, grupos funcionais, nomenclatura de compostos, compostos orgânicos e inorgânicos, solubilidade, reações químicas e polímeros”, elenca.

“Já em artes, é possível abordar cores, nuances, texturas, pinturas e obras famosas”, completa.

Outro benefício é que o tema faz parte da realidade dos estudantes da escola pública. “O papel das tintas na proteção de superfícies, na decoração de objetos e na segurança pública, como em placas de sinalização, pode ser destacado”, recomenda.

Reis indica para a dupla de professores o desenvolvimento de duas oficinas: “As tintas presentes no dia a dia” (10 horas) e “A Química e a Arte de Vincent van Gogh” (15 horas).

“A primeira abordaria a constituição básica das tintas, como resina, pigmento, aditivo e solvente. Pode-se estudar o malaquita e sua aplicação na técnica da xilogravura para confeccionar cartões”, exemplifica.

Na segunda, os alunos analisariam os rótulos de produtos usados em pintura a óleo e assistiriam o filme “Com amor, van Gogh”, sobre o pintor holandês.

“Depois, pode se trabalhar o reconhecimento de funções orgânicas presentes na composição química de produtos que o artista utilizava, como absinto, terebintina, óleo de linhaça e tinta a óleo”, pontua.

“Em um terceiro momento, é possível aplicar uma atividade experimental para identificação de alcenos e um estudo de caso para investigação de chumbo em amostras de tinta a óleo”, acrescenta.

O professor de educação artística de São Paulo (SP), Marcos Oliveira, apostou em corantes naturais para um projeto interdisciplinar que explicou substâncias compostas, simples e reações químicas.

“Dá para usar o toá (substância mineral presente no cerrado), casca de beterraba, cúrcuma e urucum em pó”, revela. “Isso permite explorar conteúdos como teoria das cores e a apropriação de matérias no fazer artístico e em processos de criação.”

Jogos de tabuleiros com recicláveis

Na Etec de Taboão da Serra (SP), as professoras Marta Adelina Abad (química) e Janice Normades Rodrigues Penna (artes) criaram um projeto com jogos de tabuleiro. Segundo Abad, a iniciativa é uma opção para escolas sem laboratórios.

 

Produção dos jogos de tabuleiro integrou projeto interdisciplinar de química e artes (crédito: arquivo pessoal Marta Adelina Abad)

 

“Os alunos se inspiraram em jogos de tabuleiro que já gostavam para criar novos modelos e em outros formatos. Cada um abordou um tema presente no semestre, como tabela periódica, química regular e funções orgânicas”, relata ela.

Já nas artes, Penna trabalhou expressão artística, uso de diferentes linguagens e soluções criativas.

“Primeiramente, os estudantes elaboraram um croqui do jogo, em preto e branco. Após o feedback, desenharam a versão colorida e, por fim, criaram o protótipo usando apenas materiais reciclados, como madeira, papelão e plástico”, detalha. “Somente para impermeabilização do jogo é que aplicamos um contact transparente.”

Os jogos de tabuleiro foram vistos por todos os grupos de alunos da classe, que avaliaram se o conteúdo estava correto e as regras, claras.

“Ao final do semestre, eles foram novamente utilizados em aula para o momento de revisão antes da prova final”, afirma Abad.

Crédito da imagem: arquivo pessoal Marta Adelina Abad

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