Um equívoco comum é pensar a escrita como uma habilidade a ser trabalhada exclusivamente nas disciplinas humanas, como Língua Portuguesa e História. Isso incomodava o professor de Química, Wallace Alves Cabral, que decidiu aliar diferentes gêneros textuais à sua aula.  “O único formato de escrita tradicionalmente valorizado nas aulas de Química era o relatório. Contudo, os quadrinhos, as cartas e o diário também podem ser inseridos no campo da ciência”, defende.

Cabral teve a ideia de implantar o projeto “Diário de Cientista” com os seus alunos do 9º ano tanto da escola particular Balão Vermelho, de Juiz de Fora (MG), quanto da Escola Estadual Antônio Macêdo, no município de Ewbank da Câmara, também em Minas Gerais. O objetivo era simples: a partir do conteúdo dos modelos atômicos – que estava sendo estudados naquele momento – os jovens deveriam escrever um diário como se fossem os cientistas John Dalton, Joseph John Thomson, Ernest Rutherford e Niels Bohr.
“Primeiramente, eu apresentei o texto de uma revista que simulava o diário da então presidenta Dilma Rousseff. Na sequência, dividi os alunos em grupos para que escolhecem um cientista. Eles passaram, então, a estudar a biografia e o contexto histórico em que cada um desses homens vivia antes de partirem para o diário’”, descreve.
A rotina do cientista relatada deveria dialogar com os experimentos realizados por ele, com a sua biografia e demais feitos.  Semanalmente os alunos apresentavam as referências pesquisadas e eram orientados pelo professora.  “Meu objetivo não era somente focar na ortografia, mas também na criatividade deles e na produção daquele gênero textual”, ressalta.
Construção histórica
Segundo Cabral, o principal benefício do projeto foi quebrar estereótipos em relação ao que é ser cientista. “Os alunos tinham a visão de que o cientista é um profissional que fica no laboratório, isolado, vestido de branco. Não entendiam, por exemplo, que um professor que faz mestrado e pesquisa também é um cientista”, relata. “Eles perceberam que o cientista é humano. Isso os aproximou da ciência e da ideia de que eles também podem ser cientistas, se quiserem”, destaca.
Além da escrita, houve também uma ligação com a disciplina de História. “Houve o entendimento de que a construção do conhecimento é histórica, assim como a relação das descobertas científicas com momentos importantes, como as guerras mundiais”, relata. Já do lado do professor, o projeto “Diário de um Cientista” permitiu a Cabral uma forma de avaliação mais abrangente do que a prova clássica, de múltipla escolha.  “Nem todos os alunos têm facilidade com a prova tradicional. O projeto permitiu avaliar todo o processo de construção de conhecimento e suas outras habilidades, como o relato oral, a escrita lúdica e a pesquisa”, finaliza.
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