A argumentação é uma habilidade a ser trabalhada já no ensino fundamental e que está conectada à realidade dos alunos.“Argumentar é emitir a opinião acerca de um determinado assunto, relatar um ponto de vista ou fazer a exposição crítica de uma ideia”, resume a mestra em Letras pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e professora de Língua Portuguesa Nadja Santos Monte. Associada a essa habilidade está a contra-argumentação, nem sempre trabalhada pelos professores.

Esta consiste em contrapor, negar ou refutar uma ideia ou conceito apresentado pelo interlocutor. “A contra-argumentação é importante para negociar, defender ideias, reformular pontos de vista e decisões”, justifica Monte. Ela explica que a contra-argumentação pode se dar na oralidade ou por texto escrito. “Além disso, exige a presença de conectivos como ‘mas’ e ‘porém’ durante a sua explanação”, observa.

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Conhecimentos em jogo

Para sondar o que seus alunos do 8º ano do ensino fundamental sabiam sobre contra-argumentação, Monte trouxe o tema para a sala de aula na forma de um jogo lúdico, que serviu como pré-teste. A partir de uma pergunta disparadora e conectada ao dia a dia da turma – se o celular deveria ser proibido em sala de aula – a docente preparou fichas com contra-argumentos sobre o assunto. Cada uma deles ainda eram classificados como fortes ou fracos, de acordo com seu conteúdo e organização de ideias.

“Por exemplo, de um lado, havia o argumento de que o celular interfere na concentração e no raciocínio. Porém, a contra-argumentação lembra que o próprio aparelho também permite acessar à internet e aprender novos conhecimentos e estratégias”, ilustra.

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A experiência originou uma sequência de atividades e uma dissertação de mestrado profissional em letras sobre o assunto. Além disso, Monte publicou o jogo para inspirar outros docentes.
“Ao final do jogo, os estudantes já tinham uma boa percepção do que era questão problematizadora, argumento, contra-argumento e, atrelado aos dois últimos, o conceito de forte e fraco. Além disso, eles estabeleceram, de forma oral, contra-argumentos referentes a alguns argumentos estabelecidos para o jogo”, relata.

Apoio jornalístico

Monte também apresentou aos alunos como o gênero jornalístico pode apoiar o desenvolvimento de contra- argumentos fortes.
“A entrevista, o artigo de opinião, a crônica são textos argumentativos e, por isso, propícios à contra-argumentação. Como tratam de assuntos do cotidiano, são ricos em pontos de vista diferentes e opiniões conflitantes”, informa.

contra-argumentação usando jogo com gênero jornalístico em aula
Alunos da professora Nadja Santos Monte durante atividade (crédito: acervo pessoal)

“Ao ter contato com distintas posições ideológicas, o estudante-leitor também passa a respeitar o pluralismo de ideias”, conclui.Outro ganho foi os alunos compreenderem que todo texto carrega um sentido e que o gênero jornalístico, ao trazerem assuntos cotidianos, estabelecem uma relação íntima entre autor e leitor.

“O contexto pode requerer do leitor uma interpretação construída com base na interação com diferentes elementos, incluindo suas vivências sociais e aspectos de seu cotidiano, além de mobilizar conhecimentos de mundo e, quiça, enciclopédicos”, analisa.

“O estudante pode-se valer desse artifício para melhorar a sua competência leitora, construindo relações entre o texto e a realidade, entre os fatores que lhe permitirão contribuir com seu desenvolvimento intelectual”, finaliza. Para professores que desejam trazer a contra-argumentação para a sala de aula, Monte indica a necessidades de atividades diversificadas e de tratar o assunto em etapas gradativas. “Iniciando sempre pela própria apresentação do conceito”, orienta.

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