Xampu. Condicionador. Pasta de dente. Os adolescentes se relacionam com produtos diversificados de higiene pessoal ao longo do dia, mas nem sempre entendem como estes funcionam ou quais substâncias carregam em suas fórmulas. Foi pensando nisso que a professora da equipe de Química do Colégio Santa Cruz (São Paulo), Vera Lúcia Mitiko Aoki, decidiu trabalhar o estudo destes cosméticos por meio da Química Orgânica com os alunos do 3º ano do Ensino Médio.

“Dou praticamente toda a teoria em aulas expositivas, nas quais trabalho a parte conceitual. Trimensalmente, junto tudo o que eles viram em uma questão prática. Por que o xampu limpa? Como funciona um hidrante?”, questiona.

Impacto no cotidiano

Para estudar os cosméticos, os alunos foram divididos em grupos. Além das aulas em laboratório, os estudos foram realizados de forma colaborativa via Facebook e pela rede social educativa e gratuita, Edmodo. Nesses espaços virtuais, a professora publicou materiais e monitorou o desenvolvimento dos trabalhos. Não demorou muito para as curiosidades investigadas pelos alunos começarem a influenciar o dia a dia dos estudantes.

“O trabalho refletiu na vida deles. Alguns adolescentes passaram a produzir e usar o seu próprio xampu, com menos impacto ambiental. Mesmo após o fim dos estudos, eles continuaram elaborando os seus produtos”, relata a professora.

Outro ponto discutido foi a questão do teste em animais. “Um grupo apresentou um teatro sobre a questão, e a própria plateia se manifestou com placas de protesto. Os alunos foram muito criativos”, orgulha-se.

Por fim, o trabalho também ganhou ares interdisciplinares ao traçar paralelos com as disciplinas de Biologia e Física. “Por exemplo, ao estudar o protetor solar, os alunos precisaram buscar informações sobre o que são e como funcionam os raios ultravioletas”, explica. “Elaboramos um trabalho afinado com os demais professores do colégio e com os outros docentes da equipe de Química”, pontua.

Resultado no Enem

Segundo Vera Lúcia, as notas finais dos estudantes surpreenderam os professores. Aproximadamente 60% dos alunos fecharam o trimestre com notas A e B. “Além disso, eles contaram que foram bem no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e na Fuvest, graças ao projeto. Foi gratificante, pois Química sempre é tida como uma das disciplinas mais difíceis nos exames”, comemora.

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