Estudos de caso são narrativas que trazem um problema ou dilema ético a ser resolvido ao final. “A situação é contada como uma história, com personagem, conflito e até diálogos. Por sua vez, o aluno é convidado a tomar uma decisão para auxiliar os sujeitos retratados na resolução daquele exemplo”, resume a pesquisadora de estratégias de ensino diferenciadas e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Fernanda Luiza de Faria.

“Para chegar a uma resolução, eles pesquisam, aprendem e mobilizam saberes, dando significado aos temas de estudo envolvidos”, acrescenta a professora do Centro de Ensino e Aprendizagem da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Cinthia B. Spricigo.

A seguir, confira 8 respostas sobre a metodologia e formas de utilizá-la no ensino:

Qual a origem da metodologia estudo de caso?

Ela é uma variação da Aprendizagem Baseada em Problemas. Sua origem data da década de 70, na Escola de Medicina da Universidade de McMaster (Canadá). “Um paciente fictício era retratado com sintomas desconhecidos. Os alunos precisavam discutir os indícios para chegar a um diagnóstico”, explica Faria. O modelo foi adotado por outras graduações até chegar à educação básica.

Os casos precisam ser reais?

Não. Casos verídicos podem ser extraídos de reportagens de jornal. “Utilize uma situação de outra cidade ou que seja difícil do aluno encontrar sua resolução na internet”, sugere Faria.

Se a opção for por criar um caso fictício, esse deve dialogar com a realidade do aluno. “Assim, ele verá significado e aplicabilidade no conteúdo curricular estudado”, pontua ela.

Quais habilidades são desenvolvidas?

A metodologia contribui para que os conteúdos curriculares façam sentido, uma vez que é aplicada a situações reais ou que poderiam ser verdadeiras. “Desenvolve o raciocínio, a capacidade de interpretação de textos e de argumentação fundamentada. Além disso, como é desenhada para equipes, estimula o trabalho colaborativo”, lista o professor do Centro de Ensino e Aprendizagem da PUC-PR, Paulo Góis.

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Como o estudo de caso pode ser aplicado?

Os alunos são divididos em grupos, nos quais levantam hipóteses e argumentam até chegar a um veredito. Outra variação é os grupos criarem casos e trocarem entre si para resolução. “Também pode ser realizado de forma não participativa, quando o professor expõe o caso, aponta as hipóteses e sugere as decisões”, descreve Faria.

Os estudantes podem usar um “diário de bordo”, para registrar as fontes de pesquisa e os dados encontrados. “O professor pode orientar como identificar fontes confiáveis e não confiáveis, como fake news”, aconselha a docente.

Como deve ser a mediação do professor durante o processo de aprendizagem?

Ele não deve fornecer pistas, mas sim perguntar às equipes sobre os caminhos que os levaram àquelas respostas. “Isso direciona o caso e estimula a reflexão”, diz Góis. Caso o professor perceba pontos não observados pelos alunos, pode alimentar a discussão com novos questionamentos.

O docente ainda precisa conhecer o caso a fundo antes de trazê-lo para a aula. “Ao final, o educador precisará responder a questionamentos diversos dos alunos sobre os motivos das suas soluções serem adequadas e inadequadas”, justifica Faria.

Qual o melhor momento para aplicar essa metodologia?

Para Spricigo, a metodologia é mais efetiva quando é apresentada aos estudantes antes do estudo do conteúdo curricular.

“Um erro muito comum é acreditar que os alunos somente resolverão uma situação depois do conteúdo ensinado. No estudo de caso, eles são estimulados a fazerem inferências baseadas em análise e reflexão, mesmo de tópicos ainda não ministrados”, defende.

“Vemos que eles pesquisam e fazem descobertas por conta própria, e aprendem mais do que apenas na aula expositiva. Desenvolvem, em conjunto, capacidade de leitura crítica e reflexiva”, completa.

O estudo de caso pode ser utilizado em todas as disciplinas?

Sim. Faria o utiliza no ensino de química e ciências naturais. “Houve o caso de um vazamento de produtos químicos em uma indústria, com o aparecimento de estátuas corroídas na cidade vizinha. A partir dos indícios, os alunos precisariam relacionar o problema à chuva ácida e entender os gases presentes nesse fenômeno”, exemplifica.

Qual a diferença do estudo de caso para a aprendizagem baseada em problemas?

O caráter de história, com personagens. “Os estudos de caso têm narrativas com muita informação, o que permite que sejam resolvidas, muitas vezes, no tempo de uma aula. Os problemas costumam ser mais abertos, exigindo mais pesquisa”, complementa Spricigo.

Crédito da imagem principal: Wavebreakmedia – iStock

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