Supervisora e diretor da Biblioteca Mário de Andrade, Tarcila Lucena e Luiz Armando
Bagolin, e diretor da Biblioteca Nacional, Renato Lessa (Crédito: Leonardo Valle) 


Em um momento marcado pelo fluxo de informações oferecido pela internet e por jornadas de trabalho pouco flexíveis nas cidades, qual é o futuro das bibliotecas públicas? Essa foi uma das questões discutidas na palestra “O lugar das bibliotecas na contemporaneidade”, que aconteceu, neste domingo (28/8), na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Para o diretor da Biblioteca Mário de Andrade, Luiz Armando Bagolin, a digitalização do acervo e a abertura da biblioteca em horários alternativos são tendências para o futuro das bibliotecas.“A biblioteca só tem sentido quando há leitor. A digitalização é uma forma de disponibilizar o acervo para novos leitores. Ainda não digitalizamos nosso acervo, uma vez que optamos por montar o projeto internamente e não terceirizar o serviço. Queríamos criar o know how da digitalização e do uso de novas plataformas dentro da nossa equipe interna”, justificou o artista plástico.
Desde outubro de 2015, a Biblioteca Mário de Andrade passou a funcionar 24 horas. O motivo é atrair jovens e profissionais que não possuem jornadas de trabalho flexíveis, contando com horários livres apenas à noite ou aos finais de semana. “A biblioteca tem que estar sintonizada com a sua cidade. Muitos estudantes e profissionais estão pelo centro ainda no período da noite, e não possuem bibliotecas em seus bairros. É uma forma de melhorar o acesso dessas pessoas aos livros”, justificou Bagolin.
“Nem todos sabem que o acervo da Mário de Andrade conta com 55 mil livros raros”, explica. “Também penso que as bibliotecas são centros culturais. Temos um acervo grande, por exemplo, de peças de teatro e dramaturgias. Assim, faz sentido levarmos o teatro para dentro da biblioteca em algum momento”, opina.
Comunicação via redes sociais 
Entre as outras mudanças implantadas recentemente na Biblioteca Mário de Andrade, estão a oferta de wifi gratuito e automatização dos serviços de retirada e entrega dos livros – realizados agora pelos próprios leitores. Além disso, há um esforço em aumentar os canais de comunicação com seus visitantes. Projetos como o cineclube Cinemário aceitam sugestões de filmes dadas por leitores via Facebook.
Criar demanda
Segundo o presidente da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro (RJ), Renato Lessa, apenas as bibliotecas sozinhas não irão resolver o problema dos baixos índices de leitura no país. “Para a biblioteca funcionar, é preciso ter demanda de leitores. E como se faz isso? Com políticas públicas de incentivo à leitura. As pessoas também precisam adquirir o hábito de irem à biblioteca. Por esse motivo, as bibliotecas escolares e as bibliotecas de bairro são importantes para criar a cultura do livro”, destaca.

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