Estética, arte, ilustração, beleza e forma. Quando se pensa em design, são as palavras que geralmente chegam à mente das pessoas. No entanto, a concepção de design é maior que apenas o foco no instrumental e na técnica, está relacionada a uma forma de pensar – um conceito chamado de design thinking. Recentemente, a concepção também está sendo usada para melhorar processos educativos. “Traz uma abordagem de como criar uma maneira que valoriza a educação inovadora, pensamento que muitas pessoas já têm”, destaca a diretora do Instituto Educadigital, Priscila Gonsales.

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Três pilares definem mais assertivamente o que é o design thinking, de acordo com um dos autores do livro Design Thinking Brasil e fundador da Escola de Inovação em Serviços (Eise Lab), Tennyson Pinheiro. Empatia ou identificação, abordagem colaborativa e curiosidade aguçada. “Design thinking não é ferramenta, como Photoshop, e nem processo. É uma forma de abordar problemas, uma atitude experimentadora e colaborativa. O pensamento é maior do que o processo, é a cultura de projetar com o ser humano no centro”, explica.
Etapas do design thinking orienta a fazer entrevistas e observações participativas (Crédito: reprodução)

O Instituto Educadigital, tem utilizado o design thinking em suas atividades de formação com educadores e gestores desde 2010. Priscila foi a responsável por remixar o material sobre o assunto criado pela Ideo, uma empresa estadunidense que tem disseminado o conceito como inovação (acesse a versão em português do material aqui). “Descobri que tem tudo a ver com educação. Trabalhar com processo dialógico, experiências colaborativas, com um objetivo de melhor atender público, que pode ser o aluno dentro da sala de aula, ou mesmo um corpo docente em algum tipo de formação”, comenta ela.

Priscila alertou que a abordagem estimula o educador a pensar em processos que obtenha mais atenção e envolvimento dos alunos, independente da disciplina a ser ministrada. Um roteiro instigante com a temática bioma [conjunto de diferentes ecossistemas], por exemplo, poderia ser: formar grupos com os alunos; pedir para cada um elencar o que sabem e o que gostariam de saber sobre bioma; estimular a pesquisa: analisar sites e conversar com pessoas que vivem em diferente biomas; alertar para o fato de a mata atlântica estar devastada; e pensar o que poderia fazer para denunciar. “Mas isso é uma dentre tantas possibilidades. O professor já faz a ponte com o conteúdo que ele quer dar, mas com criatividade. Todos somos criativos, mas precisamos praticar. Não basta só reproduzir o livro.”

Para Tennyson, trazer o design thinking para a educação significa partir para um ponto de vista mais humanístico de ensino. “Olhar e construir modelos educacionais a partir do ponto de vista de quem usa e vivencia esse modelo, que são as crianças e jovens. Fazer o contrário do que acontece no clipe daquela música do Pink Floyd, “Another Brick in the Wall”, que os alunos saem todos sem expressão, com o mesmo rosto. A escola não pode ser contra a criatividade dos alunos. Ela pode criar mentes brilhantes, é o que nós precisamos”, ressalta ele.

“Muitas coisas que design thinking aponta não são novas. Paulo Freire, [o pensador russo Lev Semenovitch] Vygotsky, e outros já traziam, mas agora ganha mais evidência por conta da internet, já que todo mundo pode ser consumidor e transmissor de informação”, diz a responsável pelo Educadigital. “Muitos educadores já pensam na colaboração. Às vezes já fazem sem saber que fazem. Práticas mais motivadoras, mais lúdicas, aluno com a mão na massa, colaborando com o grupo, e criando coisas novas”, completa.

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