O desenvolvimento profissional do professor requer uma reflexão crítica sobre a sua prática em sala de aula. Para ajudar nesse processo, o pesquisador da Universidade de Deakin (Austrália), John Smyth, desenvolveu em 1986 uma ferramenta de análise conhecida por “Ciclo Reflexivo de Smyth”.

Ela é baseada em quatro fases a serem respondidas pelo professor da educação básica de qualquer etapa ou disciplina: descrever, informar, confrontar e reconstruir. 

“Possibilita clareza sobre objetivos e teorias que subsidiam sua prática, reflexão sobre elas e o redirecionando das suas ações para atingir o que almeja”, resume a professora do Colégio de Aplicação João XXIII, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e supervisora do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), Fernanda Bassoli.

“Os benefícios incluem autoconhecimento, desenvolvimento da autonomia e de estratégias de pesquisa sobre a própria prática, aproximação e coerência entre teorias e práticas, além de construção de conhecimentos sobre o processo de ensino”, enfatiza. 

Docente do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), Carmen Fernandez entende que o mais importante para o professor é o desejo de estar aberto ao novo e mudar sua prática.

“Não seria indicado para professores ao final de carreira ou aqueles ainda sem muita experiência prática em sala de aula”, recomenda. 

Trabalho em grupo

Em cada uma das quatro etapas, o professor deve refletir e responder sobre os propósitos solicitados.

“Descrever: o que eu faço? Informar: qual o significado do que faço? Confrontar: como cheguei a ser dessa maneira? Reconstruir: como poderia fazer as coisas de forma diferente?”, orienta Fernandez.

A primeira etapa, de descrição, pode ser realizada após gravar e assistir a própria aula. Manter diários com anotações do dia a dia com a classe também ajuda.  “Na sequencia, produza um texto relatando sua aula”, sugere ela, que atua com formação de professores.

O segundo texto, sobre informar, deve conter uma justificativa teórica para suas ações. Já no terceiro, o de confrontar, reflete-se o porquê está atuando assim e se há sintonia entre teoria e prática.

“Por fim, o professor tenta produzir um quarto texto onde ele reconstrói sua aula e propõe realizar as atividades de acordo com suas convicções”, indica Fernandez. 

O ideal é que esse processo seja feito em grupo, no qual cada professor possa analisar sua aula e a de um colega, sob supervisão de um orientador.

De acordo ainda com Bassoli, a reflexão deve estar alicerçada nas teorias com as quais o professor se identifica ou que são usadas no Projeto Político Pedagógico (PPP) da instituição na qual atua.

“Por exemplo, se a professora se identifica com a perspectiva construtivista e busca com que seus alunos construam seu próprio conhecimento, tal referencial teórico deve ser estudado e utilizado para subsidiar seu ciclo reflexivo”, indica. 

Visão distorcida

Para Bassoli, um risco relacionado à “tomada de consciência” promovida pelo ciclo reflexivo é o docente apresentar uma visão negativa sobre si mesmo, o que abala sua autoconfiança e autoimagem.

“Acontece ao se perceber desencontros entre discursos, pensamentos e práticas. Por isso, é importante o suporte e apoio muito de outros docentes durante a troca de experiências”, alerta. 

“Para suporte acadêmico e emocional, destaco a importância das parcerias entre as universidades e as escolas”, diz. 

Vale ainda não se cobrar excessivamente e lembrar da necessidade das redes em dar suporte a formação inicial e complementar do professor. 

“O ciclo não pode ser usado como mais uma ação ou responsabilidade a ser atribuída aos docentes individualmente”, reforça. 

Veja mais: 

Pré e pós-teste ajudam professor a identificar lacunas na aprendizagem
 “Aluno-problema”: por que alguns estudantes são estigmatizados?
Como elaborar ou revisar o Projeto Político Pedagógico?

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