O trabalho em grupo é uma oportunidade que a escola oferece aos alunos para desenvolverem habilidades socioemocionais. “Ele ajuda a desenvolver aspectos sociais de negociação, de aprender a esperar seu tempo de propor ideias, de verbalizar o que se está pensando, de pensar e raciocinar”, explica a professora titular aposentada da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) Magda Floriana Damiani.

O ideal é que o trabalho cooperativo seja iniciado desde muito cedo, já nos primeiros anos do ensino fundamental. “É uma forma de aprender uma convivência ética, democrática e pacífica. Ajuda a lidar com perdas e ganhos quando as ideias que propomos são aceitas ou recusadas”, completa a psicóloga e professora do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Ana Maria Falcão de Aragão.

Confira, a seguir, oito orientações para professores de todas as etapas da educação básica e disciplinas antes de propor uma atividade em grupo aos alunos.

Proponha situações prévias de cooperação

Antes de sugerir um trabalho ou projeto em grupo, pode-se propor atividades ou situações simples que desenvolvam habilidades prévias de cooperação.“É possível pensar o tempo todo em atividades de cooperação na aula, até para fazer frente a uma cultura de competição que é mais comum, de quem consegue mais, quem será o primeiro”, opina Aragão.

“Proponha situações simples, como perguntar quem pode ajudar ou contribuir com um colega ou pedir para os próprios alunos resolverem uma situação em que há poucos brinquedos ou materiais para muitas crianças. São atividades em que os alunos aprendem a dividir, a cooperar, a serem solidários e a respeitarem os outros”, exemplifica Aragão.

Inicie com atividades em duplas e progrida

Antes de iniciar um projeto com grupos de cinco ou seis alunos, Aragão recomenda que os alunos sejam convidados a trabalhar primeiro em duplas, depois em trios, até progredirem para grupos maiores.

“É importante iniciar devagar, para as crianças aprenderem a compartilhar ideias, a ouvir, a negociar e a lidar com a frustração, entendendo que, às vezes, a ideia que ela propôs não foi tão legal”, justifica Aragão.

Leia mais: 5 perguntas sobre aprendizagem entre pares

Invista em grupos heterogêneos

“É importante formar um grupo colaborativo em que haja pessoas de diferentes níveis de habilidades e conhecimentos. Isso propiciará diálogo entre elas. Se todas possuírem um conhecimento prévio igual, esses aspectos de negociação e de aprender com o diferente serão apagados”, destaca Damiani.

Confira também: Vídeo – Como fazer trabalho em grupo em salas de aula heterogêneas?

Faça um diagnóstico comportamental das crianças antes de montar os grupos

“Colocar uma criança que sempre lidera com outra que aceita tudo pode dificultar a aprendizagem de ceder e negociar de ambas”, alerta Aragão.“Assim, é importante identificar as crianças que sempre lideram, as que nunca querem participar, as que aceitam tudo e as que não aceitam proposta alguma para, depois, expô-las a grupos com diferentes perfis”, completa.

A princípio, evite grupos divididos por afinidade

Há inúmeras formas de dividir uma classe em grupo: aleatório, por afinidade e por diferentes níveis de conhecimento. Aragão orienta, a priori, evitar que os grupos sejam definidos por afeto – as famosas “panelinhas”.“É fundamental eles aprenderem primeiro a trabalhar com pessoas que não possuem afinidades para desenvolverem habilidades de justificar suas ideias, negociar e ceder”, justifica.

“Se eles já estão acostumados a trabalhar com um determinado colega, é comum que as dificuldades de um sejam supridas pelo outro. Como se um aluno se escondesse atrás do outro”, explica Damiani.

Evite grupos grandes

“Um grupo colaborativo acontece quando todos contribuem, participam, tomam decisões colegiadas e se responsabilizam por elas. Porém, expressar-se é mais difícil em grupos grandes”, pontua Damiani. “Muita gente também facilita um encobrimento: crianças tímidas evitando se expressar e membros mais expansivos se colocando à frente das decisões”, pontua.

Evite grupos com divisão de trabalho

“O desenvolvimento colaborativo, social e intelectual fica comprometido em grupos em que há divisão de trabalho, ou seja, em que cada aluno faz um trabalho individual e essas partes são juntadas ao final”, alerta Damiani.“O trabalho realizado deve ser um produto final dos quatro alunos, o que é uma dimensão que nem sempre eles entendem”, aponta Aragão.

Faça apontamentos antes de iniciar a atividade

Antes de iniciar o trabalho, coloque todas as observações. “Explique que há pessoas que conseguem comunicar as suas ideias de forma melhor, mas o mais importante é que todos do grupo sejam ouvidos e façam propostas. E que aquela ideia que inicialmente parece boa pode ser melhorada e avançar ainda mais quando todos colaboram”, finaliza Damiani.

Veja mais:

Trabalho em grupo: 6 links para ajudar o professor a propor atividades

Como trabalhar habilidades socioemocionais usando metodologias ativas?

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