As interações que acontecem fora da escola também são importantes para o desenvolvimento do aluno. Esse é um princípio das Cidades Educadoras – movimento começado em 1990 que visa trabalhar a escola como espaço comunitáro e a cidade como um meio educador. “Se entendemos que a educação é algo permanente, que se dá ao longo de toda a vida, e que todos são capazes de aprender, veremos que a escola é mais um agente nesse processo, mas todas as outras interações que realizamos são essenciais para uma formação plena”, descreve a gestora do programa Cidades Educadoras da Associação Cidade Escola Aprendiz, Raiana Ribeiro.

Assim, o território que cerca a escola seria um agente importante para a aprendizagem e pode ser aproveitado por professores de todas as disciplinas. “Aproximar a comunidade da escola, abrir-se para o território, contribui para que a escola se reconheça como um agente de transformação do bairro”, assinala.  Conheça abaixo seis dicas para utilizar o entorno da escola como espaço educativo.

1 – Mapeie o entorno 
Identifique quais espaços, práticas e usos o território apresenta e que se articulam com o projeto político pedagógico da escola. “Recomendo que isso seja realizado de forma participativa, envolvendo os estudantes. Afinal, eles moram, frequentam ou transitam pelo território e estão aptos a reconhecer potencialidades e fragilidades no entorno”, orienta Raiana. Colocando-se como facilitador dessa atividade, o professor pode, por exemplo, realizar parcerias, aproximando novos agentes do processo educativo.
2 – Escolha uma intervenção
O mapeamento do bairro pode apoiar alguma intervenção da comunidade escolar no entorno, seja ocupando uma praça, trabalhando a questão do descarte de resíduos ou a recuperação de um rio. “O território oferece múltiplas possibilidades para o trabalho do professor, é preciso considerá-lo no processo educativo”, resume a gestora.
3 – Converse com os vizinhos
Os vizinhos mais antigos oferecerão informações interessantes sobre a história e o processo de formação do bairro como, por exemplo, quais imigrantes e migrantes o local recebeu e quais foram os primeiros prédios construídos.
4 – Alie o currículo da história com o território
Não raro as crianças crescem sem conectar o conhecimento adquirido na escola com o local onde vivem. “Como é a mobilidade no bairro? Há mais casas ou prédios? Há espaços públicos destinados à convivência, ao esporte e ao lazer? As pessoas se conhecem e se comunicam? Isso tudo pode ser usado pelo professor no processo de articulação do território com o currículo”, sugere. As possibilidades oferecidas pelo território são bem variadas. A vegetação do entorno, por exemplo, pode ser explorada na disciplina biologia, enquanto as frases dos muros podem virar material para língua portuguesa.
5 – Não confunda o uso do território com excursão 
Embora o passeio seja parte importante do processo, a relação escola-território pressupõe uma interação com os diferentes agentes da cidade. “O desafio é exatamente articular a realidade local com o que a escola se propõe a desenvolver com os estudantes. É preciso incluir a escola nos debates sobre o futuro daquele território e articular instâncias de participação social na comunidade”, alerta.
6 – Leve materiais para explorar o local 
Mapas, lupas, lápis, caderno, gravador e máquina fotográfica podem apoiar a exploração do território. Mas eles não são pré-requisitos, já que o território deve ser, principalmente, observado e vivido. “Se a atividade propõe, por exemplo, escutar a história de uma liderança comunitária local, ouvidos atentos serão a única exigência.”
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