A transição do fundamental 2 para o ensino médio nem sempre é tranquila para os alunos. “O número de disciplinas, a quantidade de professores e a cobrança por mais responsabilidade aumentam”, lista a diretora regional pedagógica do estado do Rio de Janeiro, Maria Lídia Santana Souza.

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Além disso, o novo ciclo pode vir acompanhado de mudança de escola, o que implica em novos colegas, novo currículo e nova metodologia de ensino. “Não raro a escola do ensino médio recebe esse aluno de forma bastante inflexível, não levando em conta suas dificuldades. O resultado é que muitos estudantes não se adaptam e o índice de reprovação e evasão escolar aumenta”, lembra a professora do curso de Pedagogia da Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), Maria Beatriz Titton. Confira, a seguir, cinco dicas das pedagogas para facilitar a transição entre os dois ciclos.

Responsabilidade do ensino médio
Segundo Maria Beatriz, a transição do aluno deve ser uma preocupação do ensino médio, não do ensino fundamental 2. “Algumas escolas do fundamental tentam preparar os alunos para o ensino médio em relação à carga de estudos, por exemplo. Contudo, não devemos antecipar os saberes e os desafios que esses alunos precisam vivenciar no momento certo. Há situações que são próprias da etapa seguinte e devem ser respeitadas”, explica ela, que estudou o tema em seu doutorado.

PPP pode ajudar
Para acolher esses estudantes, o alinhamento do Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola à realidade dos alunos que chegam é importante, indica Maria Beatriz. “O PPP deve negociar aquilo que o ensino médio propõe com aquilo que os alunos trazem de bagagem. O que vemos é o contrário: escolas do médio esperando encontrar alunos já prontos”, denuncia. “A escola do médio deve conhecer o perfil de aluno do fundamental que costumam transferir seus alunos para lá. Entender as dificuldades e projetos de vida desses estudantes”, esclarece.

Abra a escola para possíveis alunos
O aluno da rede pública nem sempre tem muitas opções na hora de escolher a melhor escola para cursar seus três últimos anos de educação básica. Ainda assim, Maria Beatriz sugere que a instituição de ensino médio abra suas portas para que possíveis alunos interessados possam  visitar seus espaços e conhecer seu programa de ensino.

Programe aulas de reforço
O aluno Josean dos Santos Ferreira, de 15 anos, deparou-se com um currículo muito mais puxado quando chegou ao ensino médio. Para ele, a solução foram as aulas de reforço oferecidas quinzenalmente pela sua nova escola. “Foram bastante úteis durante os primeiros meses de transição”, opina.

Faça um calendário de estudos 
Para Mariana Cappelari, de 15 anos, a principal dificuldade enfrentada com relação ao fundamental foi o calendário de estudos. “Como novas disciplinas entraram na grade, a quantidade de horas por dia que uso para estudar precisou aumentar”, assinala. De acordo com a pedagoga Maria Lídia, o professor pode ajudar esse aluno a não se perder em meio à nova carga horária. “Sugiro a montagem, junto com o aluno, de uma planilha de estudo, visando as regularidade e assiduidade na rotina de estudos”, recomenda.

Enturme alunos e professores 
Começar a se enturmar com os novos colegas e professores foi difícil tanto para Josean quanto para Mariana. “Sou tímida para começar a puxar conversa”, afirma a estudante. Nesse caso, a saída é programar uma aula inaugural – para apresentar a escola e os professores – assim como dinâmicas e trabalhos em grupo nas primeiras semanas do semestre.

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