É comum a escola ser ponto de abandono de cães e gatos ou estar em uma área da cidade onde isso acontece. Esse foi o caso da Escola José Elias de Oliveira, no município de Ilhota (SC), localizada em uma região rural.“O abandono de animais acontece na própria escola ou no entorno. Como a nossa escola é um lugar de maior movimentação na região, mesmo quando abandonados em outros locais, eles acabavam se deslocando para cá”, relata o professor de educação física Paulo Pereira.

“Muitos deles chegam com sinais de maus tratos e situações precárias, magros, com fome, com carrapatos, pulgas, sarnas e outras questões que poderiam refletir na saúde da comunidade escolar também”, compartilha.

O professor de educação física da Escola José Elias de Oliveira (SC) com Lulu, mascote do projeto contra o abandono de animais e que foi adotada pela família de uma aluna (crédito: acervo pessoal)

História similar aconteceu na U.M.E. Prof.ª Therezinha de Jesus Siqueira Pimentel, em Santos (SP). Durante a pandemia, os professores aplicaram um questionário socioambiental com os alunos e familiares no qual foi verificado um incômodo com o número de animais abandonados no entorno da escola.

“A partir desse apontamento, havia um objetivo geral de ensinar como exercer a empatia e cidadania por meio da aprendizagem solidária”, explica a professora do ensino fundamental Renata Burgos. Tanto as duas escolas quanto a Escola Sesc do Amapá, em Macapá (AP), viram na situação uma oportunidade para desenvolver um projeto pedagógico interdisciplinar sobre o tema.

“Criamos o projeto para conscientizar sobre os cuidados com os animais domésticos; a importância de diminuir ou eliminar os casos de maus tratos; alertar que essa prática é um crime; mostrar as consequências de se ter animais nas ruas e, por fim, incentivar a adoção de animais resgatados por ONGs”, lista a professora do ensino fundamental Suelen Lobato.

Projeto no Sesc Amapá (crédito: divulgação)

A seguir, as três escolas compartilham suas atividades para trabalhar pedagogicamente o tema do abandono de animais com os estudantes. “Além de atingi-los, sabemos que eles levam as informações aprendidas para suas casas e é uma forma de conscientizar os familiares também”, justifica Pereira.

Construção de casinhas para os animais com materiais recicláveis

Os próprios alunos da U.M.E. Prof.ª Therezinha de Jesus Siqueira Pimentel indicaram como ação a construção de casinhas para pet, a serem doadas na comunidade escolar. Os professores encontraram um modelo que necessitava de 94 a 110 caixinhas de leite para confeccionar cada unidade. Iniciou-se, assim, uma campanha de arrecadação desse material. “Os alunos eram responsáveis desde a higienização até a montagem. Para isolamento de umidade e frio na casinha, colocamos uma manta de polietileno”, revela Burgos.

Entre os conteúdos gerais, foram discutidos o que é doação, solidariedade e desenvolvimento sustentável; a estrutura das embalagens tetra pak e competências também previstas no projeto político pedagógico (PPP) da escola. “Caso de autoconhecimento e autocuidado, empatia e cooperação e responsabilidade e cidadania, tendo os alunos como agentes transformadores”, destaca a professora.

Em língua portuguesa, foram trabalhados leitura de notícias de jornal e construção de resumo; práticas de leitura e interpretação de texto; produção textual e técnicas de oralidade, como entrevista e questionário.“Em matemática, destacamos o raciocínio lógico, ângulo, perímetro e área para a construção das casinhas recicláveis. Em geografia, abordou-se o entono da escola e orientação geográfica”, relata Burgos.

Em Ilhota (SC), uma das etapas do projeto foi a construção de casinhas com madeiras, telhas e outros materiais que os alunos já possuíam em casa. A construção foi realizada e supervisionada pelos professores. “No caso da educação física, um ganho foi o desenvolvimento de princípios de cooperação e trabalho em grupo, aponta Pereira.

Circuito de palestras

Segundo Pereira, foi importante para a conscientização dos alunos que as discussões não fossem realizadas apenas pelos professores da escola, mas trazer profissionais de fora da comunidade escolar para falar sobre o tema

Leia também: 6 links com atividades para trabalhar a empatia na escola

As palestras foram organizadas em dias distintos e, entre os convidados, estavam um médico veterinário, um profissional da vigilância sanitária, um responsável por um abrigo de animais abandonados e um policial civil envolvido com a causa animal.

A Escola Sesc do Amapá também optou por palestras. “O veterinário explicou os cuidados que devemos ter com os animais em casa. Já a ONG esclareceu o seu trabalho e contou histórias e ações para manter o local em atividade”, relata Lobato.

Visita a abrigos de animais

No projeto da U.M.E. Prof.ª Therezinha de Jesus Siqueira Pimentel, os alunos foram convidados para visitar a ONG DVA, que cuida de animais abandonados, maltratados, além de conhecerem o trabalho de castração e atendimento que é realizado diariamente.

O mesmo acontece na iniciativa de Ilhota. “Optamos por levar eles em um abrigo de animais abandonados e em uma escola de treinamento de cães guias para eles compararem as instituições e refletirem sobre”, conta Pereira.

“No abrigo, eles puderam ver a realidade de fato, como os voluntários trabalham, a dificuldade em manter a estrutura. Ao final, fizemos uma campanha de arrecadação de tampinhas plásticas que são vendidas pelo abrigo a empresas de materiais recicláveis para pagar uma parte do custo com ração e remédios”, explica.

Dia do animal na escola

O projeto da escola Sesc foi encerrado com o “Dia dos animais na escola”, quando alunos, professores e funcionários puderam trazer os pets para a escola e os apresentarem à turma. “O principal cuidado foi com os alunos e de como seria o comportamento do animal na escola, então foi organizado um local na escola para que as famílias mostrassem seu animal para as crianças e que esse contato fosse o mais prazeroso possível. Os alunos levaram seus animais para as salas e compartilharam suas experiências”, diz Lobato.

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