São chamados quilombos as comunidades formadas historicamente por populações negras que resistiram à escravidão e construíram modos próprios de organização social e cultural. Além de serem reconhecidos como espaços de resistência, os quilombos preservam conhecimentos ligados à ancestralidade, memória coletiva, práticas agrícolas, religiosidade, manifestações artísticas e formas comunitárias de viver e ensinar que constituem o patrimônio cultural brasileiro.
Apresentar tais saberes aos alunos da educação básica é uma forma de valorizar a contribuição histórica das populações negras para a formação do Brasil, além de combater estereótipos e fortalecer práticas pedagógicas antirracistas. Essa abordagem é respaldada pela Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira na educação básica.
O tema também aparece nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola (Resolução CNE/CEB nº 8/2012), que orientam a valorização das memórias coletivas, dos territórios, das práticas culturais e dos saberes tradicionais quilombolas nos currículos escolares.
Os saberes quilombolas podem ser trabalhados de diferentes formas em sala de aula: por meio de literatura, música, oralidade, culinária, manifestações culturais, discussão sobre territorialidade e ancestralidade e leitura de obras produzidas por pesquisadores e autores quilombolas.
Confira, a seguir, seis livros que ajudam a apresentar saberes quilombolas na educação escolar!

Práticas pedagógicas de professores em escolas de comunidades quilombolas
Dalva de Araujo Menezes; RV; 2023
A obra apresenta práticas pedagógicas desenvolvidas em escolas de comunidades quilombolas e sua relação com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola. A pesquisa mostra como essas diretrizes dialogam com experiências construídas no cotidiano escolar, fortalecendo a formação docente.

Educação escolar quilombola no Brasil: um olhar a partir de referenciais curriculares e materiais didáticos estaduais
Elivaldo Serrão Custódio; Dialética; 2023
O livro analisa referenciais curriculares e materiais didáticos de educação escolar quilombola da educação básica em diferentes estados brasileiros, em diálogo com as Diretrizes Curriculares Nacionais. A pesquisa realiza um estudo comparativo sobre currículos, práticas pedagógicas e formas de ensino da educação quilombola no país, identificando semelhanças, diferenças e desafios presentes nos sistemas estaduais de ensino.

A educação no quilombo e os saberes do quilombo na escola
Patrícia Gomes Rufino Andrade; Appris Editora; 2018
A obra propõe novas formas de pensar a negritude e os territórios quilombolas, valorizando narrativas historicamente invisibilizadas. A partir de memórias, oralidade e experiências vividas na comunidade quilombola de Monte Alegre (ES), a autora aborda histórias, personagens e manifestações culturais como o caxambu.

Educação escolar e saberes tradicionais quilombolas
Laura Belém Pereira e Hellen Cristina Picanço Simas; Atena Editora; 2024
A obra analisa os desafios e possibilidades da educação escolar quilombola a partir de uma pesquisa realizada no Quilombo do Tambor, no Amazonas. As autoras investigam como os saberes tradicionais quilombolas são incorporados às práticas pedagógicas e discutem o papel da escola na valorização da identidade, da memória e das práticas culturais ancestrais.

Educação quilombola: territorialidades, saberes e as lutas por direitos
Givânia Maria da Silva, Romero Antonio de Almeida Silva e outros (orgs.); Jandaíra; 2021
O livro reúne textos que refletem sobre a luta quilombola, a educação e as disputas territoriais no Brasil, destacando experiências de comunidades quilombolas. Os trabalhos, resultantes da I Jornada Nacional Virtual de Educação Quilombola, discutem direitos, resistência e valorização das múltiplas existências quilombolas.

Educação escolar quilombola: saberes, fazeres e práticas
Elivaldo Serrão Custódio e Eugénia da Luz Silva Foster (orgs.); Editora Bagai; 2025
A obra reúne pesquisas sobre educação escolar quilombola em contextos amazônicos, abordando temas como ancestralidade, memória, território e direitos. Os capítulos discutem desafios e possibilidades da escola quilombola como espaço de resistência e valorização identitária, defendendo práticas pedagógicas antirracistas, decoloniais e voltadas à equidade.
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