Filmes e séries podem ajudar o professor a melhor compreender o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por padrões de desatenção, hiperatividade e impulsividade, que podem afetar o desempenho escolar de alunos e as suas relações com colegas.

“As causas do TDAH envolvem principalmente fatores genéticos e alterações no funcionamento de neurotransmissores no cérebro, podendo também ser desencadeado por fatores ambientais”, resume a psicóloga especializada em TDAH Jennifer Barros.

O TDAH costuma surgir na infância e impacta diretamente o aprendizado. “Pessoas com o transtorno podem apresentar prejuízos nas funções executivas, como dificuldade na memória de trabalho, no controle de impulsos, na percepção do tempo e no planejamento, além de episódios de hiperfoco que dificultam alternar a atenção”, descreve a psicóloga especializada em TDAH Iorrana Cruz.

Nem toda criança com TDAH será hiperativa, ou seja, agitada e com dificuldade de controlar fala e movimentos.

“Existem três tipos principais de TDAH: o predominante desatento, o predominante hiperativo/impulsivo e o combinado, que reúne desatenção e hiperatividade”, descreve Barros.

Já o tratamento é interdisciplinar e envolve terapia, orientação aos pais, suporte escolar e, quando necessário, acompanhamento psiquiátrico com medicação. “O objetivo é promover autonomia, ajudando a criança a entender como seu cérebro funciona para superar barreiras e se desenvolver melhor”, ressalta Cruz.

Desconstruindo mitos

Barros lembra que os primeiros sintomas do TDAH costumam aparecer justamente na fase escolar, por volta dos seis ou sete anos, quando passam a ser exigidas mais autonomia e concentração da criança.

“É importante o professor entender que se trata de um funcionamento cerebral diferente: não é falta de inteligência ou vontade, mas uma forma única de aprender. Isso exige métodos de ensino inclusivos que atendam tanto crianças neurodivergentes quanto as demais”, orienta Barros.

Segundo ela, as produções audiovisuais que abordam o TDAH podem ajudar a desconstruir mitos relacionados ao transtorno que aparecem em ambiente escolar.

“Muitos adjetivos pejorativos podem ser atribuídos ao aluno com TDAH, como preguiçoso, burro, lerdo, desatento, ‘louquinho’ ou alguém que vive ‘no mundo da lua’ e não quer aprender. É comum pedirem que a criança se esforce mais, quando, na verdade, ela já está extraindo o máximo de si a partir do que a escola oferece em termos de metodologia de aprendizagem”, afirma Barros.

“Outro mito comum é o da criança que ‘não tem limites’, de o TDAH ser resultado de uma criação permissiva”, complementa Cruz.

Para Cruz, o professor tem uma função importante na identificação do transtorno. “Ele é o observador mais estratégico do desenvolvimento infantil, pois a sala de aula é o ambiente de maior exigência das funções executivas. Conhecer o transtorno permite diferenciar o que é um comportamento desafiador de um sintoma neurobiológico, evitando punições ineficazes”, enfatiza Cruz.

Filmes para conhecer o TDAH

Filmes podem trazer mais conhecimento sobre como os sintomas atuam em quem vive com o transtorno.

“A construção da narrativa gera empatia, evidencia os impactos do transtorno, fortalece o diálogo entre escola e família e aproxima a teoria da vivência do aluno”, lista Cruz.

“Porém, são necessários cuidados. Produções audiovisuais podem mostrar apenas o extremo dos sintomas, quando na vida real o TDAH é mais sutil. Também não se deve usar a ficção como o manual do diagnóstico. O professor não deve olhar para um personagem e achar que todo aluno com TDAH será igual àquele, já que o transtorno se manifesta de formas diferentes em cada criança”, alerta Cruz.

A seguir, as psicólogas listam três filmes que podem ajudar o professor a entender melhor o TDAH. Confira!

Percy Jackson e o Ladrão de Raios (2010)

Barros recomenda os filmes da franquia “Percy Jackson”, jovem que enfrenta dificuldades na escola e descobre ser um semideus, filho de Poseidon. A partir daí, ele terá que aprender a usar os seus poderes. “Percy, o personagem principal, tem TDAH e dislexia, e esses traços são mostrados como parte de quem ele é, não apenas como problema. No enredo, essas características se tornam habilidades úteis nas aventuras”, aponta Barros.

O Resgate de Ruby (2022)

“O filme mostra um agente que tem dislexia e traços de TDAH. Ele encontra um cão com problemas de comportamento e ambos aprendem juntos como usar suas diferenças como forças”, resume Barros.

Tudo em todo lugar ao mesmo tempo (2022)

Evelyn, uma imigrante chinesa sobrecarregada, tenta salvar sua lavanderia enquanto enfrenta conflitos familiares e uma auditoria fiscal tensa. Quando uma fenda no multiverso se abre, ela passa a acessar versões alternativas de si mesma em realidades paralelas. “É uma das melhores metáforas visuais para o TDAH, pois mostra que o paciente sente aquele excesso de estímulos, o ruído mental constante e a dificuldade de escolher onde focar quando tudo parece importante ao mesmo tempo. Ajuda o professor a entender o caos interno do aluno”, justifica Cruz.

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Crédito da imagem: franckreporter – Getty Images

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