O veganismo é um estilo de vida que exclui o uso de produtos de origem ou testado em animais na alimentação, vestuário, cosméticos, entre outros.

“Ser vegano transcende a escolha de uma dieta. É como um estilo de vida que busca minimizar o impacto ambiental e promover o direito dos animais”, resume a doutora em agronegócios pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Anelise Daniela Schinaider.

Veja as principais dúvidas respondidas por especialistas sobre o que é ser vegano e sua relação com o meio ambiente e as mudanças climáticas.

O que é ser vegano?

“Vai além de uma dieta alimentar, sendo como um estilo de vida. Os veganos acreditam nos direitos dos animais e tem um propósito de não consumir produtos oriundos destes ou testados neles”, sintetiza Schnaider, que pesquisou o comportamento do consumidor vegano em sua dissertação.

Já o professor e membro do Grupo de Pesquisa em Sociologia das Práticas Alimentares (SOPAS/UFGRS) Maycon Noremberg Schubert explica que veganos se engajam em maior ou menor grau em questões relacionadas à ética animal e ao meio ambiente.

 “Geralmente, são antiespecistas, ou seja, acreditam que todos os animais devem ser tratados com respeito e não como mercadorias, independente da sua espécie”, descreve. Na prática, o antiespecismo defende que um gato doméstico e uma vaca são iguais, logo, não haveria razão para enquadrar um deles como produto e alimento e o outro, não.

A preocupação ambiental é outra pauta defendida pelo veganismo, uma vez que a produção de alimentos de origem animal exige mais recursos e produz metano e dióxido de carbono, gases vinculados ao aquecimento global. “Assim, muitos alimentos veganos são considerados éticos, saudáveis e sustentáveis”, acrescenta Schnaider.

Qual a diferença entre ser vegano e vegetariano?

Em termos alimentares, o vegetariano é aquele que não come nenhum tipo de carne, mas ainda consome outros produtos de origem animal, como ovo, leite, queijo, iogurte e mel. “Porém, o vegetariano apenas embarca no conceito de dieta alimentar, enquanto o vegano tem um estilo de vida que vai além do alimento, abrangendo não consumir cosméticos testados em animais; vestuário e calçados que têm de origem animal etc.”, compara Schinaider.

Quais os impactos da produção de alimentos de origem animal ao meio ambiente?

Schubert explica que a pecuária em larga escala contribui para as mudanças climáticas por meio da emissão de gases relacionados ao efeito estufa. Entre eles, o dióxido de carbono emitido durante o desmatamento, que utiliza as queimadas para converter florestas e outros biomas em pastagem. A pecuária também produz gás metano durante a digestão – arrotos e flatulências – do gado e óxidos de nitrogênio pelo esterco animal e uso de fertilizantes nas pastagens.

“Além disso, o consumo de água para a produção de alimentos de origem animal é maior. Consideramos que produzir somente um quilo de carne bovina utilize aproximadamente 15,5 mil litros de água, considerando toda a cadeia produtiva do alimento: do nascimento do gado até o corte ser distribuído e chegar na casa do consumidor”, explica Schinaider.

Atualmente, o Brasil possui algumas práticas de agricultura regenerativa, com desmatamento zero e rotação do gado. “Porém, para o vegano isso não basta, pois ainda há a questão ética do abatimento dos animais e do seu uso como mercadoria”, lembra Schubert.

“Em contrapartida, está presente o debate do veganismo e os sistemas alimentares alternativos e com menor impacto ambiental, como agroecologia, produção de alimentos orgânicos e plantios que removam menos solo”, acrescenta o sociólogo.

Questões socioeconômicas podem impedir a adoção do veganismo?

Parcialmente, segundo Schubert. “Pessoas que estão abaixo da linha da pobreza não possuem escolha sobre o que vão comer, podendo ser veganas por consequência, ou seja, por não ter dinheiro para comprar uma proteína de origem animal”, contextualiza.

“Mas se falarmos de pessoas que, ainda que pobres, possuem poder de compra, é possível exercer o veganismo com pouco recursos, baseado no preço de grãos, verduras e hortaliças comparado ao da carne”, descreve Schubert.

O sociólogo lembra, entretanto, que outras questões podem influenciar na adoção ou não do veganismo. “Trabalhadores que permanecem muito tempo entre trabalho e transporte público não têm tempo para refletir sobre as questões propostas pelo veganismo ou mesmo organizar a sua alimentação para a semana. Vivem outras questões urgentes no seu dia a dia”, analisa.

Em sua dissertação, Schinaider identificou que perfil do vegano era de jovens até 30 anos, solteiros, com ensino superior e que eram estudantes ou profissionais autônomos. “A renda não é um fator que influencia para se tornar vegano. Porém, o apoio ou crítica dos amigos, sim. Isso porque o comportamento do consumidor é moldado pelo meio no qual convive, e ele pode  sofrer pressões de pessoas que possuem pouca informação sobre o veganismo”, finaliza.

Veja mais:

Conheça quatro benefícios de não comer carne um dia na semana

Compras colaborativas permitem acesso a produtos orgânicos e naturais a baixo custo

Vídeo esclarece fake news que opõe preservação de florestas à produção de alimentos

Atualizado em 06/02/2024, às 16h49.

Talvez Você Também Goste

Descubra 6 direitos da pessoa com diabetes

Leis garantem aposentadoria por invalidez, auxílio-doença e medicamento gratuito pelo SUS

O que é saque calamidade do FGTS?

Advogados explicam como trabalhador vítima de desastre natural pode acessar o benefício

Como funciona o aluguel solidário no Brasil?

Iniciativa viabiliza locação de moradia a famílias em situação de vulnerabilidade

Receba NossasNovidades

Receba NossasNovidades

Assine gratuitamente a nossa newsletter e receba todas as novidades sobre os projetos e ações do Instituto Claro.